Está na ordem do dia a discussão sobre quem será o próximo Comissário português, no elenco da Comissão encabeçada por Jean-Claude Juncker. Permitam-me uma correcção: não será um Comissário, terá de ser uma Comissária.
Juncker insiste nesse aspecto e pede aos distintos governos que, tanto quanto possível, indiquem mulheres para o cargo. E o Parlamento Europeu já avisou: ou o elenco dos 27 Comissários (que se juntarão ao Presidente) é equilibrado, com um número suficiente de mulheres, ou esqueçam a aprovação por parte da instituição – e sem o voto favorável do Parlamento Europeu, não haverá Comissão. Portugal, para contrabalançar a relativa fraqueza decorrente do facto de o Presidente da Comissão ser português há dois mandatos e para obter um pelouro interessante, deve dar o exemplo. Seguro e Passos já se reuniram para discutir o assunto, tendo havido acordo de princípio sobre os pelouros que interessam a Portugal. Não terão contudo falado de nomes, embora não custe acreditar que na cabeça do primeiro-ministro haverá já uma lista de possíveis nomeados.
Marinho e Pinto já interveio, como se espera venha a fazer muitas vezes durante o seu mandato de deputado europeu: quer ser ouvido, sugere um debate nacional e indica as condições que considera necessárias para a escolha da personalidade em causa. Outros já vieram dizer de sua justiça a respeito de quem julgam dever ser o candidato português.
Tudo somado, a próxima Comissária portuguesa deverá reunir três condições: ser mulher. Ter experiência prática das instituições europeias. Ser conhecida dos líderes europeus, seja nos corredores do Parlamento seja na Comissão, e reconhecida pelo seu trabalho a nível europeu.
Quem tem esse perfil? Na minha opinião, que é modesta mas escorada numa experiência de alguns (muitos…) anos e no conhecimento efectivo do trabalho e das personalidades em questão, só há três pessoas elegíveis para o cargo. Muito me surpreenderia se a escolhida não fosse uma delas. Ei-las, por ordem alfabética:
Elisa Ferreira – cumpre as três condições. Como deputada europeia liderou a tomada de posição da instituição sobre a criação da união bancária, que resultou na aprovação de um modelo muito mais conforme aos interesses da União, um excelente trabalho por todos reconhecido. A sua experiência permite a Portugal ter um bom pelouro, outro dos objectivos fundamentais neste processo de constituição da nova Comissão. Professora Universitária, Elisa, além disso, tem experiência governativa. E é uma pessoa simpática.
Maria da Graça Carvalho – cumpre as três condições. Foi também deputada europeia, tendo ficado conhecida pela sua actividade em matérias ligadas ao conhecimento, investigação e inovação (tanto ou tão pouco que lhe foi atribuído o prémio de melhor deputado ao Parlamento Europeu 2011 na área da Investigação e Inovação). Naturalmente, isso pode também resultar num bom pelouro nas importantes áreas da sua competência. Professora universitária, foi ministra de um governo de Portugal. E é uma pessoa simpática.
Maria João Rodrigues – cumpre as três condições. Um reparo que faço respeita a uma excessiva exposição, que deve evitar, assumindo publicamente – como fez ontem – que tem interesse em ser Comissária e porquê; num país como o nosso, muito dado a manifestações de autoridade e jogos de bastidores com a comunicação social a fazer de altifalante, esse tipo de atitude tem, infelizmente, quase sempre o efeito contrário. Dito isto, é uma excelente candidata. Conhecida em tempos por Senhora Agenda de Lisboa, Maria João tem uma extensa experiência europeia, sendo há muitos anos conselheira especial do Presidente da Comissão europeia. Nessa qualidade esteve envolvida em inúmeros dossiês de grande importância, como a negociação do Tratado de Lisboa; e é muito respeitada em Bruxelas. O pelouro a que Portugal pode aspirar com ela será também, decerto, interessante. Foi igualmente professora universitária e ministra de um governo de Portugal. E é uma pessoa simpática.
Não vislumbro mais ninguém com perfil adequado para ser o próximo… perdão, a próxima Comissária portuguesa da União Europeia. Qualquer escolha diferente, salvo erro ou omissão da minha parte, será resultado – uma vez mais – de opções ditadas por interesses que não são os nacionais. Partilho da opinião de quantos, como Marinho e Pinto, pedem um debate alargado. Se chegar a haver (duvido muito), já contribuí; caso contrário… já contribuí. Ah, e se Maria da Graça Carvalho é do PSD, Maria João Rodrigues e Elisa Ferreira são do PS. Mas isso interessa alguma coisa???