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Um debate que tem ocupado os académicos e os intelectuais do mundo ocidental está relacionado com um possível paralelo entre a Guerra Fria, que opôs os Estados Unidos e a União Soviética, e o recente conflito de transição do poder entre os EUA e a China. A razão pela qual este debate tem cabimento é que, com a distinção feita por Joe Biden entre democracias e autocracias (e o alinhamento das democracias asiáticas com a potência democrática do outro lado do Pacífico) e com a aproximação da Rússia à China, parecem estar a formar-se dois blocos distintos, indiciando que o sistema internacional poderá vir a ser o de uma competição bipolar.

Já afirmei várias vezes que me parece que a História não se repete e há certamente muitas diferenças entre os dois momentos. Desde logo, a China e a União Soviética são adversários acentuadamente diferentes na sua natureza e na forma de fazer política externa; os rivais de hoje não saem de um cenário de guerra clarificador do peso de cada um no sistema internacional e não houve paz negociada que indique o ponto de partida para o futuro; e há outros Estados, como a Rússia e, eventualmente, a Índia, que terão uma palavra a acrescentar neste sistema. A evolução de outros atores para além dos EUA e da China e as escolhas que vierem a fazer poderão condicionar a rivalidade central dos dias de hoje.

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