Porque queremos abordar este tema em novembro, o Mês de Sensibilização para a Saúde do Homem? Porque o cancro colorretal é um dos mais frequentes, se não o mais frequente, em Portugal. Não bastasse esta situação, este é também um cancro que consome muitos recursos para o seu tratamento e pode ser fonte de muito sofrimento e grande mortalidade. E o motivo principal deste tema ser tão importante prende-se com o facto de que esta doença ser, em larga medida, evitável e, se detetada a tempo, apresentar fortes probabilidades de cura.

Comecemos pelo princípio. O que é o cancro colorretal? Este é um tumor maligno do intestino grosso, cólon e reto, que, afetando estes dois segmentos intestinais, deve ser em larga medida considerado como uma única doença. Muitas vezes não lhe é atribuída a relevância que deveria ter, uma vez que nas estatísticas é apresentado como sendo duas doenças separadas e, como tal, fica mais escondido entre outras neoplasias que, sendo importantes, não são tão frequentes entre nós. Acresce, que não tem, por motivos de natureza social, a mesma divulgação na sociedade que outros cancros menos frequentes. Talvez por afetar, quase de igual forma, homens e mulheres, está menos na ribalta. No entanto, é o terceiro tipo de cancro mais diagnosticado no homem.

Mas o que se pode fazer para evitar o cancro colorretal? Duas medidas são mais evidentes, uma fácil, mas de menor impacto demonstrado, outra mais difícil, mas muito eficaz. A primeira, assenta na prática de uma alimentação saudável. A utilização de uma dieta diversificada, com grande consumo de vegetais e fibras, associada a uma importante ingestão diária de líquidos, parece ter um impacto na incidência deste tumor. De igual forma, o uso de uma alimentação correta, que evite a obesidade, parece ter um efeito positivo na diminuição do risco de desenvolver este tumor.

A segunda medida, mais exigente sob vários aspetos, é a realização de rastreio desta doença. O rastreio correto consiste na realização de colonoscopia a intervalos regulares de tempo. Esta abordagem permite identificar estes tumores numa fase mais precoce, mas, ainda mais importante, permite a remoção de lesões pré-malignas que, se deixadas à sua evolução natural, vão originar cancro. Sabe-se que a vasta maioria destes tumores passa por uma fase de desenvolvimento que é detetável, possível de ser removida por colonoscopia e, como tal, potencialmente curável. Esta é uma das mais eficazes abordagens para a prevenção de doenças oncológicas de que dispomos.

Quais são as manifestações mais importantes desta doença? Seguramente que são aquelas que ocorrem no início da evolução deste tumor. São estas que, levando o doente a consultar o médico, permitem uma intervenção eficaz. Salienta-se a perda de sangue pelo ânus ou com as fezes, as alterações dos hábitos intestinais, o cansaço fácil, o desconforto ou dor abdominal, as dificuldades em defecar de aparecimento recente e a perda de peso. Quem notar estas queixas deve ir imediatamente a uma consulta. Poderá fazer os exames necessários e ser detetada a doença de forma atempada. Mesmo em tempos de pandemia, como a que vivemos agora, onde devemos procurar estar mais confinados, importa não adiar a nossa saúde e procurar um parecer médico perante os sinais de alerta.

Porquê esta insistência no rastreio e na deteção da doença numa fase inicial? Porque, tal como na maioria das neoplasias malignas, o principal fator para obter a cura é a fase em que a doença se encontra quando é detetada. Se numa fase pré-maligna, por colonoscopia, se removerem os pólipos que virão a evoluir para cancro, conseguiremos parar o desenvolvimento da doença. Por outro lado, também pelo rastreio de doentes sem queixas ou pela vinda ao médico numa fase inicial dos seus sintomas, poderá ser detetado o cancro numa fase em que este ainda não se disseminou e, como tal, ter maiores probabilidades de cura.

Pelos motivos que apresentei, torna-se evidente que uma atitude correta, de cuidados alimentares, de rastreio nas condições que os médicos recomendam e de perceção do que se passa com o nosso corpo, terá um grande impacto nas probabilidades de evitar ou sobreviver a esta doença tão comum em Portugal.