Crónica

Meritocracia, a nova ordem social

Autor
  • Edgar Simões
441

Um ideal de uma sociedade organizada e transparente, onde o filho de quem é não interessa, onde o local onde nasceu não interessa, nem a sua cor de pele nem género, somente o que se merece e alcançou.

No Socialismo ou no Capitalismo, o melhor que conseguimos foi sem dúvida uma democracia. Numa era globalizada como a dos dias de hoje, assistimos a sociedades descaracterizadas do passado e outras sociedades que simplesmente não conseguem deixar o passado. Um conservador ou progressista são muitas vezes confundidos e ligados às ideologias extremistas que ainda hoje perduram.

A democracia é o melhor que conseguimos e ponto final, mas está bem longe de ser o ideal. Tem demasiadas falhas, os alicerces que fundamentam as bases de uma democracia são sem dúvida a justiça social, e estes estão inigualavelmente podres. Qual a situação real? Bem só posso falar do cenário que conheço, talvez por isso, deva falar do meu país. Um país que vive do comodismo das injustiças, que grita por mudança nas redes sociais onde impera o descontentamento sem que isso se traduza em ações que realmente tenham impacto no que seria a justiça imposta, porque sendo o povo “aquele que mais ordena”, se isso realmente distingue uma democracia de qualquer outro sistema social, estamos bem longe de o fazer como deveria ser feito.

Os assuntos correntes, a denominada espuma do dia, é que realmente coordenam as ordens de trabalho dos nossos governos. Um escândalo nos dias de hoje deverá ter em média a duração e a devida atenção durante uma a duas semanas, se houver determinada indignação acaba-se por agir ou então simplesmente depois percebe-se que se agiu por ser do interesse de alguém, na realidade os interesses acabam por ser a palavra de ordem no contemporâneo.

Custa-me também entender como é que chegamos a um ponto do comodismo em que sabemos que a estrutura social e as oportunidades são conquistadas não de forma justa, mas muitas vezes por, mais uma vez, um jogo de interesses e da tão proclamada “cunha” numa linguagem mais corriqueira e popular. Publicamente isto é um assunto não discutido, mas consentido por todos nós porque numa terra em que, quem tem olho é rei, essas pessoas são glorificadas e coroadas pela nossa democrática sociedade. Está claro que nem todos são assim, certas pessoas chegaram aonde chegaram por mérito próprio e sem qualquer tipo de “intervenção divina”, mas a realidade é que mesmo essas pessoas coexistem e acabam por trabalhar muitas vezes com pessoas que não estão lá simplesmente por mérito próprio.

Realmente é fácil criticar uma sociedade que será sempre imperfeita e simplesmente dizer o que está mal, mas soluções a estes problemas acabam-se muitas vezes por não se darem e por não se encontrarem. Na verdade, e vê-se no exemplo das grandes empresas, as estruturações de carreiras em que o avanço é conquistado e em que se progride através da correspondência aos objetivos e por patamares transparentes a todos os colaboradores que com uma avaliação contínua e próxima do seu desenvolvimento, vão evoluindo consoante o deu desempenho. Nesses sistemas acaba-se por encontrar pessoas no topo das carreiras com idades bem díspares dos seus pares, não por jogo de interesses, mas por terem cumprido e correspondido aos objetivos propostos com sucesso. O avanço de carreira acaba por ser incorruptivelmente obtido por mérito próprio.

É este sistema interno que vejo nas grandes empresas que proponho à nossa sociedade. Uma sociedade em que revejo este tipo de conquista que só depende de nós, em que antecipadamente no início de uma nova etapa todos sabemos quais são os requisitos para chegar aonde queremos e o que precisamos de fazer exatamente para lá chegar, porque isso nem sempre acaba por se rever na sociedade democrática em que vivemos. O estatuto social será aquele em que as pessoas trabalharem para tal e, claro que, teria de haver órgãos dedicados à avaliação de todos nós enquanto cidadãos. Um registo permanente e contínuo que mostra que tipo de cidadão somos e que isso, juntamente com outros fatores, corresponderia sem dúvida a um determinado estatuto social, diferente de alguém que simplesmente vive do trabalho dos outros ou do oportunismo recorrente dos dias de hoje.

Uma ideia progressista? Sem dúvida, mas afinal o progresso espelha o avanço na sociedade e se hoje consigo falar de um novo tipo de organização social foi porque também houveram pessoas que tiveram a ideia progressista de criar também uma democracia. O ciclo de inovação pode ser muito bem adaptado num cenário macro, ou seja, às nossas vidas, às pessoas e às suas ideias.

A justiça social não deve ser uma ideia, mas uma base consolidada, uma sociedade toda ela baseada numa carreira pessoal. Isto seria só mais um avanço importante a desenvolver para podermos chegar ao ideal de uma sociedade organizada e transparente, onde o filho de quem é não interessa, onde o local onde nasceu não interessa, nem a sua cor de pele nem género, simplesmente porque merece pela sua conquista pessoal e profissional por simplesmente ter correspondido aos requisitos do estatuto onde quer chegar. Meritocracia seria, ideologicamente, o viver numa sociedade justa e equitativa. Em última análise, meritocracia seria a meu ver uma nova ordem social.

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