Cada vez aprendo mais com os fazedores de opinião do regime, desta feita pela boca do Director de Informação da RTP, António José Teixeira, que nos brinda com mais um discurso muito redondinho e politicamente correcto, a saber:

  • 1. O Estado de emergência não justifica o corte dos direitos políticos dos cidadãos e das organizações fundamentais em democracia, pelo que não é uma boa ideia proibir o PCP de realizar o seu Congresso. Deve haver a liberdade e a responsabilidade de assumir iniciativas deste tipo (mais de 600 congressistas num pavilhão, diga-se);
    2. Estive no congresso e pude observar os cuidados e as regras de segurança que o PCP ali aplicou;
    3. A força do PCP e a sua acção política exerce-se na rua e na mobilização dos militantes e dos trabalhadores para causas que os possam unir;
    4. Por outro lado, o PCP não faz congressos todos os anos mas de 4 em 4, pelo que vê o seu horizonte a minguar, e acha que é imprescindível fazer este conclave para que a sua chama de mobilização não murche e se mantenha;
    5. A preparação do congresso foi feita com cerca de 1700 reuniões de células, mobilizando cerca de 18000 militantes, pelo que é difícil ao PCP deixar de fazer este congresso…!”

No mesmo noticiário televisivo, e imediatamente a seguir, ouvimos o Sr. Presidente da República falar sobre a necessidade dos Portugueses saberem aquilo com que podem contar no Natal, sendo que não devem esperar pelo dia 24 de Dezembro para o efeito…

O regime, os seus governantes e os supostos influenciadores e decisores de opinião, deixaram de perceber o País que somos e atiram-nos para os olhos areia mediática de forma avulsa, profusa e coordenada, para nos tentarem adormecer e confundir, sob a espada demolidora do COVID19 que tudo esmaga e praticamente todo o disparate justifica!

Em síntese, o negócio político está consumado e agora o regime mostra as garras afiadas para aplicar as normas severas que nos haverão de salvar da pandemia, senão vejamos:

  • O Dr. António Costa já pagou a conta da aprovação do orçamento de Estado com a “aceitação surda” da realização do congresso do PCP;
  • O Sr. Presidente da República assobiou todo este tempo para o ar, a fazer de conta que não sabia de nada, olhando de soslaio o ajuntamento comunista em Loures à espera que a sua benevolência seja merecedora da generosidade eleitoral dos congressistas e militantes comunistas;
  • Os influenciadores dos media do regime podem fazer com profissão de fé o discurso do politicamente correcto, enaltecendo uma vez mais a capacidade organizativa do PCP e o seu fundamental contributo para a democracia.

Aos poderes do regime vigente, ao Sr. Professor Marcelo Rebelo de Sousa, ao Dr. António Costa, aos nossos parlamentares e aos erráticos técnicos da DGS gostaria de lhes contrapor, numa resposta ponto-a-ponto à análise acima do Sr. António José Teixeira, a gramática da significância da vida simples e intensa da minha mãe, uma Portuguesa de 92 anos, a saber:

  1. O Estado de emergência não justifica o corte dos direitos da minha mãe de reunir os seus filhos, netos e bisnetos, de partilharem mesa, memórias e afectos, naquela que é a maior festa dos cristãos, na data de nascimento de Cristo, (na modesta ordem das 2 dezenas de pessoas, diga-se)
  2. Convidamo-los a participarem no Congresso da minha família e a constatarem o cuidado e a disciplina com que nos amamos, respeitamos e observamos as boas regras do distanciamento e das normas de segurança das autoridades sanitárias;
  3. A força da família da minha mãe exerce-se no entusiasmo da reunião de todos os que compõem o seu clã familiar, na razão maior que os pode unir, o Natal, momento de partilha, de dádiva, de amor, de afectos e de terna e profunda amizade;
  4. Por outro lado, a minha mãe, com 92 anos, também vê o seu horizonte a minguar muito rapidamente e não quer prescindir do amor e do calor da presença dos seus filhos, netos e bisnetos, única riqueza e felicidade que tem e que não troca por nada deste mundo;
  5. A preparação desta festa maior da família foi feita com o amor de dezenas de gerações ao longo de centenas de anos, pelo que ninguém tem o direito de nos cercear a liberdade de nos reunirmos e celebrarmos o nosso Natal.

Será que o Sr. Presidente da República, o Sr. Primeiro-Ministro, os ilustres Deputados e os influenciadores dos media do regime conseguem perceber que os direitos políticos de reunião dos militantes do PCP em nada superam os direitos de reunião, da partilha dos afectos e do amor do parco número de membros da família da minha mãe? Esperemos que assim seja!

Se assim não for, e como já pude escrever anteriormente, lá terei de ir para a rua reivindicar os meus direitos políticos e de cidadania pessoais e familiares, que não são inferiores aos dos militantes do PCP, com todo o respeito que estes me merecem!

Lisboa, 27 de Novembro de 2020

António Ribeiro

(Empresário)