A discussão acesa na sala oval na sede do Governo dos EUA, entre o Vice-Presidente JD Vance e o Presidente Trump por um lado, e o Presidente Zelensky por outro, é apenas o segundo episódio de uma série televisiva em que Rússia e EUA não respeitaram a Ucrânia como um Estado soberano, subestimando a coragem e a determinação do Presidente Zelensky e do povo ucraniano.
No primeiro episódio, assistimos à arrogância Russa que planeou tomar o poder na Ucrânia em 72 horas, conforme prometido pelo Estado Maior das Forças Armadas Russas ao Presidente Putin, invadindo um Estado soberano, visando substituir o poder legitimamente eleito por um Governo fantoche, dependente de Moscovo, à semelhança da Bielorrússia.
Correram-lhes mal os cálculos: o Presidente “entertainer” não só não fugiu para o exílio idílico de qualquer capital europeia ou americana, como mobilizou com competência e determinação corajosa, todas as forças da Ucrânia para a resistência ao invasor.
No segundo episódio, que ocorreu hoje na Casa Branca, assistimos atónitos à tentativa do Vice-Presidente e do Presidente dos EUA de humilharem, em directo, o Presidente de um Estado soberano, dando-lhe um ralhete público e procurando impor objectivamente à Ucrânia um acordo de paz, que os EUA e o País agressor, a Rússia, negoceiam nas costas do País agredido.
Mais uma vez, uma grande potência subestimou o Presidente Zelensky, que percebeu que não poderia assinar este acordo com os EUA e, mais uma vez, teve a coragem e a audácia de bater o pé, resgatando a honra e a dignidade do povo ucraniano.
É simplesmente inacreditável que Trump e JD Vance se tenham transformado em meros mensageiros da narrativa de Putin, acusando o País agredido de responsável pela existência desta guerra, caucionando e legitimando a invasão efectuada pelo País invasor, a Rússia, e os crimes cometidos contra o povo ucraniano.
É cada vez mais claro que Trump está refém de Putin, por razões que mais cedo ou mais tarde haveremos de conhecer, pelo que o suposto acordo de paz que EUA e Rússia negoceiam na Arábia Saudita sem a presença do País invadido, tem as cartas marcadas e só poderá ter como resultado impor à Ucrânia as condições da Rússia, ou seja a rendição da Ucrânia, o que seria totalmente inaceitável.
Contrariamente a algumas opiniões demasiado imediatistas que tenho ouvido em alguns meios de comunicação social, creio que o Presidente Zelensky jogou uma cartada que, embora de alto risco, se revelará certeira num futuro próximo, reforçando a solidariedade Europeia, ao mesmo tempo que deixa Trump mais isolado e com a sua autoridade de mediador claramente beliscada!
Por último, saúda-se a reação imediata e unânime de apoio da Europa ao Presidente Zelensky e ao povo ucraniano, tornando-se claro que este é o momento para a Europa assumir uma maior independência relativamente aos EUA em termos de defesa, reforçando a coesão e solidariedade europeias numa hora complexa e de escolhas particularmente difíceis.