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Existem vários tipos de cancro do ovário e há uma grande variação na incidência e no prognóstico, dependendo desses diferentes tipos. No Dia Mundial do Cancro do Ovário, que se assinala a 8 de maio, é fundamental lembrar a todas as mulheres que a prevenção é a melhor resposta, que só pode ser possível com consultas regulares no seu ginecologista. A ausência de um método de rastreio e o facto de os sintomas não serem específicos e poderem frequentemente ser confundidos com outras doenças menos graves, fazem com que o diagnóstico seja tardio e efetuado, na grande maioria das vezes, em estádios avançados da doença, tornando mais difícil o seu tratamento.

Dados estatísticos (Globocan) referem que cerca de 320 mil mulheres desenvolvem cancro do ovário a cada ano e que 210 mil morrem da doença a nível mundial. As projeções da Globocan para 2040 apontam para um aumento de 40% da incidência (415 mil novos casos).

A taxa de sobrevida média aos cinco anos para quem tem cancro do ovário é de 47%. Porém, o estádio do tumor na altura do diagnóstico é o fator mais importante a influenciar este tempo de sobrevida. A maioria das mulheres no estádio I tem um prognóstico excelente, com uma sobrevida aos cinco anos de mais de 90%.

A percentagem diminui significativamente para os outros estádios: o estádio II tem uma taxa de sobrevivência aos cinco anos de 70%, o estágio III cerca de 39% e o estágio IV apenas 17%. Outros fatores que afetam o prognóstico da doença, incluindo a idade e o estado geral da doente, o grau das células que constituem o tumor e o seu tipo, são também importantes para definir o plano de tratamento.

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Apesar de o cancro do ovário ser mais frequente em mulheres na menopausa, cerca de 12% podem afetar mulheres com menos de 40 anos, ou seja, em idade reprodutiva e com desejo de preservar a sua fertilidade. Existem alguns tipos de cancro do ovário perante os quais as mulheres podem ser candidatas à preservação da fertilidade, nomeadamente as doentes com tumores epiteliais em estádio inicial e os tumores “borderline”, ou as doentes com tumores de células da granulosa juvenil e tumores de células germinativas.

Para as mulheres jovens com cancro do ovário, é especialmente importante considerar abordagens de tratamento que incluam tanto o tratamento eficaz do cancro como a preservação da sua fertilidade. O desafio é remover e eliminar, simultaneamente, as células cancerosas e proteger e preservar as células saudáveis.

As opções de preservação da fertilidade disponíveis (criopreservação de ovócitos, criopreservação de embriões, criopreservação de tecido ovárico) necessitam, em primeiro lugar, de um diagnóstico precoce da doença – porque só nos estádios iniciais se pode ponderar o tratamento conservador – e, depois, da colaboração de equipas multidisciplinares, como a ginecologia oncológica, a oncologia médica e a medicina da reprodução. É muito importante a seleção criteriosa das doentes e, também, que cada um delas esteja consciente e devidamente informada dos potenciais riscos de optar por estas terapêuticas conservadoras.

Como não existe um método de rastreio adequado, é muito importante que faça uma visita regular ao seu ginecologista, porque apesar de o diagnóstico de cancro do ovário ser assustador e devastador, se for efetuado em estádios iniciais tem uma elevada probabilidade de tratamento e sobrevida.