A ignorância dos norte-americanos acerca de geografia entrou, há muito, no nosso imaginário, por conta de conteúdos como o Jay Walking, popularizado por Jay Leno. O que nós nos rimos daquele cidadão do Wyoming para quem França era a capital de Bruxelas! Ah, ah, ah! A estupidez daqueles saloios, é mesmo muito gira. Até estes mesmíssimos questionários se tornarem banais deste lado do Atlântico e percebermos que somos uns saloios que devem menos aos saloios norte-americanos do que os contribuintes holandeses devem ao Estado português.

É portanto sem surpresa que constato que personalidades com o destaque partidário de uma Mariana Mortágua, o destaque institucional de um António Guterres, ou o destaque espiritual de um Papa Leão XIV, mais do que não saberem, nunca sequer ouviram falar de um país chamado Nigéria. Sim: Nigéria. E não, não fica na Ásia, mesmo ao lado do Paraguai. Ainda assim, fica é demasiado longe de Israel. E não sendo possível culpar os judeus pela chacina dos cristãos nigerianos em curso, os fundamentalistas islâmicos dão largas à sua bebedeira genocida, no bar aberto de ensurdecedor silêncio cobarde gerido por estes e outros proeminentes activistas: da flotilheira, ao Homem do Pântano, passando pelo Santo Padre, nem um pio.

Já no extremo oposto do espectro do ruído, André Ventura berra. Porquê, não sabemos, uma vez que o candidato a Presidente se retirou do estúdio da CNN logo após essa pergunta lhe ter sido colocada pelo filho de António Costa. O que parece denotar em Pedro Costa uma especial curiosidade pelo estudo do som. O que não surpreende: afinal, quem não teria ficado intrigado ao acompanhar, tão de perto, o fenómeno do silêncio absoluto que o seu progenitor manteve durante os anos das vastas falcatruas nos governos de José Sócrates.

E porque a irrelevância adora companhia, a CNN juntou a Pedro Costa, Francisco Rodrigues dos Santos, o “líder” que transformou o CDS, de partido do Táxi, em partido do TVDE que cancela a viagem à última hora sem qualquer justificação. Ao pé de Francisco Rodrigues dos Santos, Mariana Mortágua é uma líder partidária de enorme sucesso. Tem imenso para aprender com a revolucionária Mariana Mortágua, o betinho Chicão: quer ao nível da liderança de um partido, quer ao nível de passar férias como deve ser em iates no Mediterrâneo.

Mas, por agora, Francisco Rodrigues dos Santos tem trabalho em mãos porque, enfim, supriu-se a há muito lamentada ausência do Batatinha e Companhia dos ecrãs da TVI. No seu lugar, a Media Capital garantiu, desta feita na CNN, a dupla Costinha e o seu amigo Chicão: é o show de Costinha & Chicão na CNNtoon. Perdeu-se ao nível da algazarra (e da maquilhagem; e dos sapatos gigantes) mas há perguntas sobre berros.

“É a televisão que temos”, lamentarão alguns. “Bom, se têm mesmo de a ver, por força de alguma disfunção por diagnosticar, aproveitem, apesar de tudo, enquanto podem”, diria eu. Dêem mais um tempinho aos canais nacionais para aprenderem com as grandes referências mundiais do jornalismo, tipo BBC, a truncar declarações de Trump para dar a entender que incitou à invasão do Capitólio e, em menos de nada, teremos um discurso do Ventura a garantir que devemos ir para Angola e em força.

Enquanto isso, são de esperar muitas mais perguntas parvas ao líder do Chega, porque, neste momento, as televisões estão entre a espada e André Ventura: adoravam que ele se calasse, mas, por força das audiências, precisam que ele esteja sempre a falar. E Ventura sempre a falar tenderá a erodir ainda mais as audiências. O que obrigará a dar ainda mais tempo de antena a Ventura. O que corroerá ainda mais as audiências. “Mas ao ponto de estas televisões fecharem?” Claro que não! Isso foi uma pergunta quase tão parva como as dirigidas ao líder do Chega. Ao ponto de um próximo governo reconfirmar que estas televisões se manterão a funcionar graças aos nossos impostos.