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Cidadania

Sejamos nós a provocação!

Autor
  • Teresa Cunha Pinto
118

A convicção, a posição e a determinação: eis o que urge neste país. Remar contra a maré daqueles que têm feito do Estado português um Estado doente e enfraquecido.

Mas, afinal, que sistema é este que tem tido a proeza de afundar uma sociedade num mar de desinteresse, de marasmo e de alheamento total pelos assuntos da nação? Que sistema é este que tem conseguido a proeza de nos afundar a todos numa espiral de apatia, de impotência e de frustração? Pasmam-se quando assertivamente ouvem dizer que “isto da política já não interessa, eles são todos iguais”. Pois, claro! Estão só a colher aquilo que plantaram e plantaram em nós a total descrença na política nacional que tantas falhas deu no cumprimento da sua missão.

Será que os olhos dos políticos de hoje não vêem o mesmo que nós? Será que vivem no mesmo país, com as mesmas políticas e nas mesmas condições que todos os portugueses? Talvez não e talvez seja por isso que a sua missão fique tão aquém daquilo que o povo português merece.

A realidade é que os governos sucedem-se e nós sentimo-nos espectadores de um filme igual a todos os outros. Os actores mudam – e até nisso são pouco originais! – mas o argumento mantém-se. As mesmas palavras, as mesmas lengalengas, as mesmas desculpas. É sempre a mesma falta de visão, a mesma falta de transparência e de verdade. É o imobilismo tremendo a que sujeitam todo um país.

Julgo que andam todos demasiado preocupados em encontrar consensos e forças cooperantes, andam demasiado distraídos a tentar salvar ou a emendar o que foi feito. Não se pode reconstruir uma casa pelo telhado e a classe política anda demasiado preocupada em construir por cima daquilo que está mal construído de raiz. Nada de bom nos tem trazido esta estratégia cordial e apaziguadora que tenta agradar a gregos e a troianos e que se perde na sua falta de identidade.

Estamos reduzidos a partidos e a uma classe política sem personalidade, a sempre constante do uma no cravo e outra na ferradura que não deixa que o país avance e se concretize.

Quando é que serão capazes de perceber que Portugal precisa, agora e mais que nunca, de rejeitar o sistema estabelecido, de discordar, de quebrar, de rasgar, de mudar? É urgente que Portugal mude de lugar, desmarcar-se totalmente daquilo que até agora foi feito. É preciso, agora e mais que nunca, ir contra a maré, contra a maré da corrupção, da incompetência, da injustiça, da desigualdade, da mentira, dos amigos e dos familiares, dos tachos, da elite que quer perpetuar a miséria e a mediocridade.

A convicção, a posição e a determinação: eis o que urge neste país. Remar contra a maré daqueles que têm feito do Estado português um Estado doente e enfraquecido.

Os partidos têm de se reinventar juntamente com as suas juventudes partidárias para que sejam capazes de despertar uma sociedade adormecida à qual todos estamos entregues. Não seremos nós capazes disto e mais ainda? Não temos nós já bons exemplos disto? Onde jovens se mobilizavam para acrescentarem valor e ideias novas, onde jovens não cruzavam os braços e eram um exemplo de acção e de serviço a favor do país. Enquanto que, nós jovens, estivermos à espera de receber a provocação da classe política para pormos a mão na massa continuaremos reféns do marasmo e da resignação. Porque se estivermos à espera dos exemplos da classe política ficaremos eternamente destinados aos mínimos. Não esperemos pela provocação amiga do mais alto magistrado da nação, sejamos, nós, a própria provocação que não só os desafia mas que os envergonha daquilo que até hoje não foram capazes de fazer por Portugal.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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