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Manda a tradição — não escrita, não imposta pelo Estado, por isso mesmo muito estimável, sobretudo para os amantes da liberdade — que, no começo de um novo ano, devamos exprimir os nossos votos para o ano que se inicia. É uma tradição civilizada e agradável. Exprime a nossa confiança na falível possibilidade de melhorar — não por alegados determinismos historicistas, ou tecnocráticos, ou revolucionários, mas por melhorias parcelares e reformistas, inspiradas por valores morais partilhados.

Esta tradição é hoje agradavelmente consensual. Mas convém recordar que ela é simultaneamente contrária ao positivismo dogmático (por exemplo de Hegel, ou de Marx, ou de Comte) e ao niilismo dogmático (por exemplo de Nietzsche). Todos eles tinham em comum aquilo que os grandes autores liberais do século XX — Walter Lippmann, Joseph Schumpeter, Karl Popper, Friedrich Hayek, Raymond Aron, Michael Oakeshott, Isaiah Berlin, Ralf Dahrendorf, para citar apenas alguns, onde faria aliás sentido incluir Winston Churchill — condenaram como “ópio dos intelectuais” (uma expressão de Aron): os positivistas e os niilistas acreditavam que sabiam, sem saberem que acreditavam. Por isso, a sua ignorante arrogância fatal alimentou os totalitarismos do século XX — o comunismo, o fascismo e o nacional-socialismo — todos eles fundados nas certezas vulgares de tribalismos rivais. Novos tribalismos estão hoje na moda, mas a sua natureza dogmática e primitiva permanece inalterada.

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