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É cara conhecida dos portugueses, estudou no Brasil e nos Estados Unidos e por cá passou pelo cinema, teatro e também pela televisão, e pelo meio ainda foi premiado com um Globo de Ouro. Diz que é fã de desporto, mas nem sempre foi fã da cozinha. Diz que com a idade mudam os seus gostos. Hoje recebemos Tiago Tónato Pereira em 40 minutos na Rádio do Observador. Bem-vindo.

Bem-vindo, Tiago.

Acertei em tudo?

Sim, eu gosto dessas introduções. Estou sempre a descobrir um pouquinho mais sobre mim. Coisas que não sabia.

Já nem se lembra do que disse em entrevistas. E é precisamente por esta curiosidade que vamos começar. Tu numa entrevista disseste que gostas de cozinhar, que aprendeste com a tua mãe, mas só sabes os básicos.

Calma, isso de saber cozinhar é muito relativo.

Imagina, só os ouvimos isso. Ou seja, nem sempre gostaste de cozinhar.

Não, eu sou muito básico.

Não importa, já é alguma coisa.

Qual é a melhor coisa que sabes cozinhar?

Isto vai parecer ridículo. Eu faço um arroz incrível, mas é difícil fazer arroz.

Mas é mesmo. O meu arroz nunca fica bom.

A minha mãe vai a minha casa e pergunta: "Faz lá o teu arroz."

Qual é o segredo?

Não sei. Fui aprimorando, mas eu faço bem arroz.

Acho que a parte mais difícil do arroz é não colar ao tacho. Eu faço bem arroz. O tacho é que fica...

Não, a mim não cola, fica lá num ponto.

Queres mesmo competir com o arroz?

Não, não me interessa. E eu disse isso numa entrevista porque estavam a falar e eu efetivamente era muito mais básico do que sou. Só comia atum com arroz, atum com feijão frade.

E bem bom.

Sim, mas era ração todos os dias e eu agora já vario mais um bocadinho.

Isso era o que eu ia perguntar, o que é que mudou? Foi o facto de teres sido pai que te obrigou a dar um boost na cozinha ou foi simplesmente acontecendo?

Aquela coisa que tu ouves desde miúdo, que com a idade vais aprender a gostar. Eu acho que isso aconteceu. Eu já como muito mais legumes, que eu não gostava. Foi mesmo com a idade. Experimento muito mais coisas que não experimentava. Acho que tem a ver com isso.

Prato favorito? Favorito ou aquele que detestas?

Eu adoro uma boa churrascada, adoro um bom cozido à portuguesa.

Churrascada às meias.

Sim, gosto. Agora, detesto iscas.

Também não sou fã.

E a minha mãe, quando eu era pequeno, obrigava-nos a comer tudo, não podíamos deixar nada. Havia uma regra lá em casa que só nos levantávamos da mesa quando acabássemos de comer.

Bem sei essa.

Houve uma vez que adormeci à mesa.

Eu não acredito.

Adormeci, porque a minha mãe não me deixava não comer as iscas e eu adormeci. A minha mãe disse: "Pronto, ele já vai acordar, está a fazer fita." E não, eu estava mesmo a dormir.

Mas ficaste lá a noite toda?

Fiquei lá até às 04:00, imagina, mas adormeci. Estava naquela: "A minha mãe já não me vai deixar, o meu irmão comeu aquilo tudo." Mas era iscas e eu não conseguia. Desde esse dia então fica ainda pior. Só o cheiro.

Foi um trauma, não é?

O Tiago consegue ser pior que eu. Por norma ficava ali, os meus pais iam para a sala ver a televisão e eu ficava ali até às 11:00. E tu ficaste...

A minha mãe disse: "Olha, fica aí." Já pensou: "Já se vai levantar" e eu não. Fiquei assim.

Fizeste uma sesta ali na cozinha.

E desde esse dia nunca mais comi iscas.

Pronto, ficou traumatizado.

Pois, acredito.

Olha, Tiago. Desculpa, André.

Não, vai.

Íamos se calhar passar aqui a outro interesse teu. Tu dizes que és fã de desporto, assumidamente fã de desporto e fazes muito desporto.

Mas calma, não ponhas a cozinha ao nível do desporto. A cozinha está um nível abaixo.

O nível de interesse está muito cá embaixo, está muito aí em cima. Mas tu fazes muito desporto. Natação, ciclismo, corres.

Sim, gosto. Sempre fiz desporto a vida toda. Agora, neste momento, estou mais no triatlo. Eu acho que o meu desporto, se eu tivesse que escolher um desporto, era surf. Ia sempre fazer surf toda a vida, desde pequeno.

Desde pequenino que começaste a surfar.

Mas é isso, o desporto sempre fez parte de mim. Sempre fiz desporto. Os meus amigos conheci-os todos a fazer desporto, portanto eu acho mesmo que toda a gente devia fazer desporto, faz bem a tudo, faz bem à cabeça, faz bem ao corpo.

Sim.

E sou um acérrimo defensor de um estilo de vida saudável, que toda a gente devia praticar, independentemente do que for.

O triatlo é puxadinho, não é?

É um bocado. É puxado.

Eu por acaso nunca fiz, mas vendo de fora parece ser dos desportos mais completos e mais exigentes.

É muito completo, é muito exigente. Agora, neste momento, já estou há três ou quatro anos a fazer triatlo. É preciso muita disciplina, é muitos dias a fazer a mesma coisa, porque só assim é que se melhora. E fazendo o paralelo com a vida, acho que é o desporto mais interessante, porque é preciso mesmo motivação, disciplina, o acordar cedo, o sacrifício. Tu aplicando isso no teu dia a dia, toda a tua vida vai mudar, porque todas as rotinas vão ser diferentes.

Mas tens feito apenas por hobby ou tens participado em competições?

Não, participei em competições.

Como é que te sais?

Fizeste o Ironman, não foi?

Fiz o Ironman, já fiz vários half Ironmans, que é metade, já fiz várias maratonas, vou fazendo assim várias provas. E é engraçado, porque a competição, quando uma pessoa é amadora, é contigo mesmo. Mas às vezes também não pode ser muito, porque é impossível estar sempre a querer ser melhor, entras ali num parafuso e numa maluquice. Portanto, tem que haver aqui um equilíbrio. E esta coisa de ser pai ajuda-me a equilibrar as coisas, porque não posso estar muito tempo fora de casa.

Claro. Há algum desporto que ainda não tenhas experimentado e gostavas de o fazer?

Há muitos. Há muitos desportos que eu digo: "Isto vou guardar para quando for mais velho." Tipo golfe.

Tipo golfe, exato.

Golfe vou guardar para quando for mais velho.

Golfe acho que é universal.

Sim, há muitos que estou a guardar. Noutro dia um amigo meu disse: "Bora jogar golfe?" Eu: "Não, estou a guardar."

Espera lá que é só lá para os 50 e tal anos.

"Bora não gastar esse agora, vamos gastar esse quando tivermos mais idade." Quando tivermos idade para jogar golfe.

Portanto, o golfe está nessa lista.

Está nessa lista, que é uma estupidez. Eu tenho muitos amigos que jogam golfe e jogam bem. E eu acho que se jogasse agora, depois chegava mais velho e Estava melhor.

Então e um desporto no imediato, uma coisa que queiras experimentar nos próximos três anos.

Não, agora não tenho tempo para nada.

O triatlo já ocupa muito tempo.

Gostava de fazer variações na bicicleta, imagina uma prova de BTT, uma prova de gravel, que é bicicleta em terra batida, mas a minha mulher não pode ver bicicletas, nem em casa, nem fora de casa, está alérgica a bicicletas. Eu não tenho espaço para mais bicicletas e agora com mais uma filha, então esse plano está adiado.

Pronto, ficamos com o golfe para daqui uns aninhos. Olha, Tiago, vamos recuar um bocadinho no tempo. Vamos até à tua infância. Tu nasceste em Lisboa, não é? És daqui de Lisboa. Que memória de infância é que te marcou mais? Nós sabemos que tens uma família grande, muitos primos.

Sim, eu tenho milhares de memórias de infância.

É impossível escolher uma que te tenha marcado?

Não, sim, marcaram-me muitas, mas se me pedisses uma a ver com desporto ou uma a ver com família. Com família, eu tenho uma família efetivamente muito grande. O meu pai tem sete ou oito irmãos. São sete.

São sete irmãos.

O pai vai perdoar. Não, sim, não, eles é que vão perdoar. Não, mas nós somos 30 primos e agora os primos já têm filhos. E nós estamos juntos todos os domingos.

Os Natais deve ser .

Não, nós estamos todos os domingos juntos.

Todos os domingos?

Em casa da minha avó. Agora não, porque a minha avó já está a ficar mais velhinha.

Mas esses 30 primos e os filhos.

Sim.

Meu Deus!

A casa deve ser grande .

A casa era muito grande. Agora é uma casa mais pequena, mas mesmo assim fazemos questão de estar muitas vezes juntos. E todas as terças-feiras, almoço em casa da minha avó.

Para além do domingo.

Sim, quem quiser ir vai, quem não quiser não vai. Só precisas de te pôr no grupo. Agora com o WhatsApp é muito mais fácil, tipo: "Almoço em casa da avó. Vais ou não vais?"

Votação legal, sim ou não.

Sim, sim ou não.

Que giro.

Só para se saber mais ou menos, mas é uma família grande, mas estamos muitas vezes juntos. Não é aquela coisa de tenho primos, quando eu digo: "Ah, são meus primos", mas não, estou muitas vezes com eles.

Tem mesmo uma ligação.

Sim, estou muitas vezes com eles.

Sabes o nome de todos?

Sei, óbvio.

Sei lá.

30 primos?

Não, óbvio, claro que sei. Sei, isso é perfeitamente de ordem cronológica e tudo.

A ordem. Sim.

Eu estou a falar porque eu tenho dois primos.

Nós somos 27, eu também sou da equipa do Tiago .

Sabes todos?

Sei todos, claro.

É óbvio que eu sei.

Não, os nomes sim, agora a ordem cronológica não, porque ainda por cima eu sou mais nova.

Mas imagina a memória, os Natais é incrível. Sei lá, tudo, carnavais.

Férias em família.

Férias em família.

Portanto foi uma infância bastante alegre, cheia de vida.

Sim, uma infância, uma adolescência e uma vida adulta ainda cheia de memórias. Mas sim, acho que essa é a principal.

Olhando para a tua família, ainda um bocadinho mais próxima, tens uma irmã, a Mónica, que também é artista, é cantora?

Sim, tenho um irmão antes e uma irmã.

Ok, mas cantora só é a Mónica, não é?

Sim.

Pronto, dos três, são dois artistas .

Exatamente, dois artistas.

O outro também é um artista, à maneira dele . É um grande artista.

Mas é caso para dizer que a arte está no sangue da vossa família, ou seja, tiveram alguma influência também nesse sentido de irem sendo expostos à cultura, à arte?

Não sei. Sabes que o meu pai tirou antropologia, depois museologia.

Uau, adoro.

E nós sempre gozamos com o meu pai. Mas nós tínhamos uma cultura de todos os fins de semana, tipo ao fim de semana sim, fim de semana não, íamos visitar um museu diferente. Eu conheço quase todos os museus de Portugal. O meu pai adorava e nós ao princípio achávamos aquilo uma seca. Eu hoje em dia olho para trás e digo: "Incrível".

Ainda bem que te deram isso.

Sim. E nós sempre fizemos muitos programas. Imagina, o meu pai hoje em dia vai ao ginásio, mas não é uma pessoa que goste muito de desporto, mas o meu pai levava-me todos os fins de semana a fazer surf às 06:00 da manhã, ia andar de skate todos os finais de tarde, eu e os meus amigos, o meu pai é que nos levava. Portanto, o meu pai sempre foi, e é isso que eu agora gostava de incutir nas minhas filhas, de ser muito presente, mesmo que seja coisas que eu não me identifique tanto, que eu acredito que o meu pai não se identifique tanto. Óbvio que adora ver-me a fazer desporto, mas sei lá, o meu pai nunca fez surf, nunca andou de skate. Mas isto para dizer que nunca me obrigaram a ter alguma coisa a ver com arte, mas a minha mãe é muito liberal e tudo o que nós queremos fazer, a minha mãe diz: "Acho ótimo, desde que estejas bem, desde que sejas feliz". Portanto, nunca nos retraímos. Ao contrário, o meu pai sempre teve a parte da cultura, mas sempre disse: "Tens que ter um curso, acaba primeiro a licenciatura e depois..." Mas eu acho que foi aqui uma mistura de podermos experimentar várias coisas e sermos livres para decidir e para tomar as nossas próprias decisões, que nos levou a ir por esses caminhos. A minha irmã sempre quis experimentar coisas. A minha irmã tirou curso de realização. Ela agora trabalha como segunda assistente, paralelamente música. Ela nunca se leva nada a sério. E acho que é também como eu me levo um bocadinho na vida, que é: vamos experimentar, se correr bem, se nós gostarmos, ótimo. Se tu falas com ela e dizes: " És cantora?", ela diz: "Calma, não. Agora estou a fazer uma..." Percebes?

São mais do que isso.

Está na fase de cantora.

Está na fase. Agora sim, gosto, mas eu acho que ela própria não diz: "Sim, vou ser cantora para o resto da vida."

Sim, aquele rótulo de teres um emprego fixo para o resto da vida.

Óbvio que quero ser ator o resto da vida. Pode-me pôr esse rótulo à vontade, eu quero fazer, descobrir o que eu quero fazer para o resto da vida, a minha vocação. Mas ela está a experimentar e está a ir no caminho dela.

Não, isso é ótimo. Olha, Tiago, ao longo da tua vida, tu também foste encontrando pessoas muito marcantes. Por coincidência, o Nicolau Breyner entrou na tua vida, na tua família.

Lá está.

O que é que significou para ti? Deu-te aqui um impulso para ser ator?

Não, acho que muito mais outra referência em minha vida.

Mais uma, sim.

Mais uma de como levar a vida, de como levar a profissão, neste caso. Eu por acaso já tinha feito um curso, daquele curso que eu entrei no verão, porque lá está, estava sem nada para fazer e a minha mãe disse: "Ocupa-te, procura qualquer coisa" e eu: "Vamos experimentar". Um curso de técnicas de ator aqui na ACT. Gostei. E pronto, o Nico ainda não estava na minha vida. Mas veio aqui reforçar a maneira como eu olho para a profissão. Veio a tornar-se uma referência, não só na minha área, mas a viver a vida.

Claro que sim.

Foram 12 anos que ele teve com a minha mãe, portanto muito do que eu sou, é educação dele também. Porque eu estava na minha adolescência, uma fase importante, estava a minha mãe, o meu pai, mas estavam separados, ou seja, sempre que eu estava com a minha mãe, estava com ele.

Claro.

Portanto, acho que muito da pessoa que eu sou hoje tem coisas dele, de certeza.

E ele era aquela pessoa também brincalhona que passava para os outros.

Óbvio. E eu também sou bastante brincalhão, portanto, por causa disso também.

Foi uma das coisas que foste ficar.

Não, sempre nos demos bem. Temos o mesmo tipo de piadas, trabalhamos juntos, portanto acho que fluía bem na Gera.

Vamos ao teu percurso enquanto ator e há pouco estavas a dizer também da formação que tiraste. Tiraste uma formação do curso profissional de atores em 2007, 2008. Não terminaste esse curso, por quê?

Não, porque comecei a trabalhar.

Por um bom motivo.

Foi ótimo, foi um ótimo motivo, porque fiz o curso pequenino de actor, vi que gostei e disse à minha mãe: "Quero fazer o curso de três anos". E paralelamente, estava-me a tentar inscrever em agências, dizia ao meu irmão para me tirar fotografias. Na altura não havia tantas agências, não havia agentes, não havia nada e ninguém me aceitava porque eu tenho 1,73m.

Que não é um problema, não devia ser um problema.

Exato.

Não, mas porque sou pequenino e nas agências, na altura, era só modelos e diziam: "Não, não estamos interessados". E depois procuravam-me sempre o book e eu: "Não, isto é esquema". Tinha o meu irmão Vasco que fica aí a tirar umas fotografias na nossa varanda. Ele tirava as melhores fotografias.

Foi grande, faltou o chute.

Esquece. E depois estava nesse curso e fiquei nas "Chiquititas" na altura.

Fez bem.

Eu via as "Chiquititas".

Também eu.

E ainda por cima eu estava nos três finais para ser um dos miúdos. "E não ficaste?" E eu: "Ei, estava quase, não acredito", mas fiz lá uma participação e depois fiquei na "Lua Vermelha".

Sim, também me lembro bem.

Que fiz uma novela mais longa, mais a sério, e juntei dinheiro e a Inês Aires Pereira, na altura, estava comigo e nós vivíamos com os nossos pais e combinamos quando acabássemos aquilo com o dinheiro que juntamos, íamos para LA fazer uma formação e fomos.

É isso, já vamos falar daqui para frente, porque tu estiveste no Brasil, depois em LA também.

Sim, estive primeiro em LA.

E depois é que foi para o Brasil.

Depois fui ao Brasil também no mesmo esquema, de continuar a trabalhar, juntar dinheiro, porque tinha a sorte de viver com os meus pais, então conseguia juntar dinheiro. E investia o dinheiro todo em cursos que gostava, como não conseguia fazer o curso de três anos, porque depois eu continuei a fazer participações, e estava sempre a interromper. E tinha o meu pai do outro lado a dizer que tenho que estudar, inscrevi-me no curso de gestão de marketing.

Era isso mesmo que eu ia perguntar, porque nem sempre foi a primeira opção. Quer dizer, foi, mas tiveste que tirar outro curso.

Sempre foi a primeira opção, mas depois inscrevi-me no curso de gestão de marketing, porque o meu pai disse: "Calma". Porque depois da "Lua Vermelha", nós estivemos ali um período, eu tive tipo seis anos só a fazer assim umas participaçõezinhas, não ficava. Não ficava em nada assim de relevante, não ficava em projetos longos. E o meu pai disse: "Olha, temos que seguir."

Ter um plano B.

Óbvio, e eu: "Ok, adoro publicidade." Adorava, se eu não fosse ator, acho que gostava de ser copy ou assim.

És uma pessoa criativa.

Eu gostava, sim, de estar numa posição assim criativa ou trabalhar em qualquer coisa criativa numa agência. Mas pronto, tirei com esse objetivo e graças a Deus nunca foi preciso utilizar.

Ficou só com o canudo na gaveta.

E agora que estavas a falar das aventuras no estrangeiro, como é que correu também essa experiência? Portanto, Estados Unidos, Brasil também, Los Angeles, Rio de Janeiro.

Os Estados Unidos foram dois miúdos com 18 anos, eu e a Inês.

Imagina.

Esquece, estávamos noutra. Ainda hoje falamos sobre isso a dizer: "Estávamos noutra". Sei lá, chegamos lá, alugamos um carro, ficamos num hostel na rua da escola, ficamos um ou dois meses num hostel a viver, porque não conseguimos alugar casa, porque ninguém nos dava crédito. Não é crédito monetário, ninguém nos alugava casa a dois miúdos, porque lá só podes alugar casa a partir de 21 anos, por mais não sei quantos meses, há um mínimo, não sei o quê, tens que pôr dinheiro antecipadamente, esquece. Estava um filme, então nós ficamos sempre no mesmo hostel. Tínhamos bed bugs na cama, a Inês nas cabecidas de cama, assim horrível. Fui eu para a cama dos bed bugs, a Inês acordava-me a meio da noite assim: "Thiago, estou a ser mordida" e eu: "Troca". E eu a ser mordido: "Esquece". Mas foi uma grande experiência.

Pronto, tirando os bed bugs, foi ótimo.

E estamos cá e correu bem.

E no Brasil também tiveste essas situações?

No Brasil foi mais calmo. Não, interessante, no Brasil depois tive que abandonar mais cedo porque fiquei no "Mar Salgado". Fiz o casting de lá. Porque foi numa altura que eu já estava farto de ouvinãos e disse: "Vou investir outra vez a estudar". Inscrevi-me no curso, paguei tudo e o meu agente ligou-me a dizer: "Tens que vir para cá fazer um casting". E eu: "Esquece. Estou aí a fazer castings há não sei quanto tempo, não fiquei nada. Não, vou ficar aqui, investi todo o meu dinheiro, vou aproveitar. Se quiserem eu faço o casting daqui". E fiz. Disseram-me que não fiquei. E eu: "Ainda bem que não fui". E depois disseram: "Olha, afinal ficaste, podes voltar, bora, arranca".

Mais uma vez, foi uma história que correu bem. Vamos fazer aqui uma pequena pausa, não é, André? Vamos atualizar as notícias aqui na Rádio Observador. Já voltamos à conversa com o Thiago Tusiani Pereira em 40 minutos. Até já.

Até já.

Segunda parte de Em 40 Minutos com Tiago Teotónio Pereira. Bem-vindo mais uma vez. Tiago, estreaste em 2008, se não me engano. Falaste que foi no Chiquititas. Acho eu que está certo. Nesse mesmo ano também entraste nos Morangos. Isso não foi um ano de estreia nada mau .

Não, foi bom. Apesar de ser tudo coisinhas pequenas. Morangos foi férias de verão. A minha grande oportunidade foi Lua Vermelha.

Como é que descreves esse ambiente de gravações, tanto em Chiquititas, tanto Lua Vermelha?

Era todo um mundo novo.

Estavas fascinado?

Claro, ainda hoje, quando entro no estúdio, aquele cheirinho de estúdio, que o estúdio tem um cheiro especial. Tem. Tipo a pladur .

Pois, porque é tudo contrafeito.

Mas é, é tudo contrafeito.

Aquele cheirinho a pladur tão bom.

Aquele cheirinho a estúdio, tu sentes mesmo. Eu agora, por exemplo, já não trabalho há algum tempo, acabei uma novela o ano passado, só fiz série e filme, que nunca é em estúdio. Portanto, estou com saudades do cheirinho a pladur. Agora vou trabalhar.

Tens de ir a um estúdio qualquer e estar tipo: "Olha, desculpem, posso só estar aqui um bocadinho?"

Só para sentir o cheiro.

E como é que foi também partilhar o écran com algumas figuras? Obviamente, era um elenco muito jovem, não é? Morangos com Açúcar, Chiquititas, Lua Vermelha.

Mas eu tinha muitos atores. Já havia malta. Era um sentimento completamente diferente. Aquele sentimento que estás sempre a aprender. O que ele está a fazer? Vamos fazer igual. Hoje em dia já estou mais calmo.

Será?

Já estou mais maduro.

Ainda há bem pouco tempo, a minha irmã estava a fazer zapping na televisão e estava a dar a Lua Vermelha.

Ainda está.

Acho eu, na SIC.

Sim, está na Amazon.

E na Amazon também?

Na Amazon. No outro dia disseram: "Estou a ver na Amazon." E eu: "Ih, na Amazon."

Como assim?

E agora quando vês aquilo, sentes orgulho? Orgulho deves sentir, claro.

Sim, não tenho nada a ver. Eu estava ridículo na altura. É aquela coisa: "Ih, ridículo!"

Era o papel de um nerd, não era?

Era o de nerd, mas não me faz confusão nenhuma. É a vida a passar.

E foi uma coisa que marcou também a geração. Está ótimo.

Houve um nerd em particular que eu gosto bastante, que interpretaste, e aqui na área das dobragens, porque fizeste dobragens nos filmes e nos videojogos. Mais recentemente, foste o Homem-Aranha português, o Peter Parker português, nos jogos. Qual é que, destes desafios da dobragem, este foi o mais aliciante, vamos dizer? Mais difícil?

É completamente diferente dobrar um jogo de PlayStation e um filme, porque o filme estás a ver e o jogo de PlayStation não estás a ver nada.

Não estás a ver nada, graças ao...

Não estás a ver nada. E imagina, um filme tem uma hora e pouco, gravas aquilo em dois dias. E o jogo foram mais de 80 horas enfiado num estúdio a ver gráficos. Estás a perceber? Só para gritar.

E gráficos ainda muito em bruto, não?

Sim, só gráficos. Tens que bater a voz, uns que é o lip sync. Mas graças a Deus o Homem-Aranha tem máscara e muitas vezes eu não me importo de estar.

Imagina que sim.

Mas imagina aquela parte em que tu jogas.

Eu jogo.

É bom que tirar da parte da conversa.

Em que tu morres. Imagina, olha o táxi amarelo, tu morres. A seguir já diz: "Cuidado com o táxi amarelo", tu morres. Táxi amarelo, tu morres. E eu: "Táxi amarelo à esquerda", tu morres. E eu tenho que gravar isso tudo. Estou 10 minutos a gritar para o táxi amarelo.

Mas isto por acaso é muito estranho, porque eu ouvi a voz do Tiago nos últimos anos bastante tempo. Estará no top de vozes que eu mais ouvi.

Porque foram muitas horas.

Foram muitas horas.

Nem muito de mim.

Tu gostas do Homem-Aranha?

Eu gosto, mas já não posso.

Eu ia dizer coitado, se calhar também já não aguenta aquilo.

Mas imagina, eu acabei o primeiro traumatizado, porque eu nunca tinha feito um jogo PlayStation e acabei mesmo traumatizado, a dizer: "Esquece". Estive 80 horas enfiado no estúdio mínimo a olhar para gráficos. Ainda por cima estava a fazer novela ao mesmo tempo e havia dias que tinha que gravar oito horas. Gravava quatro da manhã, quatro da tarde.

Um dia de trabalho inteiro.

Um dia de trabalho inteiro, mas headphones na cabeça a gritar, ou quando é a parte dos maus, que ele está sempre a sofrer, ou as teias. Sabes? A mandar as teias para os prédios.

Desculpa, até me ri, mas é que imagino o Tiago Teotónio nos estúdios.

Não, e quando ele cai de uma ponte e eu: "Este chavinho então não morre."

Mas ficaste feliz quando fizeram o convite?

Não, óbvio. E calma, isto para dizer. E depois passou muito tempo para o segundo. Houve o "Spider-Man: Miles Morales", entretanto, que gravei pouco. E agora para o segundo já foi menos traumatizante.

Menos mal.

Estava com mais tempo.

Como é que foi receber o convite para ser o Homem-Aranha?

Fiz casting.

Fizeste casting?

Fiz casting.

Uau!

Como é que será o casting? É militar?

Não, casting é: eu agora no segundo disse: "Eu não consigo mesmo." Estava a gravar milhares de coisas ao mesmo tempo. Eles disseram: "Não, tu já és o primeiro, há aqui uma voz, os Estados Unidos aprovaram, tens que ser tu, tu és o Spider-Man português."

Tu és o Homem-Aranha.

Tu és o Spider-Man português. E pronto, tive que conseguir gravar e deu para gravar porque foi menos horas do que nós estávamos à espera. Mas é uma curiosidade engraçada.

Meu Deus, muito intenso. Olha, Tiago, em 2015, tiveste um marco importante na tua carreira, foi com o papel na novela Mar Salgado. Recebeste um Globo de Ouro na categoria de Revelação do Ano. Tu lembras-te do momento em que soubeste que estavas nomeado?

Claro, estava a gravar.

Estavas a gravar?

Estava, nem estava nada à espera. Estava a gravar no mercado de Setúbal.

Sério?

Nós gravávamos em Setúbal. Eu estava lá e ligaram-me a dizer: "Estás nomeado." E eu: "O quê?"

E tu: "É mentira."

E eu: "Para quê?" "Para os Globos de Ouro." E eu: "Achas?"

Estás a brincar.

Para quê?

Fiquei todo excitado, liguei à minha mãe.

Tão bom. Isso é incrível. E depois tu chegou o grande dia e...

Não, mas depois soube os outros nomeados. Percebes? Na altura era o Vasco Ribeiro do Surf, era os Dama.

Sim.

E, se não me engano, o Bernardo Silva, mas na altura ainda não era o Bernardo Silva.

Acreditaste que ias ganhar ou ficaste no género?

Achei mesmo que iam ganhar os Dama. Estavas no género ok, fui nomeado, não vou. Fixe, ótimo, mas isto é o voto do público. Os Dama são quatro.

Certo.

Estão em vantagem numérica.

E como é que foi depois no dia, ou seja, quando chegou o dia, quando foste receber o prémio, como é que foi viver também?

O dia foi incrível, porque estava lá com o elenco todo da minha novela e cada vez que gritavam o meu nome, aquilo anunciava os nomeados várias vezes ao longo da noite. Cada vez que gritavam o meu nome, o Coliseu ia abaixo, que eu tinha os meus amigos, que também não são poucos, atrás e tinha o elenco todo comigo. E eu acho que foi isso que me fez ganhar, foi a malta em casa, viu? Toda a gente adora este gajo.

Exato, vou votar imenso.

Este gajo é mesmo popular. Vou votar.

Tem muitos amigos. Efetivamente apareceu o teu nome no ecrã.

Eu não estava à espera, nem tinha discurso.

Não tinhas discurso?

Não, não tinha preparado. Acho que ler era péssimo. Ir para lá ler.

Não é natural.

Dei uma voltinha ridícula no fim, nem estava nada preparado para aquilo.

Estiveste ótimo.

Foi ótimo, foi incrível. Muito mais porque, não pelo prémio em si, mas por partilhar aquele momento com a malta toda com que tinha gravado um ano inteiro numa novela que para mim até hoje acho que foi das novelas que mais gozo me deu e aos meus colegas também, porque foi giro. Foi uma novela em Setúbal, a história era engraçada, o elenco todo era bom, dávamo-nos todos bem, efetivamente, e acho que foi giro celebrar. Foi mais um momento de celebração com os meus colegas todos do que ganhar um prémio, eu sou mais isso. Não, isso acho que é um bocado indiferente.

E tens o prémio lá guardado assim numa estante, numa vitrine?

Está numa estante, ao lado das minhas medalhas dos Ironmans.

Isso sim!

Olha Tiago, mas a vida não é só feita de trabalho. Há pouco falámos do facto de teres cruzado, e ires cruzando, aliás, com pessoas importantes na tua vida. Em 2020 conheceste uma pessoa bastante importante, não é? Uma Rita. Em 2020 conhecemos imensas pessoas.

Em 2020.

Não, mas acho que foi em 2020.

Já a conhecia há uma data de anos.

Em 2020 é que se enrolou.

Em 2020 é que olhei de maneira diferente.

A magia aconteceu.

A magia aconteceu. Não, mas sim, em 2020 comecei a relação com a minha mulher.

Em plena pandemia.

Sim, foi um bocadinho antes da pandemia.

Pronto, ainda tiveram sorte.

Ainda tivemos sorte. Depois a pandemia foi muito intensa e olha, casei, agora tenho duas filhas.

De repente.

O Covid acelerou o processo.

O Covid lixou-me.

Mas por falar na tua filha, a pequena Camila, não é? A tua primeira filha. Estavas nervoso por ser pai? Querias muito ser pai? Como é que foi toda essa sensação?

Eu queria muito ser pai. Claro que estava nervoso, mas acho que estou mais ansioso agora, porque já sei o que me vai calhar, mas é a melhor coisa do mundo.

E o que é que ela te veio ensinar?

Tudo. Acho que aqueles clichês, agora vamos aos clichês.

Vamos para a lista dos clichês.

Ela ensinou-me a amar. Ela ensina-me todos os dias, é óbvio. A maneira de levar. A coisa de eu ser a referência principal na vida de uma pessoa assusta-me um bocado, percebes?

Pois é, é uma responsabilidade muito grande.

Eu acho que não tenho maturidade suficiente para viver a minha vida, quanto mais para ser referência na vida de uma pessoa. Só quero que ela não cresça para não se desiludir.

Mas agora vão ser duas para parar.

Mas maturidade também é uma coisa boa, não é?

Sim, mas acho que o meu objetivo é tentar ser um bocadinho do que o meu pai foi para mim, presente, porque eu sempre tive muito apoio familiar. O meu pai sempre foi muito presente, ainda hoje é muito presente. Portanto, eu queria que ela sentisse o mesmo comigo, que eu sempre fui muito presente, quero que ela seja feliz, um clichê, mas é verdade.

Estava aqui a pensar que tu ainda há bocado estavas a dizer que, por exemplo, o teu pai nunca foi muito ligado ao desporto, mas ia-te pôr no surf. Depois vais ser tu, se calhar, imagina, vamos supor que ela quer ir para o ballet, vais tu pô-la no ballet, vais ver os espetáculos de ballet.

Óbvio, não, eu tenho todo o gosto em pô-la no ballet, adoro.

É muito bom.

Estou ansioso para essa parte.

Que idade?

Está com dois anos e meio. Estou ansioso para essa parte da vida de deixá-la em sítios.

Mas se calhar também vai para o surf.

Espero que sim.

Estás a ver? Tinha aqui um ótimo exemplo.

Mas eu não posso falar disso, que isso dá azar. Eu adorava. Eu amava.

Vamos aqui sendo uma velhinha.

Mas se for xadrez, é xadrez e aprende a jogar xadrez.

A Camila daqui a uns anos vai ouvir isto.

Lá está, mas se não for uma coisa que eu goste, aprendo a gostar, ou mesmo se eu não gostar, não tenho que gostar. Cabecota é ela e fico a ver e a bater palmas.

Entretanto, como dissemos, já estás quase a ser pai outra vez, vais ter a tua segunda filha.

É verdade.

Está aqui cheia de nervos. Está mesmo quase, tanto que até o Tiago deixou o telemóvel com as notificações.

É verdade, deixo o telemóvel sempre em modo voo.

Não vá acontecer.

Esta entrevista ficaria na história se acontecesse, mas esperemos que não.

O Tiago dizer: "Olhe, desculpem, mas eu tenho mesmo de ir embora".

É que não me dava nada jeito esta semana. Sabes a semana que não me dá nada jeito? É esta.

Tu dizes que estás mais nervoso agora porque já sabes o que é que vem aí.

Não, estou mais ansioso.

Mais ansioso, porque já sabes o que é que vem daí.

Já sei. Aquele clichê que dizem: "Aproveita e dorme tudo agora." Como se eu fosse dormir uma semana para chegar o dia do parto limpo.

Vais hibernar durante uma semaninha.

Agora já sei mesmo que eu devia ter dormido mais, mas não dá, é impossível. Portanto, agora estou ansioso.

Meu Deus, muitos nervos.

E pelo meio, entre uma filha e outra, há também um momento importante que é o casamento. Como é que foi essa altura, esse momento também? Achas que cumpriu aquela coisa do: "É o dia mais feliz da minha vida"?

Não, nem tem que ser o dia mais feliz da tua vida. O casamento é uma celebração, tu estás com a família e com amigos. O dia mais feliz da minha vida foi o dia do nascimento da minha filha, imagina. Mas foi um dia espetacular, porque é o único dia em que tu consegues juntar toda a malta que gosta de ti e gosta da Rita e que está ali com um propósito, que é celebrar o teu amor. Os 30 primos já sabemos que se reuniam todos. Óbvio, isso. Gastei todos os meus convites, depois tive que pedir extra. Isso é um tema sensível. A Rita teve menos pessoas, que eu disse: "Família não conta." E eu estava aí nas 50 pessoas de família.

Imagina, tanto tu como a Rita têm uma família.

Sim. A minha é um bocadinho maior.

Consegue ser maior que a da Rita?

Claro, consegue ser maior. Mas foi simples. Simples. Foi uma macacada. E é grande, porque somos grandes. Não casei pela igreja, hoje em dia acho que há muita gente que leva o casamento, não é errada, porque cada um leva como quer, mas aquela coisa de "Tenho que casar pela igreja". Há milhares de pessoas que eu conheço, de amigos meus, que fazem questão de casar pela igreja e nem sequer têm relação. E se tu perguntas, dizem: "É porque sim." E isso não me faz sentido. Portanto, fizemos uma cerimônia simples. Foi um amigo meu A celebrar.

Sério?

Sim.

Mas é ótimo!

Óbvio, casámos antes no civil, foi um amigo meu a fazer a celebração. Tivemos discursos. Eu acho muito mais autêntico. Mas lá está.

Cada um celebra o amor como quer celebrar.

Foi um dia muito especial e um dos dias mais felizes da minha vida. Não vamos fazer aqui um rancho.

Nem temos de o fazer. Olha, Tiago, quase que ia chegar ao fim. Gostava de perguntar uma coisa: qual é aquele filme ou série que tu vês em loop, que não te importas de ver não sei quantas vezes? Ou eu vou-te perguntar e o Tiago é daquelas pessoas que não gosta de ver as coisas.

Não, aqueles filmes que tu vês em loop, mas calma, não é por ser o melhor. Se estiver a dar o "Gladiador", é impossível alguém não ficar a ver o "Gladiador". Percebes?

Olha, eu se calhar não.

Não, se estiver a dar o "Gladiador" eu fico a ver. Sempre que está a dar o "Gladiador" eu digo: "Ia programar." A Rita, esquece. Não posso fazer mais nada à tarde, está a dar o "Gladiador".

Cancela tudo.

Adoro "O Resgate do Soldado Ryan". Adoro um filme ridículo que é "Onde é que Para a Polícia?"

É grande filme. Estás a mentir.

Eu adoro. O Frank Drebin, esse se estiver a dar. Já tentei pôr a Rita a ver esse filme, e ela acha que eu sou ridículo, não dá. Mas sempre que eu tento pôr, imagina, ela vai à casa de banho, eu fico a ver também.

Foi o meu pai que me passou "Onde é que Para a Polícia?"

Eu e o meu irmão adoramos esse filme. Eu adoro.

Que bom.

Adoro "Onde é que Para a Polícia?" acho que tenho que pôr ali num ranking bem elevado.

Adoro. Acho que todos os filmes que existam, não estava à espera.

E costumas ver os teus, neste caso, filmes, séries, novelas?

Não.

Evitas?

Não evito. Vocês estavam a dizer, eu faço muito desporto e eu passo grande parte da minha vida ou a trabalhar ou a treinar. Porque gosto mesmo de estar na rua, adoro estar a correr. Imagina, se eu tenho um dia livre, é um dia perfeito para meter cinco horas de bicicleta, vou depois dar uma corridinha e estou feliz da vida, o resto do dia passo a babar-me a ver o "Gladiador". Imagina. E estar ali depois a ver-me a mim próprio. Não, já li, já disse. Ler os episódios todos, depois ainda ir ver, é muito cansativo.

Uma overdose.

É uma overdose de Tiago.

Para fechar, o que é que ainda não fizeste e que gostavas de fazer em breve? Já falámos há pouco do desporto.

O golfe é só lá para não sei quando.

Exato, mas agora mais ligado, se calhar, à tua área profissional. O que é que gostavas de fazer no futuro?

Ainda não fiz uma série internacional.

Olha, quiçá.

Sim, mas agora é mixed feelings, porque tenho duas filhas e tinha que as levar comigo. Agora ainda não tenho duas filhas, vou ter, mas tinha que levar a minha família comigo, que eu sou uma pessoa muito familiar, gosto mesmo da minha casa. Não me imagino a viajar por muito tempo sem a minha família, sinceramente, mas adorava fazer um projeto internacional. Desportivamente tenho vários objetivos que quero fazer. Estou sempre a inventar. Agora tenho tudo em standby nos primeiros seis meses, mas depois estou imparável. Quando ela fizer seis meses, a Rita que me agarre, que eu vou sair de casa.

A Rita leva o Tiago.

Vou sair de casa, bicicleta, prancha, lá vou eu.

E com o skate nos pés.

Ela tem seis meses agora. Ela que aproveite.

Meu Deus, olha Tiago, foi um gosto.

Passou muito depressa.

40 minutos passaram a correr. Foi um gosto teres estado aqui connosco. Muito obrigada. 40 minutos com Tiago Ditono Pereira. Fica em podcast, também no nosso site. Nós voltamos para a semana. Mais uma vez, Tiago, obrigada e boa sorte.

Obrigado.

Na segunda baby.

Até para a semana.