Alzheimer

Alzheimer. Uma viagem virtual ao cérebro para conhecer a doença

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Aceite o convite e entre nesta viagem ao cérebro (em inglês) para conhecer como é que a doença de Alzheimer ataca os neurónios. Um vídeo que pode ver em 360 graus.

Os neurónios são muito ramificados para estabelecerem muitas ligações

AP Digital Products

Enquanto vê o filme (em inglês) aproveite o rato para viajar para cima, para baixo e para os lados, tendo uma visão equivalente a 360 graus. No texto em baixo encontrará uma explicação do conteúdo do vídeo.

A todo o momento os nossos neurónios comunicam uns com os outros, enviando comandos para todas as funções do nosso corpo, desde o respirar ao subir umas escadas. Mas os neurónios também são responsáveis pelos nossos pensamentos, memórias e emoções. Esta rede de neurónios ramificados que comunicam uns com os outros fica comprometida quando se desenvolve a doença de Alzheimer.

Os cientistas ainda não conseguiram perceber o que causa a doença, o que torna mais difícil – senão impossível – a sua prevenção, embora as atividades que desafiem o cérebro, assim como aprendizagem de línguas e música funcionam como um “protetor” da atividade cerebral. O que os cientistas conhecem cada vez melhor é a forma o Alzheimer afeta os neurónios, boicotando as comunicações e podendo mesmo levar à sua morte. E tudo começa com um processo natural que, sem se saber porquê, começa a falhar.

A proteína precursora de amiloide (a amarelo) é produzida por muitas células, mas encontra-se também nas sinapses dos neurónios – onde os neurónios estabelecem as ligações de comunicação uns com os outros. Uma enzima (a azul), é responsável por cortar essa proteína, mas quando não o faz convenientemente, deixa pequenos fragmentos da proteína chamados de beta-amiloides (a laranja).

Estes péptidos (conjuntos de aminoácidos) beta-amiloides têm tendência para se agregarem e acumularem nos locais onde os neurónios estabelecem as comunicações – nas sinapses. Estas placas de beta-amiloides vão-se acumulando naturalmente com a idade, mas na doença de Alzheimer formam-se em muito maior quantidade. Imagine o que é ter a coluna ou o microfone do telemóvel cheios de pequenos grãos de areia.

Mas este não é o único problema. Os neurónios têm um sistema de microtúbulos (a azul claro) que transportam nutrientes e outras substâncias – mais ou menos como o cabo lhe leva todos os canais de televisão que vê. A proteína tau (a amarelo) ajuda a que estes microtúbulos se mantenham juntos e bem organizados num feixe, mas na doença de Alzheimer esta proteína encontra-se modificada. Sem estas pequenas “braçadeiras” para manter os “fios” juntos, o sistema colapsa, e o televisor deixa de transmitir qualquer sinal – que em linguagem de neurónio quer dizer: morre.

Estas alterações que afetam os neurónios podem acumular os seus efeitos durante vários anos até que comecem finalmente a manifestar-se os sintomas. As primeiras áreas a serem afetadas são as da formação das memórias, como o hipocampo, mas à medida que a doença progride os neurónios vão morrendo em várias zonas do cérebro e o órgão vai diminuindo de tamanho.

Os primeiros sintomas são perdas de memória ligeiras, mas a doença avança para a dificuldade em formar pensamentos e em expressá-los verbalmente. À medida que o cérebro, que comanda todas as funções do nosso corpo, vai morrendo, as pessoas mostram uma dificuldade crescente em andar, falar ou engolir. Os doentes de Alzheimer acabam por se tornar totalmente dependentes de terceiros. Os tratamentos servem apenas para aliviar alguns dos sintomas da doença e ainda nenhum serve de cura.

Detetar Alzheimer antes da perda de memória

Apesar de a perda de memória ser um dos primeiros sinais identificáveis da doença de Alzheimer e de outros problemas neurológicos, um cientista propôs agora que podem existir outros sinais que surgem mesmo antes disso, como as mudanças de comportamento ou de personalidade.

Se até agora a perda de interesse pela atividades preferidas, os estados de ansiedade, agressividade e suspeita, ou até os comentários menos próprios em público, eram considerados um “mal da idade”, agora Zahinoor Ismail, da Universidade de Calgary, considera que podem ser um sinal para algo mais, como apresentou na Conferência Internacional da Associação Alzheimer, em Toronto, noticia a AP.

O investigador propôs uma lista de sinais que se for validada poderá ajudar os médicos a detetar mais precocemente a doença – até porque a perda de memória não afeta todas as pessoas da mesma maneira. A lista inclui apatia, ansiedade sobre eventos outrora rotineiros, dificuldade em controlar reações por impulso, perda de apetite ou outras reações completamente novas. Estes sinais têm de se manter por mais de seis meses e não ser atribuíveis a nenhuma outra condição específica.

Um conselho deixado pela mulher de um doente com Alzheimer: “Se virem alguma mudança, não ajam de ânimo leve a pensar que é stress”. O melhor é procurar a ajuda de um profissional de saúde.

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