Prémio Sakharov

Prémio Sakharov para duas mulheres yazidi que fugiram ao Estado Islâmico

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Duas mulheres yazidi que fugiram ao Daesh depois de terem sido forçadas a ser escravas sexuais dos extremistas foram distinguidas com o prémio Sakharov, prémio europeu para os direitos humanos.

Parlamento Europeu

Duas mulheres yazidi que fugiram ao Estado Islâmico depois de terem sido forçadas a ser escravas sexuais dos extremistas foram distinguidas com o prémio Sakharov, o principal prémio europeu para os direitos humanos. O prémio Sakharov é atribuído todos os anos, desde 1988, pelo Parlamento Europeu, e é entregue “a indivíduos que deram um contributo excecional para a luta pelos direitos humanos em todo o mundo, chamando a atenção para as violações dos direitos humanos”, explica a instituição.

O prémio foi entregue este ano a Nadia Murad e a Lamiya Aji Bashar, duas mulheres sobreviventes da escravatura sexual do Estado Islâmico. Depois de conseguirem escapar aos extremistas, as mulheres tornaram-se embaixadoras da luta pelos direitos das mulheres afetadas pelo Estado Islâmico.

Nadia e Lamiya viviam na região de Sinjar, no Curdistão iraquiano, quando, em 2014, o Estado Islâmico invadiu a aldeia em que moravam e matou todos os homens. As mulheres (de todas as idades) foram escravizadas e vendidas várias vezes, e acabaram por ser usadas como escravas sexuais. Nadia perdeu os seus seis irmãos e a sua mãe, morta por não ter valor sexual. Bashar perdeu também o seu pai e os seus irmãos, e foi vendida cinco vezes, para ser forçada a construir bombas e coletes de explosivos para os militantes do Estado Islâmico.

Nadia Murad conseguiu escapar em 2014 das mãos do Estado Islâmico, com a ajuda de uma família vizinha. A jovem conseguiu dirigir-se para um campo de refugiados no norte do Iraque, seguindo depois para a Alemanha. Em dezembro de 2015, Nadia fez um discurso no Conselho de Segurança da ONU, na primeira reunião sobre tráfico humano. Na sua intervenção, contou a experiência da sua vida e pediu às Nações Unidas que acabassem com o Estado Islâmico.

Lamiya Aji Bashar conseguiu escapar em abril, para a região controlada pelo governo iraquiano. Durante o caminho da fuga, que passava por um campo minado, uma mina explodiu matando duas das raparigas que seguiam com ela e deixando-a praticamente cega, e com a cara desfigurada. Acabou por receber tratamento médico na Alemanha, juntamente com as suas irmãs, e desde então tem sido uma ativista pelos direitos da comunidade yazidi, uma minoria étnica e religiosa que vive no Curdistão, e que tem sido um dos principais alvos do Estado Islâmico.

Os outros dois finalistas na edição deste ano do Prémio Sakharov eram o jornalista turco Can Dundarn, detido depois de o jornal que dirige ter noticiado o alegado contrabando de armas dos serviços de informações do país para rebeldes na Síria, e Mustafa Dzhemilev, líder tártaro na Crimeia (território ucraniano anexado pela Rússia), que defende os direitos humanos e das minorias há mais de 50 anos.

O Prémio Sakharov da liberdade de pensamento, no valor de 50 mil euros, foi entregue em 2015, ao ‘blogger’ saudita Raif Badawi que cumpre uma pena de dez anos de prisão por “insultos ao Islão”. Nelson Mandela e o dissidente soviético Anatoly Marchenko (a título póstumo) foram os primeiros galardoados, em 1988. Em 1999, o galardão foi entregue a Xanana Gusmão (Timor-Leste) e, em 2001, ao bispo Zacarias Kamwenho (Angola).

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