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Cinema

Três filmes para ver esta semana

Um impressionante filme de terror realizado por um norueguês nos EUA, o regresso de King Kong e "São Jorge", do português Marco Martins, são as escolhas desta semana de Eurico de Barros.

Brian Cox e Emile Hirsch no aterrorizador "A Autópsia de Jane Doe", realizado nos EUA pelo norueguês André Ovredal

Autor
  • Eurico de Barros

“A Autópsia de Jane Doe”

Se andavam com saudades de ver um filme de terror como deve ser, então não precisam de ir mais longe, “A Autópsia de Jane Doe” é esse filme. Trata-se da primeira realização do norueguês André Ovredal, autor da comédia fantástica “O Caçador de Trolls”, e a sua estreia no cinema americano não podia ser mais auspiciosa e aterrorizadora. “A Autópsia de Jane Doe” é uma daquelas fitas sobre a qual não se pode falar muito, sob pena de revelarmos coisas a mais sobre a história e sermos desmancha-prazeres.

É um “huis clos” todo passado numa noite, no mesmo lugar (a morgue de uma cidadezinha da Virginia) , apenas com três personagens – uma da quais está morta , a Jane Doe do título -, e Ovredal subalterniza os efeitos de computador para estabelecer uma espessa atmosfera de terror sobrenatural com fumos de feitiçaria ancestral e sugestões demoníacas, essencialmente através da história e do jogo da câmara e do som (há uma sequência de altíssimo teor arrepiante envolvendo o sininho que o médico-legista ata aos pés dos mortos, no caso de um deles estar em coma e acordar no gavetão da câmara frigorífica). Um dos filmes de terror deste ano, e dos últimos anos, sem pestanejar.

“Kong: Ilha da Caveira”

Pobre King Kong. Como se não bastasse o medíocre “remake” a que foi sujeito por Peter Jackson em 2005, o gorila gigante da Ilha da Caveira foi agora recuperado para uma nova série de filmes do chamado MultiVerse, juntamente com Godzila e outros monstros do sector deste, que começou precisamente com o “Godzila” de Gareth Edwards, em 2014. “Kong: Ilha da Caveira”, é o segundo filme desta franquia sino-americana, que em 2020 conhecerá um confronto entre ambos.

Realizada por um novato, Jordan Vogt-Roberts, e ambientado em 1973, a fita introduz uma série de modificações disparatadas na Ilha da Caveira, que em vez de animais pré-históricos agora está cheia de bicharada gigante, como aranhas, búfalos, formigas voadoras e uns monstruosos lagartos mutantes que vivem no centro da terra (sem falar numa tribo perdida e num aviador perdido da II Guerra Mundial). É lá que aterra uma expedição composta por cientistas e soldados desviados da guerra do Vietname.

“Kong: Ilha da Caveira” é uma bisarma informe, ensurdecedora e caótica, com indigestão de efeitos especiais, que cruza o filme de guerra tendência “Apocalypse Now” e o “monster movie” em modo vale-tudo, onde metade do elenco quer matar King Kong e a outra metade salvá-lo, enquanto vai sendo dizimado por este e pelos lagartos matulões. O Kong em “motion capture” é a única coisa que se salva desta descomunal macacada.

“São Jorge”

Nuno Lopes interpreta Jorge, um pugilista que vive num bairro social da outra banda, está cheio de dívidas e com medo que a mulher, uma imigrante brasileira, pegue no filho deles e volte ao país de origem. Por isso, aceita ir trabalhar para uma firma de cobranças difíceis. O novo filme de Marco Martins passa-se no Portugal sob intervenção da troika, e a austeridade é o motor de arranque da história dramática de um homem desesperado, que vai fazer um trabalho que lhe repugna – ser um matulão de punhos duros como pedra não significa que não se tenha consciência e escrúpulos -, para conseguir ganhar o único combate que lhe importa na vida e que tem que travar sozinho, contra a adversidade.

Há uma óbvia contiguidade de “São Jorge” com “Alice”, que o realizador assinou em 2005, onde um pai (também interpretado por Nuno Lopes), vara ruas e avenidas de uma Lisboa invernosa e indiferente, na busca obsessiva e solitária pela filha que desapareceu, e que contra todas as probabilidades acredita que irá encontrar. Tal como Jorge crê que não verá o filho desaparecer no outro lado do oceano. “São Jorge” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.

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