Logo Observador
Igualdade de Género

Mulheres defendem em Cabo Verde a irmandade como forma de fortalecer o género

Mulheres defenderam esta quarta-feira, em Cabo Verde, a irmandade como forma de fortalecer o género e salientaram o papel das mulheres na indústria musical e na cultura.

A conferência sobre o papel das mulheres na indústria musical e na cultura aconteceu no Palácio da Cultura Ildo Lobo

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Mulheres defenderam esta quarta-feira, em Cabo Verde, a irmandade como forma de fortalecer o género, apontando também a importância de terem espaços, responsabilidades e tomar iniciativa para ganhar lugar na indústria musical e cultural e em outras áreas.

As ideias foram defendidas pela cabo-verdiana Lúcia Cardoso, pela moçambicana Carmen Guida, pela gambiana Maimuna Manneh-Fye, pela britânica Amanda Jones e pela senegalesa Binetou Sylla durante uma conferência no âmbito do Atlantic Music Expo (AME), feira internacional de música que está a decorrer na cidade da Praia.

Para Maimuna Manneh-Fye, da Black Lynx Entertainment, as mulheres devem ser modelos para gerações mais jovens, uma ideia também defendida por Carmen Guida, do grupo Gato Preto, apontando também a irmandade como forma de fortalecer o sexo feminino.

“As mulheres estão constantemente em competição entre elas”, completou Binetou Sylla, da discografia Syllart Records, considerando que se devem criar redes e estruturas práticas para inverter o cenário e fazer com que as mulheres estejam mais unidas.

A cantora Lúcia Cardoso disse que a sociedade está a perder capacidade no feminino porque as pessoas estão mais preocupadas e concentradas na imagem do que na capacidade das mulheres. “Estamos a ser julgados constantemente pelas roupas, pelo cabelo”, lamentou, apontando a importância da existência de espaços e plataformas para as mulheres mostrarem, para “tomarem a palavra” e sair da invisibilidade”, complementou Binetou Sylla.

Afirmando que as mulheres podem fazer muito, sendo uma questão de visibilidade, Lúcia Cardoso disse que a “castração” acontece “de dentro para fora”, refletindo o meio atual, que todas as conferencistas lamentaram a existência de discriminação e de outras dificuldades. Para ultrapassar esses “desafios divertidos”, com descreveu Binetou Sylla, a cabo-verdiana Lúcia Cardoso apontou a determinação e insistência, “nunca desistir”.

Amanda Jones, da Real World Records, disse que a indústria musical ainda se confronta com “atitude machista”, com discriminação das mulheres em termos de cor, idade e imagem, mas reconheceu “melhorias” na educação.

Com tudo isso, Carmen Guida afirmou que as mulheres devem trabalhar duplamente todos os dias, não porque os homens estão a fazer mais, mas sim para aceitar a sua condição e o orgulho em ser como são, “sem complexos”. “As mulheres não podem culpar os homens, quando elas que toleram que os homens as respeitem ou não. Devem tomar responsabilidades e fazer a diferença”, defendeu Carmen Guida, lembrando que as mulheres “nunca serão homens”.

A conferência sobre o papel das mulheres na indústria musical e na cultura aconteceu no Palácio da Cultura Ildo Lobo, com a presença de dezenas de pessoas, entre elas o ministro das Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, cujo ministério organiza o AME em parceria com a produtora Harmonia e a Womex.

O encontro profissional de música arrancou segunda-feira e prossegue até quinta-feira com espetáculos, exposições, conferências e muita animação no centro histórico da Praia. O AME antecede o Kriol Jazz Festival (KJF), organizado pela Câmara Municipal da Praia, cuja abertura oficial será na quinta-feira.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Crónica

Você é um pai ciumento ou um pai machista?

Ruth Manus
1.316

Filhas que têm um bom exemplo paterno, raramente se envolvem com homens que as tratem mal. Pelo simples fato de crescerem com um bom modelo, tendem a não aceitar menos do que isso.