Venezuela

A resistência na Venezuela tem cara. E três heróis (onde está uma portuguesa)

139

Maria José Castro colocou-se à frente de um tanque. Tomás Vivas surgiu numa marcha a tocar um "cuatro". Hans Wuerich despiu-se e ficou só com uma Bíblia na mão. Com isso, tornaram-se símbolos.

AFP/Getty Images

Chama-se cuatro. É um instrumento conhecido da família da guitarra, que se utiliza na América Latina, em especial Porto Rico, Colômbia e Venezuela. Dá acordes às canções populares e aos bailaricos de bairro. Mas, neste caso, representa muito mais. “Fui a tocar joropo. Muitas vezes não sou ouvido, especialmente quando me coloco na linha de fogo entre manifestantes e polícias. Não interessa, continuo a tocar”, conta ao El País Tomás Vivas, de 29 anos, um artista que saiu de Mérida para ir viver para Caracas à procura de mais oportunidades de emprego para melhorar a sua vida.

Desde fevereiro de 2014, quando se registaram as primeiras manifestações com maior peso contra Nicolás Maduro, que se apresenta assim: cara tapada, tronco nu e cuatro nas mãos. Hoje, muitos jovens surgem assim, com o mesmo instrumento. Vivas, que prefere protestos pacíficos, tornou-se um ícone da resistência venezuelana.

Hans Wuerich, de 27 anos, reivindicou esse título quando, no dia 20, surgiu nu em frente aos militares e com uma Biblía na mão. Protesta contra os presos políticos, o estado da economia, a falta de bens de primeira necessidade. E assume que é quase uma vitória a forma como Maduro reagiu à sua imagem, que correu mundo. “São os protestos pacíficos que atingem as ditaduras. Sabe que é um demónio debilitado”, referiu.

Maria José Castro, uma portuguesa radicada em Caracas, é o mais recente ícone desta luta: quando se envolveu numa bandeira da Venezuela e se colocou em frente a um tanque da Guarda Nacional Bolivariana, passou a ser um símbolo para os mais novos. “Senti que me tinha convertido na mãe de todos estes miúdos que se estavam a manifestar. Doía-me ver como disparavam sobre eles. Quando ouvi os soldados a ordenarem o avanço dos tanques, pensei que iria ocorrer um massacre e avancei”, explica.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: broseiro@observador.pt

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site