Luxo

O luxo no século XXI discute-se em Lisboa no Business of Luxury Summit

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Louis Vuitton, Hermès, Cartier, Vetements, J.W Anderson e Miroslava Duma estão reunidos em Lisboa para discutir o mundo dos objetos de luxo num tempo de mudanças culturais, económicas e políticas.

O Business of Luxury Summit começou o primeiro dia de trabalhos com o primeiro-ministro António Costa a elencar o potencial de Portugal para os mercados de luxo.

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Autor
  • Joana Emídio Marques
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Se o fim de semana foi de euforia popular, a semana portuguesa começa sob o signo do luxo e da moda. Nada mais nada menos do que com a presença, ainda que virtual, de Nicolas Ghesquière, o diretor criativo da Louis Vuitton que ainda este domingo esticou um pouco mais as fronteiras da moda com a apresentação da sua coleção cruise num museu de Quioto, num espaço arquitetónico cuja beleza e futurismo galvanizavam com a beleza da roupa. Mas foi em vídeo-conferência para Lisboa, numa sala do hotel Ritz Four Seasons, que Ghesquière deixou um testemunho do seu entendimento da moda e do espírito do tempo: “Quando olharmos para a moda do princípio do século XXI vamos classificá-la como o momento em que o luxo e o atlético se fundiram.”

Pela primeira vez o jornal Finantial Times realiza o seu Business of Luxury Summit em Lisboa, sob a bênção de Durão Barroso, António Costa e ao som de Salvador Sobral. “Mundo Material: artesanato, manufatura e novos mercados” é o tema deste ano e traz a Portugal não só Nicolas Ghesquiére, da Louis Vuitton, mas também Jonathan Anderson da J.W Anderson e da Loewe, Axel Dumas da Hermès, Cyrille Vigneron, da Cartier, ou Miroslava Duma, do site Buro 24/7, a czarina da moda russa. Mas traz também portugueses de sucesso no mercado de luxo como o chefe Nuno Mendes ou o fundador da plataforma Farfetch, José Neves e ainda Durão Barroso, atual chairman da Golden Sachs e ex-presidente da Comissão Europeia.

Nicolas Ghesquière, diretor criativo da Louis Vuitton, esteve presente na sala do Ritz através de video-conferência. © Divulgação

Um cocktail ao final da tarde de domingo nas ruínas do Convento do Carmo, no Chiado, ao som da voz de Salvador Sobral, deu não só o pontapé de saída mas também o mote: o luxo já não é o que era, quer chegar a novos públicos, novos mercados, quer trazer o futuro das novas tecnologias à herança ancestral das marcas e das culturas. O luxo entre os pixel-ecrãs e a mão humana. Eis o futuro.

Tendo como anfitriões Lionel Barber e Jo Ellison, respetivamente editor e editora de moda do Finantial Times, o Business of Luxury Summit começou o primeiro dia de trabalhos com o primeiro-ministro António Costa a elencar o potencial de Portugal para os mercados de luxo, a partir desta ideia paradoxal de “produzir o único numa cadeia de produção em série”. Já Durão Barroso foi menos efusivo quanto às potencialidades de Portugal, mas acentuou a importância da França como país fundamental para a Europa pós-Brexit.

O cocktail de boas-vindas aconteceu este domingo à tarde nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa. © Divulgação

A jornalista, ex- diretora da Vogue inglesa e atual editora de moda do Finantial Times, debateu com Ghesquière e depois com Jonathan Anderson a relação da moda com as novas tecnologias e a palavra que ressaltou destas duas conversas foi “conexão”. As novas tecnologias abriram caminho a novas formas de ligação, reduzindo as distâncias e acelerando o tempo que estão a mudar radicalmente o mundo da moda. Uma das mudanças é a cada vez menor necessidade de mediadores (como jornais e revistas) para a construção de relações diretas com os consumidores e fazedores de moda através das redes sociais.

Outra das evidências é que os criadores de moda se tornaram estrelas da cultura pop como eram os cantores. A nova geração e as novas tecnologias fizeram explodir o culto dos objetos e dos objetos de luxo em particular. “Os criadores já não trabalham para um nicho, trabalham com uma visibilidade totalmente avassaladora e até disruptiva”, confirma Ghesquiére. Por outro lado, Anderson e Nuno Mendes, chefe do Chiltren Firehouse, em Londres, chamam a atenção para a importância de vender “objetos como experiência” e não como “coisas”. “Tudo tem que ter uma história, uma experiência de tempo, de acolhimento, de singularidade”, disse ainda Anderson.

Neste tempo da comida como “novo objeto de luxo” o chefe Nuno Mendes, que em tempos teve uma banda de garagem em Lisboa, explicou que a “comida se tornou uma experiência e a manifestação de uma ética”, daí que os restaurantes de luxo estejam a optar por uma carta vegan e espaços acolhedores, pequenos, que criem uma sensação de familiaridade.

Novas ligações entre as pessoas e os objetos, a necessidade de construção de uma experiência emocional sob cada bem material e a conquista de um tempo lento dentro desta vertigem do presente, em que, como referiu Jonathan Anderson, “ter uma hora de atenção para a nossa marca já é muito bom”, são algumas ideias deixadas desta primeira manhã de trabalhos.

O FT Business of Luxury Summit decorre até dia 16 de maio no hotel Ritz Four Seasons.

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