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A história da prancha voadora que levou a bola à final da Taça

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Alexandru Duru, um engenheiro canadiano, conta ao Observador como sobrevoou o Jamor para entregar a bola ao árbitro. Parecia uma cena do filme “Regresso ao Futuro” e tornou-se viral por todo o mundo

À pergunta clássica antes da final da Taça – quem iria ganhar: Benfica ou Vitória de Guimarães? – juntaram-se pouco antes do desafio outras duas dúvidas na assistência: que aparelho voador era aquele que flutuou pelo relvado? E quem é que o estava pilotar?

A primeira pergunta teve resposta no fim dos 90 minutos, com o Benfica a conseguir a dobradinha. As outras duas dúvidas duraram um pouco mais até serem desfeitas: não era exatamente um drone, embora seja parecido. E não estava a ser tripulado por um militar ou por um polícia, embora a PSP tenha uma unidade especial capaz de tripular drones.

Foi um engenheiro canadiano de origem romena, de 32 anos, Alexandru Duru, que em 2015 entrou no Guinness por ter batido o recorde do voo mais longo numa prancha: 275.9 metros, na maioria a sobrevoar o Lago Ouareau no Quebec, Canadá.

O aparelho é uma hoverboard, uma espécie de prancha flutuante ou voadora. O próprio Alexandru Duru, co-fundador da Omni Hoverboards, contou ao Observador, antes de sair de Lisboa, que a sua prancha atinge uma velocidade de 40 km/hora. Tem dez propulsores incorporados, pesa 30 kg e, com 20 baterias de lítio consegue aguentar até 2 minutos e meio a transportar o peso deste “engenheiro voador”: 68 kg. Pode voar a 100 metros de altitude, ou até mais alto ainda, mas não convém.

Não há limites, mas como não temos um pára-quedas, não convém que subamos muito, porque ele pode desmontar-se facilmente quando está muito elevado. Mas a distância a que sobe não é a nossa primeira prioridade, do género ‘Oh meu Deus, vejam quão alto sobe!’ Nós queremos tornar tudo o mais seguro possível, para a nossa equipa e para todos. Por todo o mundo, temos pessoas a trabalhar connosco para chegar a uma versão que será muito melhor e mais segura que esta.”

Segundo uma fonte da Federação Portuguesa de Futebol, a entrada em cena da hoverboard a trazer a bola de jogo pelo ar era uma espécie de prolongamento da homenagem à Força Aérea que antecedeu o desafio. Homenagem que começou a ser pensada desde que os caças F-16 da Força Aérea escoltaram o avião da Selecção no ano passado, após a conquista do Euro.

Alexandru foi desafiado há um mês para vir fazer esta entrada espectacular no relvado. Com a sua equipa de 4 pessoas e todos os componentes técnicos da prancha aterrou em Lisboa na semana passada, a tempo de ainda fazer dois ensaios no Estádio do Jamor.

“Eras tu que estavas a voar?”

Este domingo, pouco antes da hora marcada para o início do desafio, o engenheiro canadiano descolou de uma ponta do terreno de jogo e fez um primeiro voo até ao árbitro Hugo Miguel, na zona lateral junto à linha de meio-campo. Depois de lhe entregar o esférico, iniciou o segundo voo, passando junto a uma bancada onde estavam maioritariamente adeptos do Benfica e aterrou noutra extremidade do recinto.

A partir do momento em que confias em toda a equipa e sabes que está tudo perfeito e a postos, aí podes aproveitar o voo. E o voo em si é, como posso dizer? É um pouco mágico, porque é tão fácil descolar e aterrar e num segundo podemos ir a qualquer lado”.

Chegou a estar a 9 metros de altura em relação ao solo, frente à tribuna, antes de descer, como se estivesse num elevador: “Tenho mesmo de agradecer à Federação Portuguesa, que esteve na origem disto, e à assistência. Quando descolei estava tudo a aplaudir. E à noite, quando regressámos ao hotel com a hoverboard, tínhamos pessoas parar-nos e a perguntar: ‘Eras tu que estavas a voar?’”

Já fez cerca de 50 voos na sua hoverboard, mas este do Jamor foi um dos mais especiais. Segundo fonte que acompanhou o processo, a Federação pagou cerca de 5 mil euros para o ter cá, e custeou ainda as despesas de desalfandegamento dos materiais, uma vez que a hoverboard é transportada em peças, para ser montada no local onde vai ser usada.

Nos últimos dois anos tem participado na rodagem de anúncios. O último foi na Bolívia, mas também já “voou” nos EUA, no Japão e em Espanha.

A empresa de Alexandru Duru, a Omni Hoverboard, tenciona comercializar muito em breve esta prancha, mas faltam várias afinações técnicas, pelo que ainda não há uma data para a entrada no mercado, nem uma estimativa do preço de venda ao público.

Entretanto, as imagens do seu voo no Jamor tornaram-se rapidamente virais, tendo levado a fina da Taça de Portugal a ser mostrada em órgãos de comunicação social de todo o mundo.

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