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Venezuela

Maduro diz que travou sublevação militar. Duas pessoas morreram

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Um grupo de militares invadiu um forte na Venezuela, mas foi travado pelo Exército. Governo fala em ato "terrorista" e diz que normalidade foi reposta. Oito pessoas foram detidas e duas morreram.

Miguel Gutierrez/EPA

Um grupo de homens armados que dizem ser da 41ª Brigada Blindada invadiu, na madrugada deste domingo, uma parte do Forte de Paramacay na cidade de Valencia, na Venezuela, comandados por um capitão retirado da Guarda Nacional, Juan Caguaripano. O exército travou o ataque, tendo morrido duas pessoas, segundo informou Nicolás Maduro no programa radiofónico e televisivo “Os Domingos com Maduro”. A segunda sessão da Assembleia Constituinte, agendada para este domingo, foi suspensa.

Quando a notícia foi conhecida já o número dois do governo venezuelano, Diosdado Cabelloexército venezuelano dizia que o Exército tinha travado o ato de sublevação contra o governo de Maduro, tendo sido detidas várias pessoas. O porta-voz das Forças Armadas venezuelanas, citado pela Reuters, viria a dizer que tinham sido detidas sete pessoas, mas ao final do dia, Nicolás Maduro falava em oito detidos. Segundo fontes militares, citadas pelo El País, há vários focos de movimentos rebeldes ativos no país.

De acordo com o correspondente da Reuters na Venezuela, Girish Gupta, os protestos continuam perto do forte que foi invadido por um grupo de militares.

O número dois do Governo venezuelano disse que o ataque foi levado a cabo por “terroristas” e acrescenta que se “ativaram planos de defesa” e reforço de militares, para garantir a segurança interna. O Governo venezuelano, pelas voz de Diosdado Cabello, refere ainda que já está “totalmente controlada” a situação no Forte de Paramacay e que nas restantes unidades militares do país vive-se uma “absoluta normalidade”.

A Assembleia Constituinte tomou posse na sexta-feira e logo na primeira sessão demitiu a procuradora-geral Luísa Ortega Díaz, uma das principais vozes contra o governo venezuelano, ato que foi logo condenado pela oposição ao regime. Este domingo, na segunda sessão, o objetivo era o de instaurar a “Comissão da Verdade”, para começar a atribuir responsabilidades pelos atos violentos que ocorreram nas manifestações antigoverno.

Num vídeo que já circula nas redes sociais e no Youtube, o capitão Juan Caguaripano, expulso do Exército em 2014, rodeado de outros homens com farda militar e armados, anuncia a sublevação contra o governo de Nicolás Maduro, “para restaurar a ordem constitucional”, sublinhando não se tratar de um golpe de Estado.

E há vídeos a circular no Twiter que dão conta do aparato junto do Forte, ouvindo-se o barulho de disparos.

O ambiente na Venezuela continua a ferro e fogo, depois da Assembleia Nacional Constituinte ter tomado posse este sábado. Hoje mesmo, a oposição venezuelana condenou a destituição da procuradora-geral da Venezuela pela Constituinte e anunciou que está a preparar novas manifestações para a próxima semana. Num supermercado de Caracas, uma mulher que pertence ao conselho eleitoral foi alvo de um ataque de fúria por parte dos outros clientes, que lhe chamou “assassina”.

O El País recorda que o capitão Caguaripano tem estado associado a iniciativas rebeldes. Em 2014, o Tribunal Militar já tinha dado ordem de detenção a Caguaripano pela alegada participação num plano para derrubar Maduro.

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