Saúde

Desinvestimento na saúde traduz-se nos indicadores negativos da OCDE

A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos alertou para o impacto do desinvestimento na saúde. Segundo a OCDE, um em dez portugueses não compraram medicamentos por motivos financeiros.

ANTONIO COTRIM/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos alertou para o impacto do desinvestimento na saúde, que se traduz em indicadores como os divulgados esta sexta-feira pela OCDE, segundo os quais um em dez portugueses não compraram medicamentos por motivos financeiros.

O relatório Health at a Glance 2017 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, divulgado sexta-feira, refere que um em cada dez portugueses não comprou medicamentos prescritos pelo médico por motivos financeiros no ano passado.

Portugal surge acima da média dos países da OCDE nesta matéria, uma média que está nos 7,1%, e poucos países da União Europeia descritos no relatório estão na mesma situação.

Para a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, “isto é claramente um reflexo da enorme desigualdade em Portugal, porque não é só no acesso aos medicamentos que as pessoas têm dificuldades”.

“Com o grande desinvestimento no Serviço Nacional da Saúde, registado nos últimos anos, a grande instabilidade em relação aos próprios regimes de convenção e, apesar das medidas tomadas, com impactos negativos no preço dos medicamentos, os portugueses continuam a não conseguir comprar os medicamentos que, inclusive, têm dos preços mais baixos da Europa”, disse.

Segundo Ana Paula Martins, “apesar dos sinais de alguma recuperação, continuam a sentir-se os efeitos devastadores de uma crise devastadora que atingiu o setor”.

“Isto não se corrige de um dia para o outro nem de um ano para o outro”, alertou, acrescentando: “Por alguma razão somos também um dos países com maior consumo de antidepressivos”.

O relatório Health at a Glance 2017 traça uma visão geral da saúde dos 35 países da organização, mas reporta-se a alguns dados de 2016 e a vários de 2015.

Reportando-se a dados de 2015, o documento mostra que em Portugal cada habitante teve em média 4,1 consultas médicas anuais, abaixo da média da OCDE, que é de 6,9 consultas por habitante num ano.

Quanto à participação das famílias nas despesas de saúde, em Portugal subiu o número de população coberta por um seguro privado de saúde, havendo um quarto dos portugueses com seguro em 2015, quando dez anos antes era cerca de 20% da população.

As despesas diretas com saúde nas famílias portuguesas (despesas ‘out-of-pocket’) situam-se nos 3,8% do total da despesa familiar, acima da média da OCDE, que é de 3%, segundo dados de 2015.

Aliás, 28% das despesas de saúde em Portugal estavam já a cargo das famílias em 2015, acima da média da OCDE, tendo havido um aumento desta carga entre 2009 e 2015.

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