Zé Pedro (1956-2017)

Palmas, música e a vénia dos Xutos no adeus a Zé Pedro

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Funeral de Zé Pedro realizou-se esta tarde e foi reservado à família. Missa de corpo presente foi nos Jerónimos. Parlamento vai decidir forma de homenagem que respeite a vontade do músico, diz Ferro.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Quando o cortejo fúnebre saiu do antigo Museu dos Coches, onde o corpo do músico esteve em câmara ardente, ouviu-se o “Homem do Leme” e, mais tarde, depois da missa nos Jerónimos, tocou o “Para sempre” (a última música tocada no concerto da banda em novembro). A multidão que aguardava fora da igreja de Santa Maria de Belém acompanhou este último momento com palmas e os (agora) quatro membros dos Xutos & Pontapés fizeram uma vénia a todos os que ali compareceram.

Tim, João Cabeleira, Kalú e Gui abraçaram-se e saudaram as pessoas que se juntaram frente ao Mosteiro dos Jerónimos. Tinham sido já os quatro a trazer a urna até ao exterior dos Jerónimos, depositando-a sobre uma eça dourada (suporte onde são colocadas as urnas) que estava na rua. E ali ficou enquanto tocou o “Para Sempre” (mais do que uma vez). Os familiares, amigos e fãs de Zé Pedro que estiveram presente acompanharam o momento com um longo aplauso.

Antes, à saída do antigo Museu dos Coches, tinham sido os sobrinhos do músico e o filho de Cristina Avides Moreira, mulher de Zé Pedro, a transportar a urna até ao carro funerário. Foi assim que seguiu até ao Jerónimos para uma celebração onde marcaram presença o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa.

Nos próximos dias, o presidente da Assembleia da República vai colocar à consideração dos líderes parlamentares qual a melhor forma de homenagear o guitarrista dos Xutos & Pontapés que morreu esta quinta-feira. Ferro Rodrigues diz que Zé Pedro “odiava minutos de silêncio” e promete ouvir a família para decidir como será feita a homenagem. Este sábado, a urna com o corpo do músico foi transportada, em cortejo, até Mosteiro dos Jerónimos.

As homenagens ao músico vão suceder-se nos próximos dias e o Parlamento vai procurar uma solução para também o fazer, mesmo que não seja seguindo a sua prática, respeitando um minuto de silêncio em memória do músico. Foi Eduardo Ferro Rodrigues que o disse, em entrevista à SIC, fazendo saber que “a questão será discutida com a família, já que parece que Zé Pedro odiava minutos de silêncio que é o que protocolarmente” se faz na Assembleia da República quando morre uma figura de relevo no panorama nacional. O assunto será “visto com os líder dos grupos parlamentares e sobretudo com a família, porque não queremos fazer nada contra aquilo que ele mais gostaria”, explicou Ferro.

Na sexta-feira, quando compareceu no velório, o Presidente da República tinha já dito que estava a ser pensada “uma homenagem em grande” a Zé Pedro para ser realizada na próxima primavera ou no início do verão.

O funeral do guitarrista dos Xutos realiza-se esta tarde, no cemitério dos Olivais, mas a cerimónia será reservada à família. Durante esta sexta-feira e até ao início da tarde de sábado, centenas de pessoas dirigiram-se ao antigo Museu dos Coches (onde o corpo de Zé Pedro esteve em câmara ardente) para prestar uma última homenagem ao músico e foram também muitos os que acompanharam os últimos momentos das cerimónias fúnebres.

Texto de Rita Tavares, fotografia de João Porfírio.
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