Comic Con

Comic Con vai para Lisboa? “Decisão só em janeiro”

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No último dia da Comic Con 2017, conversámos com o presidente e fundador sobre a possível saída para Lisboa. Quanto a ficar em Matosinhos, nada está decidido e só em janeiro se vai saber.

Paulo Rocha Cardoso é um fundador da Comic Con Portugal e "um geek assumido".

Ricardo CasteloObservador

A polémica estalou em setembro quando Paulo Santos, diretor executivo da Great Global Events, parceira do evento, afirmou, em conversa com o Dinheiro Vivo, que a Comic Con Portugal, que desde a primeira edição, em 2014, tem decorrido em Matosinhos, se ia mudar para Lisboa. Não faltaram comentários e críticas e um debate “Norte vs Sul”. Paulo Rocha Cardoso, o fundador da edição portuguesa e presidente executivo da Comic Con Portugal, rapidamente desmentiu, dizendo que nada estava decidido. Facto é facto: em conversa com o Observador, durante aquela que pode ser a última edição da Comic Con em Matosinhos (ou não), o organizador confirmou (com uma vincada pronúncia do Norte) que a possibilidade está em cima da mesa, mas para se saber “é preciso esperar por janeiro”.

Não é uma questão de espaço para receber visitantes que motiva a possível saída de Matosinhos, é uma questão de logística. Questionado sobre o que pode levar à mudança, Rocha Cardoso explica: “O que tentamos de ano para ano é fazer várias melhorias e, infelizmente, não temos conseguido”. O geek assumido que criou o maior evento de cultura pop no país e, só no ano passado, levou à Exponor mais de 72 mil pessoas — a última Web Summit, em Lisboa, recebeu cerca de 60 mil –, diz que não: “A questão nunca foi Porto e Lisboa, é uma questão Norte e Sul, até porque a Comic Con é em Matosinhos”. O evento, em 2014, ocupava apenas dois pavilhões e recebeu 33 mil pessoas. Em 2015 recebeu 53 mil. No ano passado, já a ocupar todo espaço da Exponor, recebeu 72.981 visitantes.

Paulo Rocha Cardoso atrás de uma das naves do Star Wars, que depois de sair de Matosinhos, vai para um dos parques de diversões da Disney.

A mudança está em cima da mesa, segundo Paulo Rocha Cardoso por se procurar em cada edição “melhores condições e mais confortáveis para os participantes”. No entanto, para o presidente do evento, a necessidade de melhorias “não tem a ver com falhas das várias instituições”. Rocha Cardoso diz que, em relação à organização das várias entidades com que trabalharam, é possível melhorar, que “esta é a quarta edição, é um festival indoor e muitas pessoas estão habituadas a este tipo de festivais lá fora, mas aqui em Portugal este tipo de evento é muito recente e é preciso uma noção de como se processa isso”. O presidente reconheceu ao Observador a responsabilidade que há, quanto à desconcentração de eventos de Lisboa, a manter o evento em Matosinhos. “Durante 4 anos, e quem sabe 5 ou 6 anos, a Comic Con foi sempre no Norte, está tudo ainda em aberto”.

Isto é um grande festival de entretenimento. Não é de música, não é de futebol, é um bocadinho de tudo. Isto, para muitas entidades, é necessário que seja percebido para podermos melhorar. Em Portugal não temos essa história [eventos Comic Con]. Na quarta edição conseguimos explicar cada vez mais o que se vai fazer e tentamos também capitalizar para que essas pessoas [as instituições] venham ao evento para demonstrar o que se passa”, explica Paulo Rocha Cardoso quanto ao que pode melhorar com as instituições com que tem trabalhado para realizar a Comic Con Portugal em Matosinhos.

No último dia do evento, o responsável máximo da Comic Con Portugal, afirma que “a bola ainda está a rolar”, quanto à Comic Con ficar em Matosinhos. E acrescenta: “Quando estamos no mercado internacional e falamos sobre o evento para capitalizar a indústria e convidados, nós não falamos em regiões, falamos em Portugal”.

Quanto ao trabalho passar a ser feito com outras instituições, “basta uma região inteira trabalhar em conjunto para se fazer uma Comic Con”, esclareceu. Rocha Cardoso terminou por dizer: “Acredito que as várias partes interessadas têm de começar logo a criar melhorias”. Para se saber se a Comic Con Portugal se muda ou não de Matosinhos, vamos esperar por janeiro.

Porquê 20 euros para uma selfie com o meu ídolo?

No seguimento da conversa com Paulo Rocha Cardoso questionámos ainda o presidente executivo sobre os valores extra ao preço do bilhete de entrada que são cobrados para se tirar fotografias com algumas das celebridades presentes (para uma fotografia com Daniela Ruah são cobrados 30 euros, por exemplo). A prática já é comum noutros eventos sob a marca Comic Con, sendo os valores bem superiores aos cobrados em Matosinhos. “No mercado internacional há autógrafos que ascendem aos 300/4oo dólares, se um artista pede um valor muito elevado, nós fazemos por não o trazer”, explica.

A atriz portuguesa Daniela Ruah numa das sessões de fotografias com os fãs

Na edição de 2016, havia a possibilidade de se pagar 100 euros para 10 minutos a falar com algumas das celebridades presentes. O “Meet and Greet era uma realidade portuguesa”, explica Rocha Cardoso. Terminou este ano porque os agentes dos atores queriam rentabilizar mais o tempo passado com os fãs, com a opção das fotografias há mais rotatividade, explicou o organizador. O presidente assume que se tenta que o dinheiro vá para uma instituição de solidariedade, como foi feito na primeira edição em 2014, “mas os agentes nos últimos anos dizem que Portugal não pode ser exceção e quem decide isso são os artistas”.

Este ano nem todos os atores cobraram para fotografias ou autógrafos. Dos principais nomes, apenas Clark Gregg e Kirsten Vangness não cobram um valor. Para conhecer no palco VIP celebridades como Daniela Ruah, Dominic Purcell, Edward James Olmos ou Katherine Mcnamara, o valor cobrado aos visitantes, nesta edição, é de 20 euros (além do preço de entrada).

Texto de Manuel Pestana Machado, fotografia de Ricardo Castelo.
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