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O novo “campeonato da Europa” para Portugal

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Na candidatura de Portugal à Agência Europeia do Medicamento é importante a motivação e o espírito de uma verdadeira “selecção nacional”, que una o País, de Norte a Sul, com um objectivo claro e comum

 

Assinalou-se, no passado dia 10 de julho, um ano que a seleção portuguesa de futebol ganhou o Campeonato da Europa. Foi um percurso difícil, cheio de contratempos, com muitas vozes descrentes, mas com um desfecho memorável, em que adeptos dos diferentes clubes, de Norte a Sul, celebraram aquele que foi o maior feito do futebol nacional de todos os tempos.

Recordo este momento, porque um ano depois, Portugal está numa nova competição europeia, desta vez para acolher a EMA- Agência Europeia do Medicamento. Se a comparação com o futebol pode parecer absurda, a verdade é que este novo desafio tem aspectos críticos muito semelhantes.

Como é sabido, o Brexit vai obrigar a deslocalizar para outros países da UE, as agências europeias que até agora tinham a sua sede no Reino Unido. Uma destas instituições é a muito desejada Agência Europeia do Medicamento, um dos importantes centros de decisão europeu na área da Saúde e que emprega atualmente 900 pessoas, de várias nacionalidades.

A EMA é responsável pela avaliação científica, supervisão e monitorização da segurança dos medicamentos desenvolvidos por empresas farmacêuticas e cuja utilização se destina à UE. A Agência desempenha assim um papel fundamental na promoção da excelência científica da avaliação e supervisão dos medicamentos, em benefício da saúde pública e animal.

Será óbvio que o país que ganhar este importante organismo europeu verá serem reconhecidas capacidades técnicas e científicas que o vão colocar no mapa europeu e mundial como pólo atração da presença da indústria farmacêutica, potenciando mais e melhor investimento nas áreas de investigação e desenvolvimento e os ensaios clínicos. Traduzindo-se em ganhos consideráveis não apenas para um sector que é estratégico para a economia nacional, mas também para os doentes, ao potenciar mais e melhor acesso à inovação terapêutica. Esta é uma oportunidade que Portugal não pode e não deve desperdiçar.

Esta nova demanda vai ser longa e a decisão, que está prevista ser anunciada em Novembro deste ano, só terá efeitos em 2019, quando o processo do Brexit estiver concluído. Será uma decisão técnica mas, acima de tudo, será uma decisão política.

Na candidatura de Portugal à Agência Europeia do Medicamento, é importante a motivação e o espírito de uma verdadeira “selecção nacional”, que una o País, de Norte a Sul, com um objectivo claro e comum. O “jogo” de influência dos vários países já começou e, todos os portugueses estão convocados. Todos somos chamados a desempenhar um papel, seja nos palcos de decisão europeus, seja no sector privado, tirando partido de cada oportunidade para dar a conhecer as razões porque, à luz dos critérios já conhecidos, estamos muito bem preparados e motivados para receber a EMA em Portugal.

Acredito que Portugal tem vantagens competitivas únicas. O importante agora é acreditar. E cada um fazer o seu papel para trazer mais uma vez a “taça” para Portugal.

Desejo, no final deste ano, estar a celebrar o esforço desta conquista que será, com toda a certeza, muito positiva para o futuro do nosso País.

Director-geral da Pfizer Portugal

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