Há pouco mais de um mês, a 18 de abril, o Twitter encerrou de vez a aplicação de música Twitter Music que tinha lançado no ano passado. Agora tenta (novamente) adquirir a SoundCloud, cujo objetivo é a partilha de música e sons. Será que as divergências, que opuseram as duas empresas no passado, estarão sanadas?

A rede social Twitter, criada em 2006, está preparada para fazer a compra mais dispendiosa de sempre – 700 milhões de dólares (cerca de 510 milhões de euros) contra os 300 milhões que pagou no ano passado pela MoPub, uma empresa de anúncios para plataformas móveis -, segundo noticia o <re/code>. Mas ainda muito longe dos 3,2 mil milhões de dólares (cerca de dois mil milhões de euros) gastos pela Apple para comprar a Beats Electronics, segundo a MTV.

Mas, para firmar este negócio com sucesso, a SoundCloud tem de conseguir autorização das editoras para divulgar as músicas. A SoundCloud foi um dos serviços que a Twitter pensou incluir na aplicação Twitter Music, mas o facto de a colocação de músicas ser da responsabilidade dos utilizadores faz com que algumas das que estão sujeitas a direitos estejam disponíveis sem a autorização dos autores. Existem, porém, músicas colocadas pelos próprios autores e produtores, porque privilegiam esta forma de divulgação do trabalho que fazem.

Esta aquisição iria beneficiar ambas as empresas. O Twitter pode ver o problema de crescimento resolvido, enquanto a SoundCloud espera ter melhores resultados em termos publicitários. Quanto ao número de utilizadores pode não haver grande diferença: ambos têm cerca de 250 milhões (SoundCloud e Twitter) e muitos podem ser utilizadores de ambas as plataformas.

Além do número de utilizadores, as duas plataformas têm mais em comum. Cerca de 8% dos 500 milhões de tweets enviados diariamente são de ligações para o SoundCloud. Este serviço de música é mais partilhado no Twitter do que o Spotify, com 42 milhões de partilhas do SoundCloud contra 16 milhões do Spotify, segundo o Gigaom.

Apesar de Peter Kafka, autor do artigo no <re/code>, apresentar o negócio como promissor, Josh Constine, num artigo para o TechCrunch duvida que venha a acontecer. O próprio Peter Kafka, que segundo Josh Constine conhece bem as duas empresas, afirma que ainda não há confirmação desta aquisição. As empresas envolvidas escusaram-se a comentar.