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Em 2013, a EPIS (Empresários pela Inclusão Social) acompanhou 1659 alunos considerados em situação de insucesso escolar ou em risco de abandono, conseguindo uma taxa de aprovação de 67%, mais 147 alunos do que o que tinha registado no ano anterior. O teste está feito, com provas dadas, agora o desejo da EPIS é potenciar o programa: “Que deixe de ser da EPIS e que passe a ser de Portugal”, diz Diogo Simões Pereira.

A Associação EPIS esteve esta manhã na Assembleia da República para apresentar os resultados do programa ‘Mediadores para o Sucesso Escolar’, um programa privado que, espalhado pelo país, age localmente junto de jovens em risco de insucesso escolar através do acompanhamento de um mediador – um psicólogo, professor, assistente social. No terreno desde 2007, o programa contou nos últimos sete anos com uma equipa de 124 mediadores profissionais que fazem o acompanhamento dos alunos em quatro eixos de intervenção: aluno, escola, família e território.

“Estou mais confiante e mais feliz, e mais preparado para encarar outras coisas”, diz Adónis Fernandes, de 18 anos, um dos alunos que foi acompanhado por um mediador e que foi contemplado com uma das 29 bolsas, no valor global de 38.400€, que a EPIS atribuiu aos alunos.

Também João Ramalho, 18 anos, e Miguel Pereira, 14, são exemplos de jovens ao abrigo do programa ‘mediadores para o sucesso escolar’, que estiveram esta manhã no Parlamento para falar da sua experiência. Depois de chumbar quatro vezes, João elogia o trabalho da sua mediadora e garante: “Deixei de faltar as aulas, mudei o meu comportamento”. João foi outro dos contemplados pela bolsa de mérito e está neste momento a fazer um estágo remunerado na Sapec Agro, em Setúbal.

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“Os mediadores trabalham com os alunos as várias competências não cognitivas, as chamadas soft skills, que vão desde o ser social, ser colaborativo ou ser consciencioso, à estabilidade emocional, ansiedade e stress”, explica Diogo Simões Pereira, diretor-geral da EPIS, que lamenta o “desinvestimento que tem sido feito na educação” e deixa críticas às “políticas públicas, que deviam contemplar estas competências”.

Mudar o chip nacional

“Sete anos de testes, e com resultados tão positivos, significam que o piloto funcionou, que a metodologia funciona, agora é preciso ousar”, avança Sérgio Figueiredo, da fundação EDP, uma das empresas parceiras do projeto. “O setor privado esteve aqui para construir uma prova de que o Estado pode através das políticas públicas mudar a chip e gerir as políticas educativas do seu território”.

Até aqui, o programa tem sido aplicado com o apoio das escolas e das autarquias, que não se poupam em elogios aos resultados. Celso Guerreiro, presidente da Câmara de Paredes, que foi a primeira parceira autárquica da EPIS em 2007, lamenta os “desinvestimentos na educação” por parte do Governo, uma vez que “é a capacitação dos nossos recursos humanos que garante a competitividade do país”, mas garante que a metodologia do programa Empresários pela Inclusão Social “resulta”: “em 2007 o concelho de Paredes era um dos que tinha números mais elevados em termos de abandono escolar e agora, com o financiamento do programa EPIS por parte de 43 empresas do concelho, a taxa desceu bastante”.

“O programa devia ser urgentemente alargado a todas as escolas do país”, disse esta manhã na Assembleia da República o diretor do projeto.

Para o futuro, Diogo Simões Pereira reforça o objetivo de alargamento do programa, com a entrada dos ‘mediadores para o sucesso escolar’ nos Açores e na Madeira e com a implementação do protocolo assinado com o Ministério da Educação com vista à inclusão da sua metodologia nas várias escolas do país, especialmente para os casos dos 2º e 3º ciclos que estão em territórios sociologicamente mais carenciados e em situação de risco de insucesso escolar.

Mas a ambição não acaba aí e os objetivos de combate ao insucesso escolar só serão conseguidos se houver um maior investimento. “O 3º ciclo em uma população escolar em risco muito elevada, mas os números são irreais se só tivermos cerca de 50% de cobertura nas necessidades do país”, diz Diogo Simões Pereira, acrescentando que “é preciso investimento nacional neste tipo de programas”.