Adora comer e o seu exercício preferido é descansar. Garfield é um gato gordo que apesar dos maus hábitos já tem 36 anos. Mas esta proeza só é possível nos desenhos animados. Animais que comem demais e fazem muito pouco exercício ficam obesos e têm complicações graves de saúde. O Observador pediu a Jorge Cid, médico veterinário e diretor do Hospital Veterinário do Restelo, alguns conselhos para os donos dos animais.

1. Comer sem parar
“Normalmente os animais obesos são aqueles que gostam muito de comer”, refere Jorce Cid, dando o exemplo do Labrador Retriever. Mas alguns animais de companhia têm mais propensão para engordar do que outros.
Gatos, cães e coelhos são as principais vítimas da obesidade. Não só o excesso de alimento, mas também a falta de exercício são responsáveis por esta situação. No caso dos coelhos acresce o facto de estarem fechados em gaiolas pequenas que não lhes permitem fazer muitos movimentos.

Mas o prémio do “comer sem parar” vai para os peixes – enquanto tiverem comida à vista não param de comer e morrem por isso. Já os roedores e as aves, mesmo que tenham sempre comida disponível, conseguem controlar-se e comer apenas quando sentem necessidade.

O que não pode faltar a nenhum animal é água limpa e se possível em mais do que uma taça. Para os gatos até é aconselhável uma fonte. Os gatos, por norma, não bebem muita água, mas sentem-se atraídos pela água corrente e acabam por beber. “Uma das principais causas de morte nos gatos é a insuficiência renal”, alerta o veterinário.

Dog owner Becky Jones pets four year-old labrador Chubby Charlie in Northfield Birmingham, United Kingdom, October 24, 2001. Chubby Charlie is forced to go on a crash diet after ballooning to an astonishing 168 pounds. (Photo by Mike Thomas/Express Newspapers/Getty Images)

Um labrador de 76 quilogramas a precisar de dieta – Mike Thomas/Express Newspapers/Getty Images

2. Com conta e medida
“Os cães ‘pedem’ mais comida do que os gatos. Andam sempre à volta dos donos à espera que caia qualquer coisa”, diz o veterinário. Mas para um cão adulto comer uma ou duas vezes por dia é suficiente.
A quantidade essa é variável. Embora os sacos de ração tragam normalmente uma dose recomendada, alguns animais podem comer um pouco mais sem engordar demasiado e outros que até essa quantidade é excessiva. É preciso avaliar consoante o animal.

Quando os donos dão mais comida do que necessário, o animal pode manter um peso equilibrado se fizer exercício suficiente, informa Jorge Cid. “[Mas] os animais [obesos] são o espelho dos donos – fazem pouco exercício e gostam de comer.”

3. Também existem mimos alimentares
Jorge Cid defende que os animais devem comer rações próprias, a que chama de alimentos compostos. “[Mas] há donos que acham que é uma violência, que devem dar outras coisas, porque têm ‘pena’ dos animais.” Os donos podem preparar refeições apropriadas em casa, diz o veterinário, mas o alimento composto “é mais higiénico, prático e fácil de balancear”.

Dar só arroz trinca e carne é desiquilibrado. Os animais também precisam de vitaminas, mas dar legumes é difícil. Alimentá-los com restos ainda pior, especialmente se forem restos de restaurantes – ingerem muito mais calorias e condimentos que lhes são prejudiciais à saúde.

Sobre as rações, Jorge Cid sabe que também há muito boas e muito más e o preço funciona como um indicador de qualidade. As empresas que produzem produtos baseados em estudos médicos são naturalmente mais caras, mas também melhores.

“Quero ter um mimo para lhe dar”, ouve o veterinário várias vezes, e aconselha os biscoitos apropriados – é preciso ter em consideração a raça e o próprio animal.

Victoria Tower Gardens on October 13, 2011 in London, England. With Members of Parliament from the Conservative Party and The Labour Party

Os bolos não são a comida mais saudáveis para os cães, mas os chocolates estão proibidos – Peter Macdiarmid/Getty Images

4. Um bolo de chocolate para o aniversariante
“O chocolate é proibidíssimo. E as uvas também”, afirma sem hesitar o veterinário. Embora não seja um veneno, o chocolate é tóxico e pode provocar a morte do animal. Portanto é melhor pensar duas vezes quando quiser fazer um bolo de aniversário para o seu animal de estimação. “Há quem faça bolos a imitar o chocolate, mas que são comestíveis para os animais”, diz Jorge Cid.

Outra crença alimentar é que os cães devem comer ossos e os gatos bebem leite. “Sou contra dar ossos aos animais. Os ossos podem obstruir o intestino ou perfurá-lo. Já operei muitos animais com perfurações nos intestinos”, alerta o diretor do hospital. Os ossos são dados aos animais para limpar os dentes ou para acrescentar cálcio na dieta, mas existem barritas e outros suplementos que cumprem esta função sem riscos.

Quando ao leite, nenhum animal, com exceção dos humanos, bebe leite na idade adulta, portanto os gatos também não. Quando é preciso dar leite a um cachorro ou gato bebé deve escolher-se um leite apropriado para a espécie. “O leite de vaca é mais fraco do que o de cadela [ou gata], é como se estivessem a beber água. E as pessoas ainda o quebram [misturar água]”, esclarece Jorge Cid.

9th September 1978:  Tiddles, the famous fat cat which lived in the public lavatories at Paddington Station, London.  (Photo by Chris Moorhouse/Evening Standard/Getty Images)

Além da obesidade, a insuficiência renal também afeta os gatos – Chris Moorhouse/Evening Standard/Getty Images

5. Ganhar anos de vida
“Os animais que vivem dentro de casa são tratados como membros da família. E ainda bem”, diz Jorge Cid, mas alerta que com as coisas boas também vêm as coisas más. “Os maus hábitos dos donos são passados aos animais.” Como comer em excesso e não fazer exercício.

A obesidade pode causar problemas cardíacos, hepáticos e articulares, diminuindo a longevidade do animal e aumentando o sofrimento. Por isso o Hospital Veterinário do Restelo criou o programa para obesos “Ganhar anos de vida”, em que é recomendada uma dieta específica ao animal e este é pesado regularmente.
Os donos têm comportamentos muito distintos, conta o veterinário, alguns não querem aceitar que os animais estão obesos, outros ficam tão entusiasmados com a perda de peso nos animais que acabam por pensar em perder peso também.

Jorge Cid aconselha todos os donos a procurarem um veterinário para pedirem informações e aconselhamento. “O que gastarem agora poupam na velhice. A prevenção é o melhor investimento que se pode fazer em medicina.”