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Escaravelhos obrigam ao abate das palmeiras na residência oficial de Passos

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As palmeiras da residência oficial de Passos também foram atacadas pelo escaravelho-das-palmeiras. O tratamento não teve resultado "satisfatório" e é "dispendioso". A solução é o abate, diz o Governo.

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  • Helena Pereira
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Chegou a Portugal em 2007 e já destruiu grande parte das palmeiras-das-canárias (Phoenix canariensis) do país. O escaravelho-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus), chamado vulgarmente por escaravelho-das-palmeiras, já afetou mais de meio milhar de palmeiras em Lisboa, incluindo 13 palmeiras do jardim do Palácio de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro.

Quando as folhas começam a secar e a cair pode já ser tarde demais. Como o escaravelho completa todo o seu ciclo de vida (ovo, larva, pupa e adulta) no interior da palmeira ou na base das folhas, quando se começam a notar os primeiros sinais de morte das folhas a infestação pode já estar numa fase avançada – podem coexistir na mesma palmeira mais de mil indivíduos. Nestes casos a única solução é o abate e destruição dos restos vegetais. E será este o destino das 13 palmeiras da residência oficial do primeiro-ministro.

Para prevenir a infestação ou para tratar os casos em que as plantas estão pouco afetadas podem ser realizadas podas cuidadas e tratamentos fitossanitários (com químicos ou agentes biológicos). “Em abril de 2013, foi feito um levantamento das espécies atacadas e efetuado um tratamento preventivo/curativo em 12 palmeiras durante três meses (instalação de tubos ao longo do tronco para injeção de produtos fitofármacos e nutrientes)”, respondeu, por email, ao Observador o gabinete de imprensa de São Bento. Mas o tratamento não apresentou os resultados esperados. “Do resultado desta ação seria elaborado um plano de trabalho, porquanto este tipo de tratamento é bastante dispendioso. O resultado não se mostrou satisfatório pelo que foi decidido proceder ao abate por corte e incineração de, inicialmente de sete palmeiras e posteriormente de mais seis palmeiras”, acrescentou.

No Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, a investigadora Filomena Caetano tem estudado a possibilidade de usar dois fungos existentes em Portugal – um do género Beauveria e outro do género Metarhizium – para combater esta praga. “Não devemos desistir desta luta entre planta e inseto. Na cidade de Lisboa temos alguns casos de sucesso, como algumas palmeiras do Campo Grande e também algumas palmeiras daquela zona emblemática do Campo das Cebolas”, disse a investigadora à Renascença.

O escaravelho de cor vermelha e pintas pretas é originário das regiões tropicais da Ásia, mas espalhou-se pelo norte de África e pela região mediterrânica. Em Espanha, foi detetado pela primeira vez em 1996, provavelmente transportado pelas palmeiras importadas do Egito. E já decorrem experiências para tentar acabar com a praga. Em Portugal, começou por atacar as palmeiras no Algarve, mas foi avançando para norte, sobretudo nos distritos do litoral, e em 2010 já tinha chegado ao norte do país. Também já existem casos registados na Madeira.

São mais de 20 as espécies de palmeiras que podem estar suscetíveis a esta praga, mas em Portugal a mais afetada é a palmeira-das-canárias. Embora não seja uma espécie nativa (originária de Portugal) é amplamente utilizada como planta ornamental em várias zonas do país.

 

 

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