A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, quer mudar a capital do país de Buenos Aires para Santiago del Estero, uma cidade a mais de 900 quilómetros a norte. Porquê? Por Buenos Aires ser alegadamente uma cidade geograficamente remota para o resto do país. A ideia parece insólita mas não é nova e tem mesmo vindo a percorrer a história da Argentina.

“Devemos começar a pensar em mudar a nossa capital federal, mais para o centro do país – provavelmente para aqui, Santiago del Estero, a mãe das cidades argentinas”, disse a presidente durante uma visita àquela cidade histórica, a mais antiga do país, a pretexto dos 455 anos desde a sua fundação.

Esta não é a primeira vez que Santiago del Estero, que tem uma população de 250 mil pessoas, surge como uma possibilidade para destronar Buenos Aires, que tem quase três milhões de habitantes, segundo os Censos de 2010. O nome já tinha vindo ao de cima em janeiro deste ano, numa proposta de Julián Dominguez, líder da câmara baixa do Congresso, que defende que a transferência da capital federal para esta cidade iria equilibrar o poder político na Argentina e incrementar o potencial da região estrategicamente localizada entre o Pacífico e o Atlântico.

A proposta de transferência da capital, no entanto, também já é histórica. Segundo o jornal britânico The Telegraph, já em meados do século XIX, o escritor argentino Domingos Faustino Sarmiento tinha sugerido mudar a capital para Martin Garcia, uma ilha no Rio da Prata, na fronteira com o Uruguai. Mais recentemente, na década de 80, o então presidente argentino Raul Alfonsin tinha proposto transferir a capital para a pequena cidade de Viedma, na Patagónia.

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Muitas foram as vozes críticas que se levantaram depois da declaração inusitada da presidente argentina, numa altura em que a economia entrou em recessão e o défice em incumprimento. “Não temos dinheiro para evitar o ‘default’, mas temos dinheiro para uma transferência faraónica da capital”, atirou José Luis Espert, comentador político e economista argentino.

Mas a verdade é que poucos são os argentinos que acreditam que a ideia vá para a frente, e a maior parte pensa até que a própria Kirchner tem pouca intenção de materializar a proposta.