Uma rapariga de 17 anos da minoria iraquiana yazidi, refém do Estado Islâmico, falou pela primeira vez sobre os abusos de que está a ser vítima. Não sabe onde está presa, juntamente com um grupo de mais de 40 raparigas desta minoria, e diz ser abusada sexualmente três vezes por dia. Os jihadistas deram-lhe um telemóvel obrigando-a a ligar diariamente aos pais para contar os abusos que está a sofrer.

Foram mesmo os pais, que depois de fugirem do avanço do Estado Islâmico conseguiram chegar a um campo de refugiados no Curdistão, que deram o número de telemóvel por onde têm sido contactados pela filha ao jornal italiano “La Reppublica”. A rapariga conta que chegaram à noite ao sítio onde estão atualmente e como as janelas têm barras, não consegue descrever onde está. Relata que com ela estão mais 40 raparigas, algumas com 12 anos e que todas são abusadas diariamente não só por homens fardados, mas também homens envergando vestes árabes tradicionais.

“Se um dia esta tortura acabar, a minha vida vai ser sempre marcada pelo que tenho sofrido nestas semanas. Mesmo se sobreviver, não sei como vou afastar este horror da minha cabeça”

Algumas das raparigas já se tentaram suicidar, outras são levadas por guerrilheiros e nunca mais voltam a aparecer e a maior parte já pediu que as matassem para não sofrerem diariamente estes abusos. “Já pedimos aos nossos carcereiros para nos darem um tiro, mas eles dizem que somos demasiado valiosas. Dizem que somos propriedade deles como uma cabra que compraram no mercado”, descreve a jovem.

As raparigas foram todas raptadas em Sinjar e os guerrilheiros retiraram-lhes os telemóveis. Mais tarde, os telefones foram devolvidos para elas poderem ligar aos pais e descrever o que os guerrilheiros lhes fazem – enquanto estes estão a ouvir e a rir. Seja como for, a rapariga diz que falar com os pais é importante e que a sua última esperança é que as forças curdas tomem a cidade onde está prisioneira, embora admita: “Eles já mataram o meu corpo, agora estão a matar a minha alma”.