Benfica

Começar a perder, virar e confiar no universo

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Edgar Abreu, um miúdo que se estreava a titular, marcou primeiro para o Nacional, mas Salvio e Jonas acabariam por virar o resultado (2-1). Benfica assinou 2.ª parte penosa e quase permitiu o empate.

Jonas marcou o segundo golo do Benfica e já leva dois na Liga Portuguesa (cinco ao todo)

AFP/Getty Images

Autor
  • Hugo Tavares da Silva

Cansados, sem andamento, desmotivados ou demasiado confiantes no universo? Não se sabe, mas este Benfica não está bem. O Nacional marcou logo no arranque, mas o Benfica virou ainda durante a primeira parte (2-1). Depois o jogo perdeu interesse. Muito. O árbitro, Bruno Paixão, também não ajudou nada e apitou a cada toque ou queda, o que contribuiu para a quebra do ritmo.

NACIONAL: Rui Silva, João Aurélio, Miguel Rodrigues, Zainadine, Marçal, Aly Ghazal, Boubacar, Edgar Abreu, Rondón, Suk, Marco Matias.

BENFICA: Julio Cesar, Maxi Pereira, Luisão, Jardel, André Almeida, Salvio, Enzo, Talisca e Gaitan, Jonas, Lima.

Os primeiros 20 minutos foram de loucos, embora nem por isso bem jogados. O Nacional marcou antes do primeiro minuto de jogo se esgotar. O Benfica até começou duro nos duelos, mas deixou-se dormir quando Rondón, do lado direito, fez um cruzamento atrasado para a entrada da área. Aí, apareceu Edgar Abreu, um menino da cantera, que rematou de primeira e fez a bola fugir a Júlio César, beijando o poste direito e descansando no conforto das redes, 1-0. Abreu, de 20 anos, esteve a atuar no Mirandela na época passada e não tinha um encontro de primeiro grau com o golo desde 2012/2013, quando era júnior e marcara nove golos no campeonato.

A primeira coisa que saltava à vista no lado encarnado era o regresso à fórmula Enzo-Talisca. Era uma má notícia para ambos. Péssima. O argentino não está talhado para jogar a número 6, não parece estar confortável (nem feliz) a receber perto da defesa e a tocar fácil para o lado. O brasileiro, o melhor marcador do campeonato, sofre do que sofreria um super-herói sem o poder mágico. O que seria do Homem-Aranha sem a capacidade de lançar as teias? Pouco. É como Talisca quando joga longe da baliza. Jogar de costas para a baliza e longe da mesma é um suplício. Parece um menino com boa vontade, mas que não sabe bem como se comportar…

A resposta ao golo da casa chegou prontamente, por Gaitán, mas sem sucesso. Ao contrário do que aconteceu aos 7′, quando Salvio cabeceou para o empate. Jonas lançou Gaitán na esquerda e o argentino, como é costume, fez um cruzamento à maneira para o segundo poste. Salvio saltou, voou, parece ter parado no ar e cabeceou. A bola parecia fácil, mas Rui Silva decidiu lançar-se e sacudir a bola. Sacudiu-a para dentro. O médio direito do Benfica já leva quatro golos no campeonato.

A Choupana é um estádio peculiar. Muitas vezes há nevoeiro, vento, os cânticos têm outro tom e a transmissão televisiva é feita de uma zona abaixo do normal, pelo que parece haver muito pouco espaço para jogar. Talvez ajude a compreender as dificuldades do jogo àqueles que dizem que há muito espaço para jogar quando veem do alto do piso 3 na Luz. O jogo estava mexido e continuaria assim, sem que houvesse momentos de brilhantismo.

Júlio César, que havia assinado uma belíssima exibição contra o Monaco, fechou a porta ao segundo golo dos madeirenses a seguir. A bola voltou a pingar à entrada da área e Marco Matias rematou forte, cruzado, mas o guarda-redes brasileiro empurrou para canto. A baliza parece estar bem entregue. Finalmente.

Rui Silva, um jovem guarda-redes de 20 anos, limpou a imagem do primeiro golo aos 19′. Salvio, com as mãos, lançou longo para a área, mas Ghazal cortou a bola. Jonas, “rato” como sempre, estava de costas para a baliza mas bastaram-lhe dois toques na bola para rematar. Boa defesa do madeirense para canto. O segundo golo das águias chegaria no seguimento. Mais uma vez, entre muitos ressaltos, Jonas foi o mais lesto e encostou para a baliza, 2-1.

Neste primeiro tempo haveria só mais duas notas de registo. A primeira para Gaitán, que é outro jogador. Antes ganhara a fama de só jogar e correr na Liga dos Campeões. Hoje, já corre para trás e para a frente, dá o litro e mostra outro compromisso. Talvez o usar da braçadeira em muitos jogos lhe tenha oferecido outra visão do que é jogar num grande clube. Esta lengalenga ficou provada à passagem da meia hora, quando o argentino marcou um livre bem perto da área madeirense e depois, qual Speedy González, apareceu junto a Júlio César para cortar a bola e evitar o golo de Rondón após contra-ataque venenoso.

O segundo momento digno de registo foi para Salvio, aos 33′. Talisca recuperou a bola e o ataque do Benfica desenrolou-se pela esquerda. Lima levantou a cabeça e picou a bola para o segundo poste, onde estava Salvio. O cabeceamento foi terrível, mau de mais. Talvez tenha fechado os olhos, talvez tenha pouco jeito. A bola saiu muito torta e foi delicioso ver a reação de Lima. O brasileiro sorriu e cabeceou na atmosfera, como quem diz “é assim, jovem”. Intervalo na Choupana.

A segunda parte não foi fácil. Nem para o Nacional, nem para o Benfica e muito menos para quem estava a ver a partida. Foi aborrecida, chata e desinteressante. Os jogadores são culpados, sim, mas não só: o hábito de os árbitros apitarem por tudo e por nada estraga os jogos. Ao mínimo contacto, os jogadores caem: “piiii”. Talvez não fosse mal pensado olhar para a Premier League. São os árbitros quem têm de mudar a realidade e convidar os jogadores a não caírem a toda a hora.

Este segundo tempo permitiu ainda uma outra conclusão: ou os jogadores do Benfica estão muito cansados ou vivem relaxados de mais, a confiar no resultado. Ou no universo, porventura. O jogo nunca esteve controlado pela equipa de Jorge Jesus. Samaris entrou para dar outro músculo ao meio-campo e empurrar Talisca para o ataque, mas nada mudou. Gaitán e Salvio ameaçam uma época penosa ao nível físico. Lima está sem gás e Enzo longe do que era. O que se passa?

Aos 70′ o árbitro Bruno Paixão parou uma jogada muito perigosa para o Nacional. Se apitou fora de jogo de Rondón, está errado. Fica a dúvida se apitou pé em riste, que também deixa dúvidas. Este lance voltou a fazer tremer o coração dos benfiquistas e de Jorge Jesus, que berrava e não era pouco. Sentia-se impotente. O empate prometia chegar a qualquer momento.

Lucas João (89′) e Camacho (90’+2) estiveram perto do empate muito perto do fim. Apesar dos sustos constantes, da pouca qualidade, da falta de controlo, andamento e fio de jogo, o Benfica voltou a somar três pontos, desta vez num campo tradicionalmente difícil. Jorge Jesus e companhia voltam à liderança, roubando-a das mãos do surpreendente Vitória de Guimarães.

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