Em comunicado, a Quercus considera haver “ameaças” que exigem uma intervenção naquela área natural que, atualmente, ocupa 69.773 hectares dos concelhos de Mértola e Serpa e que se estende ao longo do rio Guadiana, desde a zona a montante do Pulo do Lobo até à foz da ribeira do Vascão.

A associação sublinha o “valioso património natural” do parque e a intenção de em breve reintroduzir-se ali o lince-ibérico.

Contudo, explica, “o PNVG tem vindo a ser seriamente afetado por mudanças socioeconómicas, como os fenómenos da emigração e do envelhecimento da população, levando ao abandono das atividades do setor primário, as quais se revelam essenciais para a conservação da fauna selvagem”.

A Quercus alerta ainda para a “inexistência de saneamento básico em algumas povoações” na área do parque natural e o “aumento de atividades de lazer como o desporto motorizado de todo-o-terreno, o BTT e as atividades aquáticas motorizadas, suscetíveis de provocarem poluição da água ou de deteriorarem os valores naturais”.

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O agravamento da erosão do solo e desertificação, o elevado risco de incêndio, a captura e o abate ilegais de espécies protegidas, a utilização de artes ilegais de caça, o abandono de entulho, a abertura de caminhos e a construção de grandes empreendimentos turísticos são outros dos fatores apontados pelos ambientalistas como ameaça.

A Quercus defende, por isso, que haja um alargamento da área protegida, para preservar totalmente as áreas de ocorrência das populações de saramugo, bem como a implementação de ações que visem a conservação dos habitats prioritários, das aves e das margens das linhas de água.

Melhorar a gestão dos caudais e a qualidade da água do rio Guadiana e dos seus afluentes, melhorar a fiscalização e vigilância, criar um programa de apoio ao desenvolvimento rural e promover um programa de sensibilização e educação ambiental são outros das sugestões.