Guarani, Santos, Grémio, Portuguesa e Valência. Foi assim a vida de Jonas Gonçalves Oliveira entre 2004 e 2014. No verão chegou ao Estádio da Luz, para ocupar o vazio da partida de Cardozo. Os golos deram-lhe a mão desde o início. Há avançados assim, aos quais a bola respeita mais e dá um jeitinho. A autoridade, a calma e a classe gritam a cada correria, passe, drible ou remate. Na estreia marcou contra o Arouca, mas a fama chegou com o susto chamado Sporting da Covilhã, também para a Taça de Portugal: o brasileiro assinou um hat-trick (3-2). Desta vez marcou dois golaços nos primeiros seis minutos da partida contra o Moreirense (4-1), ajudando a carimbar o acesso aos oitavos-de-final. É o xerife da Taça.

Apesar de tudo, Salvio seria o melhor em campo. Foi uma exibição à antiga: andamento, passada larga, drible, golo, passes para golo e velocidade. Aos três minutos, e depois de uma receção sublime que desviou do caminho um adversário, tocou para o centro, para Jonas. À entrada da área, sem hesitar, Jonas preferiu não respeitar a tabela com o argentino e colocou fora do alcance de Marafona. Assim, de primeira, sem mais nem menos, 1-0.

Bastariam quatro minutos para Jonas bisar. Mas não há maneira de fazer coisas simples ou fáceis, ele gosta mesmo é de brilhar e encantar os adeptos. Uma jogada rápida de contra-ataque, na qual Jonas participou no arranque do projeto de golo, viu Gaitán combinar com o calcanhar de Derley e chegar rapidamente à área rival. O argentino levantou a cabeça e fez um passe rasteiro para Jonas, que esperava na área. O avançado parou a bola, bailou, tirou da frente o defesa com o calcanhar e rematou com a canhota, 2-0. São já sete golos com a camisola encarnada, o que o transforma no segundo melhor marcador da equipa, só atrás de Talisca (9). Entre os golos da equipa da casa, Cardozo, um avançado paraguaio que deu nas vistas no Vitória de Setúbal no ano passado, gozou de liberdade na área do Benfica e rematou com perigo: valeu Júlio César.

Este Moreirense de Miguel Leal costuma ser certinho, com cultura tática e agressividade na dose certa. Costuma ter coragem, rigor e tem o hábito de ser um osso duro de roer para os rivais. Mas não foi assim na Luz. O Benfica surgiu forte, como poucas vezes foi este ano. Havia dinâmica, a bola circulava mais rápido, os jogadores movimentam-se e tocavam fácil. Salvio, Gaitán, Jonas e Derley são quatro jogadores com os olhos na baliza. Não era uma missão fácil parar esta gente. A equipa de vermelho jogou com identidade, numa versão aproximada do que Jorge Jesus gosta de ver.

O vendaval ofensivo continuaria. Derley, com um remate acrobático, tentou, mas Marafona fechou a porta da baliza. Mas o terceiro chegaria pouco depois, aos 22′, por Salvio. Era o homem do jogo, claramente. Derley tocou para o corredor direito e o extremo argentino procurou Jonas na área, mas a bola seria cortada. Sobrou para Salvio, que encostou com a baliza deserta, 3-0. Estava fácil. Este Moreirense estava muito macio, com poucas faltas. Mas reduziria, aos 26′, por Cardozo, 3-1. O Benfica não sofria golos no Estádio da Luz desde 21 de setembro, curiosamente contra o Moreirense (3-1), para a Liga.

A segunda parte prometia ser mais calma. O Benfica joga na Rússia, contra o Zenit de Villas-Boas, na quarta-feira (17h), por isso era tempo de abrandar e poupar as pernas dos jogadores. Gaitán saiu logo ao intervalo. Até aos 60 minutos, sensivelmente, Enzo e Salvio sairiam também. Salvio teria tempo ainda para marcar um golo, o quarto da equipa de veste de vermelho e branco. A cereja no topo do bolo de uma bela exibição aconteceu aos 57′, depois de mais uma combinação deliciosa com Derley, o tal jogador que sabe tão bem como jogar de costas para baliza. Na área, Salvio impôs-se a um defesa e desviou de outro com uma facilidade impressionante. Depois escolheu por onde enfiar a bola com o pé esquerdo, 4-1. Dois minutos depois seria substituído. Boa exibição.

Esta segunda parte, que começou com um lance muito perigoso de Arsénio, teria poucos motivos de interesse. Derley e Jonas estiveram perto do golo. Cristante, com uma exibição discreta, embora às vezes pareça não ter as ideias muito claras, e Benito tiveram mais uma chance para conquistar Jorge Jesus. Talvez não seja desta ainda. Salvio e Jonas foram os melhores da equipa da casa. O Benfica volta a vencer o Moreirense para a Taça de Portugal, tal como aconteceu em fevereiro de 2008, cortesia de um tal de Rui Costa e Makukula (2-0).