A Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) decidiu manter inalterada a quota de produção de petróleo na reunião desta quinta-feira em Viena. O cartel decidiu não reagir à forte queda dos preços nos últimos meses e, como os mercados de matérias-primas já estavam a antecipar nas últimas horas, a produção ficou nos 30 milhões de barris de crude por dia. A decisão está a fazer os preços acentuarem as quedas no mercado, para as cotações mais baixas dos últimos quatro anos.

“Não há necessidade de entrar em pânico”, disse o secretário-geral da OPEP, Abdallah Salem el-Badri, à saída de uma importante reunião do cartel petrolífero. O responsável diz que a OPEP está “pronta para responder a desequilíbrios no mercado” mas afirmou, também, que os 12 países do cartel têm de “viver com as novas circunstâncias”. A próxima reunião ordinária da OPEP é em junho.

O preço do petróleo, que já estava a cair antes da confirmação da decisão, está a acentuar as perdas. O petróleo negociado em Londres, o Brent, estava pelas 16h a perder mais de 5% para uma cotação inferior a 74 dólares por barril, mínimo desde agosto de 2010, segundo a Reuters. As empresas petrolíferas estão a ser penalizadas pela decisão, com as ações do setor a cair nas bolsas europeias. Em Lisboa, a Galp Energia recua 3,25% para 10,575 euros.

As expectativas em torno de uma possível redução das quotas de produção esvaziaram-se na quarta-feira com uma declaração do ministro do Petróleo da Arábia Saudita. “O mercado acabará por estabilizar-se, eventualmente”. A frase, proferida na quarta-feira pelo ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali al-Naimi, esvaziou as expectativas que existiam nos mercados de matérias-primas de que a OPEP poderia cortar a produção esta quinta-feira. A reunião do cartel, em Viena, está no centro de todas as atenções nos mercados internacionais, tendo em conta a queda abrupta dos preços do petróleo nos últimos meses.

A descida da procura por petróleo na Europa e na Ásia e, por outro lado, a produção de gás de xisto nos EUA – que está a tornar o maior consumidor de petróleo do mundo cada vez menos dependente do exterior – têm vindo a penalizar os preços do crude nos últimos meses. Perante sinais de um excesso de oferta no mercado, gerou-se a expectativa de que a OPEP poderia limitar a produção.