Conservação da Natureza

Ursos, lobos e linces à solta na Europa

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Os grandes carnívoros da Europa estiveram quase extintos em meados do século XX. Agora ocupam pelo menos um terço do território.

À medida que a população humana cresce na Europa e as habitações entram cada vez mais no espaço ocupado pela vida selvagem, os animais encontram maneiras de sobreviver nas cidades – há raposas em Londres, javalis em Berlim ou corujas em Lisboa, só para dar alguns exemplos. Mas cerca de um terço do território europeu tem neste momento capacidade para acomodar pelo menos um dos maiores carnívoros europeus – urso-pardo, lobo, lince e carcaju -, segundo um estudo publicado esta sexta-feira na Science.

“Mostrámos que cerca de um terço do continente europeu acolhe pelo menos uma espécie de grande carnívoro, com uma abundância estável ou crescente na maioria dos casos registados no século XXI. As razões para este sucesso global de conservação incluem legislação protetora [como diretiva Habitats], o apoio da opinião pública e uma variedade de práticas que permitiram que a coexistência entre estes grandes mamíferos e as pessoas fosse possível. A situação europeia revela que os grandes carnívoros podem partilhar a mesma paisagem”, conforme se lê no artigo.

Um regresso dos carnívoros, depois que quase se terem extinto em meados do século XX, não se fez sem conflitos. Como os conhecidos casos de conflito entre as populações humanas e os lobos-ibéricos em Portugal. O líder da equipa de 76 investigadores de 26 países, Guillaume Chapron, admite que os lobos podem ser vizinhos difíceis, como cita o Guardian.

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Distribuição dos grandes carnívoros (infografia El Pais, fonte Science)

“Não estou a dizer que é uma história de paz e amor – coexistência muitas vezes significa conflito – mas é importante gerir esse conflito, mantê-lo num nível baixo e resolver os problemas causados”, acrescentada o membro da Iniciativa para os Grandes Carnívoros da Europa (Large Carnivore Iniciative for Europe). “Não devíamos falar do conflito pessoas-predadores, temos conflitos entre pessoas sobre predadores. Estes animais são o símbolo das questões difíceis sobre a maneira como usamos a terra.”

Tirando o lince-ibérico, considerado o felino mais ameaçado do mundo, que tem sido alvo de programas de reprodução e que foi esta semana reintroduzido pela primeira vez em Portugal, estes grandes carnívoros estudados pela equipa de Guillaume Chapron não foram alvo de campanhas significativas de reintrodução – exceção para o lince-euroasiático.

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