A manipulação genética continua a ser um tema eticamente controverso, o que não impede o desenvolvimento de novas tecnologias e empresas. Começam agora a surgir startups a apostar na “impressão de ADN sintético”, ou seja, a criar de raiz o conteúdo genético de seres vivos. Leu bem: já é possível criar organismos a partir da imaginação e de um computador.

A Cambrian Genomics faz e vende ADN, a matéria-prima dos genes. Usam uma impressora laser capaz de combinar os constituintes da cadeia de ADN que formam os genes e por sua vez os cromossomas. Por outras palavras, conseguem produzir, em teoria, tudo o que for vivo: um microrganismo capaz de produzir um antibiótico específico, uma flor que brilha no escuro e até um animal, diz Austen Heinz, o diretor executivo da Cambrian Genomics.

A empresa com sede em São Francisco (Califórnia, EUA) angariou 10 milhões de dólares de mais de 120 investidores, que não hesitaram em alinhar com as ambições de Austin Heinz: “nós queremos fazer organismos que nunca existiram”. Para já, a tecnologia de impressão de material genético está a ser usada na produção de ADN para companhias farmacêuticas — que são usados na produção, por exemplo, de testes clínicos laboratoriais.

Mas Austin Heinz não tem problema em assumir o que pensa sobre o assunto e o que pretende fazer na Cambrian Genomics: “Eu não quero acreditar que daqui a 10 ou 20 anos as pessoas não queriam projetar os seus filhos digitalmente”. Ele acredita que a tecnologia vai permitir ao Homem livrar os futuros filhos de doenças genéticas, crescer, viver e envelhecer melhor.

Ao contrário da manipulação genética que utiliza embriões, a síntese de ADN não está regulamentada. O diretor da Cambrian Genomics espera que sejam as empresas do ramo a fazer a gestão e autorregulação, de modo a “não criar nada de mau ou negativo”.