A derrocada dos preços do petróleo nos mercados internacionais continua. Esta quarta-feira os preços do barril negociado em Londres, que servem de referência para as importações nacionais, baixaram para menos de 50 dólares por barril. O valor, que é metade do que era a cotação há quatro meses (em dólares), corresponde a um mínimo desde maio de 2009.

O barril de petróleo do Mar do Norte negociado na InterContinental Exchange (ICE), em Londres, tocou esta quarta-feira os 49,96 dólares, em mais um dia de quedas para a cotação da matéria-prima nos mercados. A cotação está a cair 2% na quinta sessão consecutiva a descer. São cada vez maiores os sinais de aumento da produção em países como a Rússia e o Iraque. E também cada vez mais os dados económicos pouco animadores para as economias da Europa e da China. Este desequilíbrio crescente entre oferta e procura está a penalizar os preços do crude. Em Nova Iorque, a cotação está nos 47,17 dólares, segundo a Bloomberg.

Petróleo em Londres abaixo dos 50 dólares

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Os preços do petróleo negociados em Londres caíram para metade no espaço de quatro meses. Fonte: Bloomberg

 

Este valor corresponde a um mínimo desde maio de 2009. Um dos fatores que ajudam a compreender a descida abrupta do preço do crude é que a oferta está a aumentar – sem que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) faça o que quer que seja para contrariar este facto – mas também a procura dá sinais de diminuir, sobretudo na Europa e na China. E também nos EUA, que continuam a ser o maior consumidor mundial de petróleo (e uma economia que está a crescer a um ritmo anual superior a 3%) mas que estão muito próximos da autonomia energética graças à revolução do petróleo e do gás de xisto.

Os países mais influentes no interior da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) estarão na disposição de deixar os preços do crude deslizarem até 40 dólares por barril, antes de convocarem uma reunião de emergência para debater a queda da matéria-prima nos mercados internacionais. A informação foi adiantada em meados de dezembro pelo jornal britânico The Telegraph, que citava Suhail al-Mazouei, ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, um dos estados que integra aquele cartel. “Não vamos mudar de ideias porque os preços baixam para 60 ou 40 dólares”, referiu aquele responsável em declarações à Bloomberg durante uma conferência realizada no Dubai, numa iniciativa que veio a reforçar a tendência de queda nos preços do petróleo.