A última onda de “cruéis ataques” do grupo radical islâmico Boko Haram no nordeste da Nigéria levou 11.320 pessoas a fugirem para o vizinho Chade em apenas alguns dias, anunciaram as Nações Unidas. Os fundamentalistas atacaram a 3 de janeiro a cidade de Baga, no estado de Borno, que depois destruíram pelo menos 16 localidades nos arredores.

Embora tenha sido impossível até agora uma verificação independente das informações sobre a chacina, teme-se que o ataque tenha sido o pior massacre desde o início da revolta do Boko Haram, em 2009. Cerca de 20 mil pessoas terão fugido das suas casas naquela zona desde o ataque e, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), 11.320 chegaram ao Chade.

Sessenta por cento das novas chegadas ao Chade foram mulheres e crianças, disse aos jornalistas em Genebra o porta-voz do ACNUR William Spindler, adiantando que 84 crianças sozinhas também atravessaram a fronteira.

Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, criticou os “cruéis ataques contra civis” atribuídos ao Boko Haram, nomeadamente o de sábado no mercado de Maiduguri, capital do estado de Borno, que matou 19 pessoas e que terá sido realizado por uma menina de 10 anos. “A utilização de uma criança para detonar uma bomba é não só moralmente repugnante como constitui uma forma de exploração infantil de acordo com a lei internacional”, disse, pedindo ao Governo da Nigéria para “agir rapidamente para restaurar a lei e a ordem”.

O Boko Haram, que luta desde 2009 para instaurar um estado islâmico no norte da Nigéria, maioritariamente muçulmano, ao contrário do sul, de maioria cristã, causou cerca de 13.000 mortos e 1,5 milhões de deslocados nos últimos cinco anos.