A oferta de serviços na linha de Cascais vai ser substancialmente reduzida a partir da próxima segunda-feira, dia 18 de janeiro. Os novos horários anunciados pela CP penalizam essencialmente os serviços fora da hora de ponta. Entre as dez horas da manhã e as cinco da tarde, deixa de haver serviços rápidos, o que significa que os comboios param em todas as estações entre Cascais e Lisboa.

A empresa mantém a oferta nas horas de ponta da manhã, entre as sete as dez horas, mas a hora de ponta passa a acabar mais cedo, na medida em que os comboios voltam a parar em todas as estações a partir das oito da noite. No atual horário o último comboio rápido parte de Lisboa às 20h48. O tempo máximo de viagem neste percurso pode aumentar até sete minutos para quem tem de trocar os serviços rápidos por comboios que param nas 16 estações. O horário continua a assegurar uma frequência de 20 em 20 minutos.

Comparando os horários em vigor e os novos, o número de serviços suprimidos representa cerca de 20% da oferta hoje disponível. Segundo fonte oficial da CP, o número total de circulações num dia útil passa de 251 para 200 (menos 25 para o Cais do Sodré menos 26 para Cascais). A oferta mantém-se igual durante o fim de semana.

Em respostas ao Observador, a CP diz que estas alterações “garantem a resposta de serviço à procura existente na linha e a capacidade de lugares oferecidos cobre largamente o volume de procura. É de salientar que nos comboios da família de Oeiras, no horário entre as 10-17 horas, no momento atual as taxas médias de ocupação rondam os 11%; nos comboios para Cascais situam-se nos 22%.”

Novos horários podem afetar 24% dos passageiros

Ainda de acordo com dados avançados ao Observador pela CP, cerca de 19 mil passageiros viajam em períodos fora da hora de ponta, o que equivale a 24% do total do número de pessoas que usa os comboios nos dias úteis. A linha de Cascais tinha uma frequência média de 80250 passageiros em cada dia da semana. O nível de procura recuperou em 2014. A CP justifica o novo horário com uma gestão mais eficaz do material circulante, de forma a incrementar os níveis de fiabilidade e pontualidade do serviço nesta linha sem aumento de custos.

Devido à falta de investimento em material circulante, mas também na renovação da infraestrutura, a qualidade da oferta nesta linha tem vindo a degradar-se nos últimos anos, com vários serviços suprimidos devido a avarias, sobretudo nos comboios que estão frequentemente a precisar de reparações. Já em 2011, a empresa se viu obrigada a eliminar os serviços rápidos que ligavam S. Pedro a Cais do Sodré devido a problemas no material circulante.

CP assume que comboios precisam de manutenção exigente e frequente

“É um facto assumido por esta empresa que o material circulante em serviço na linha de Cascais, cuja substituição não é viável no curto prazo, tem necessidade de operações de manutenção profunda, exigentes e frequentes. A CP tem necessidade de assegurar o serviço aos clientes (que está garantido com o novo horário), fazendo uma gestão dos recursos materiais adequados aos constrangimentos”.

O investimento necessário para renovar a Linha de Cascais chegou a ser equacionado no quadro da subconcessão a privados, mas este projeto que ainda chegou a ser anunciado pelo anterior governo, e confirmado por este, não chegou a avançar.

Apesar da redução da oferta, os preços vão manter-se. A empresa lembra que a política tarifária é definida pela tutela, por determinação do governo, e que não estão previstas reduções de preços nas linhas suburbanas. Ainda assim realça que tem feito uma grande aposta nas promoções, sobretudo na linha de Cascais.

Os novos horários entram em vigor a 18 de janeiro, já na próxima segunda-feira. Estão a ser comunicados esta quarta-feira depois da autorização dada Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa dada na véspera.