Em liberdade, José Sócrates “tem condições para pressionar a justiça” e, por isso, o Ministério Público quer que o ex-primeiro-ministro continue em prisão preventiva, noticia o Correio da Manhã, nesta terça-feira.

Segundo o jornal, para o procurador Rosário Teixeira “não só os indícios [de crime] se mantêm, como se agravaram”, nos últimos dois meses. Os elementos apreendidos no Barclays e no Deutsche Bank e a informação bancária que chegou da Suíça, vêm ajudar a fundamentar os crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude social. O Correio da Manhã não identifica a origem destas informações.

Relativamente às entrevistas e declarações públicas de José Sócrates, nos últimos meses, o jornal conta que para o procurador Rosário Teixeira estas “são entendidas como pressões”. Então, em liberdade, o ex-primeiro-ministro terá “condições para pressionar a justiça”, sendo esta mais uma das razões para o manter em prisão preventiva, de acordo com o jornal.

A posição do Ministério Público seguirá esta semana para a Relação de Lisboa, onde o processo, ao que tudo indica, será distribuído naquele tribunal superior. Depois, o Ministério Público terá de pronunciar. Aí, a defesa do ex-primeiro-ministro tem 10 dias para voltar a rebater os indícios.

Só após estas respostas é que três juízes desembargadores vão avalizar o processo. Mas este será um momento importante para a investigação. Vai ser a primeira vez que o Ministério Público e o juiz Carlos Alexandre serão sujeitos a um crivo externo.

Também nesta terça-feira, no Diário de Notícias, o advogado de José Sócrates, João Araújo, afirma existir uma “obsessão” para prender e condenar o ex-primeiro-ministro.”Prender Sócrates, julgar Sócrates, condenar Sócrates, passou a ser o projeto, a obsessão, o entalhe final” da judicialização da luta política. João Araújo acusa Carlos Alexandre de atuar mais como um investigador do que como o juiz das garantias e liberdades.