O líder socialista propôs esta manhã que os investimentos feitos por estrangeiros para terem direito aos vistos Gold sejam canalizados para um fundo de capitalização de empresas endividadas, gerido por uma entidade pública. Atualmente os empresários que pedem vistos Gold investem diretamente nas empresas ou compram imobiliário, e António Costa quer alterar estas regras, passando a ser uma entidade pública, por exemplo o IAPMEI, a decidir quais as empresas endividadas em que o fundo de capitalização deve investir.

O fundo de capitalização funcionaria assim como uma espécie de banco de investimento público, mas com fundos de várias fontes. Ou seja, o dinheiro do fundo pode provir dos investimentos de empresários que queiram obter vistos Gold, mas também reembolsos de fundos comunitários ou empréstimos públicos. Um fundo com esta configuração não existe atualmente e será o mais próximo da atuação do banco do fomento.

António Costa esteve esta manhã reunido com empresários, antes do debate de urgência que os socialistas marcaram para esta tarde na Assembleia da República sobre investimento. Depois da reunião, que durou cerca de três horas, Costa defendeu que para impulsionar o investimento é necessário dinamizar os fundos europeus e criar mecanismos para capitalizar empresas.

Aos jornalistas começou por dizer que “é fundamental que os fundos comunitários cheguem à economia com urgência”. E acrescentou que “é fundamental criar mecanismos de capitalização de empresas. Hoje temos o crédito mais fácil, temos o BCE a baixar as taxas juro e a criar condições de liquidez para a banca, mas temos as empresas com níveis de capitalização baixos ou muito endividadas”, próximos de 30%, disse. E por isso, disse, além de ser necessário perceber “qual vai ser a função do famoso banco do fomento – que há quatro anos que não ata nem desata”, é preciso “criar mecanismos que permitam reorientar os investimentos mobilizados pelos vistos Gold, que têm sido utilizados sobretudo para escoar o imobiliário paralisado na banca, para um fundo de capitalização que possa ser utilizado – por exemplo pelo IAPMEI – para capitalizar empresas“.

A proposta ainda está a ser estudada. Para já, o socialista não avança qual a dimensão prevista para o fundo nem qual o desenho da gestão do fundo. Além do IAPMEI, pode ser gerido pela própria Caixa Geral de Depósitos ou pelo Banco do Fomento.

António Costa esteve numa reunião de trabalho com os deputados socialistas sobre investimento. Na reunião, participaram algumas associações empresariais e empresários. Esteve ainda presente no encontro António Rebelo de Sousa, irmão de Marcelo Rebelo de Sousa. O economista, presidente do Instituto Benjamim Franklin – o instituto criado no ano passado para promover as relações entre Portugal, os PALOP e os EUA -, participou na reunião a título individual.