Liberdade de Imprensa

Livro “Diamantes de Sangue” registou 15 mil partilhas em menos de 48 horas

O ativista e jornalista angolano Rafael Marques viu o seu livro "Diamantes de Sangue", disponível para download grátis no site da Tinta da China, atingir as 15 mil partilhas em menos de 48 horas.

Diamantes de Sangue relata, em detalhe, mais de 500 casos de tortura e 100 casos de homicídios perpetrados em 18 meses nos municípios do Cuango e Xá-Muteba.

Joao Relvas/LUSA

O livro “Diamantes de Sangue”, do ativista e jornalista angolano Rafael Marques, disponibilizado gratuitamente na Internet pela editora Tinta da China, registou 15 mil partilhas em menos de 48 horas, disse à Lusa a diretora editorial.

“O livro registou oficialmente cerca de 15 mil partilhas apenas a partir dos sítios da editora (Tinta da China) e ‘Maka Angola’, de Rafael Marques, desde segunda-feira”, disse Bárbara Bulhosa.

A responsável sublinhou que o número real de consultas “é superior” porque o livro em formato digital pode ser igualmente partilhado e consultado a partir de páginas pessoais, blogues, redes sociais ou outras publicações na Internet e que escapam à contabilidade oficial da Tinta da China.

O livro “Diamantes de Sangue” ficou disponível gratuitamente, através da Internet, no dia 24 de março ao fim da tarde, numa ação de solidariedade da editora, um dia antes do início do julgamento do autor, em Luanda.

“Desta forma os angolanos que não têm acesso ao livro podem consultá-lo”, disse Bárbara Bulhosa.

Rafael Marques é acusado de “denúncia caluniosa”, por ter exposto abusos contra os direitos humanos na província diamantífera angolana da Lunda Norte, com a publicação, em Portugal, em setembro de 2011, do livro “Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola”.

Os queixosos são sete generais, liderados pelo ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior, conhecido como “Kopelipa”, e os representantes de duas empresas diamantíferas.

O julgamento que teve início na terça-feira no Tribunal Provincial de Luanda acabou por ser suspenso até ao dia 23 de abril, porque foram apresentadas novas queixas sem que o arguido tivesse sido notificado.

“Estou cada vez mais preocupada porque o Rafael preparou-se para nove acusações mas chegou ao tribunal e passou a ter mais 15 novas acusações sem ter sido notificado. É óbvio que isto é preocupante”, salientou Bárbara Bulhosa.

Na terça-feira, Rafael Marques explicou à Lusa que julgamento foi adiado por “questões processuais”, acrescentando que o processo o motiva “ainda mais” a continuar a denunciar abusos de direitos humanos em Angola.

“Isto não me vai fazer desistir de absolutamente nada. Antes pelo contrário. Isto só vem dar-me mais ânimo”.

Entretanto, a seção portuguesa da Amnistia Internacional (AI) disse à Lusa que a organização vai solicitar um encontro com o primeiro-ministro de Portugal Pedro Passos Coelho no sentido de sensibilizar as autoridades angolanas sobre o julgamento de Rafael Marques.

Além dos encontros que vão ser solicitados ao primeiro-ministro e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, a Amnistia Internacional vai pedir encontros com o Departamento de Estado norte-americano, em Washington, e com o chefe da diplomacia brasileira, Mauro Vieira, em Brasília.

“Portugal faz neste momento parte do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, tornando-se ainda mais importante o encontro com o governo português sobre Rafael Marques”, disse à Lusa Teresa Pina, diretora da seção portuguesa da AI.

A Amnistia Internacional lançou na passada sexta-feira uma petição na Internet que, segundo Teresa Pina, foi subscrita por 3.492 pessoas através da página da seção portuguesa da organização.

A campanha lançada em todo o mundo regista um especial envolvimento das secções de Portugal, Estados Unidos e Brasil e pode ser consultada através da página oficial da organização na internet.

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