Foi numa sala ainda mais apinhada de gente do que quando António Costa renunciou ao cargo que Fernando Medina se tornou esta segunda-feira presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Quinze minutos depois da hora marcada, o até agora vice-presidente da autarquia entrou acompanhado por Costa e, sob um aplauso efusivo, cumprimentou Mário Soares, Jorge Sampaio, Ferro Rodrigues, Eduardo Lourenço, Sampaio da Nóvoa e outras personalidades que estavam na primeira fila.

Já com a medalha de edil ao peito, as primeiras palavras de Medina foram para Costa, que tratou como “caro António” e a quem agradeceu os oito anos de mandato. “Lisboa superou uma profunda crise institucional e financeira”, disse, afirmando que Costa conseguiu estabelecer “uma relação única com a cidade e as suas gentes” e deixou os habitantes “mais perto dessa cidade com que todos sonhamos.

Depois, pegando numa ideia que o antigo autarca já havia usado na quarta-feira, aquando da renúncia, falou do futuro. “Agora que temos a casa arrumada”, repetiu, “é tempo de uma nova ambição”. E enunciou a visão que tem para a cidade, na qual diz ser preciso criar mais emprego, investir em infraestruturas e defender os direitos sociais.

“Em Lisboa, nós não desistimos, não recuamos perante as dificuldades da conjuntura”, disse Medina, que anunciou como “prioridade” do mandato a criação de um “vasto programa de habitação com renda acessível”. Os moldes desse programa já estão a ser estudados e terão apresentação pública a curto prazo, segundo foi possível perceber. Para já, fica a ideia de que ele deverá destinar-se a “cinco mil famílias”

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Fernando Medina, que tem 42 anos e destacou “o privilégio de ter crescido sempre em liberdade”, referiu no seu discurso que pretende trabalhar para pessoas de todas as idades. “Aqui ninguém fica para trás, todos têm oportunidades”, disse, além de ter enunciado algumas metas já para este ano: acelerar o plano de acessibilidade pedonal, iniciar mais obras na frente ribeirinha, começar os trabalhos das novas ligações ao Castelo e criar a primeira praça no âmbito do programa Uma Praça em Cada Bairro.

Independentes reforçados no executivo

No fim do discurso, Fernando Medina tinha à sua espera um aplauso tão longo e entusiástico como o que António Costa teve na quarta-feira, quando renunciou. Tinha também à espera uma longa fila de pessoas que queriam cumprimentar o novo autarca. À semelhança do que já acontecera no início, Soares e Sampaio foram os primeiros a apertar a mão a Medina. Sampaio da Nóvoa, putativo candidato à Presidência da República, rapidamente desapareceu dos olhares dos jornalistas.

Com a saída de António Costa da câmara, é um eleito pelas listas dos independentes Cidadãos Por Lisboa que sobe ao executivo. Trata-se de João Paulo Saraiva, que deverá ser o novo vereador das Finanças, cargo até aqui ocupado por Medina, além da vice-presidência. Para esse posto, ainda não há um nome definido.

“Em princípio, serei”, disse um sorridente João Paulo Saraiva, engenheiro de formação e até aqui dedicado a atividades empresariais, remetendo para quarta-feira mais novidades sobre a futura vereação.