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A Grécia terá de usar as restantes reservas de tesouraria que ainda tem nos vários departamentos da administração pública grega – cerca de dois mil milhões de euros – para pagar salários aos funcionários públicos e pensões no final deste mês, noticia esta sexta-feira a agência Reuters, citando responsáveis do Ministério das Finanças grego. Yanis Varoufakis garante que a Grécia ainda tem dinheiro.

Numa altura em que Bruxelas anuncia nova ronda de negociações para o fim-de-semana, e em que o FMI diz que antes de junho não deve haver acordo, surgem novas notícias que dão conta das dificuldades de tesouraria da Grécia.

Não é de hoje que se sabe que o Governo tem procurado nas reservas de tesouraria de vários institutos e departamento governamentais uma forma de conseguir ir honrando as suas obrigações com os seus credores, mas o fundo do tacho pode estar próximo. Segundo a agência Reuters, restam apenas dois mil milhões de euros de reservas de tesouraria e o Governo vai usá-los para pagar salários e pensões no final deste mês. “Este é o último pedaço de dinheiro que o Estado grego tem”, afirmou um alto responsável do Ministério das Finanças grego, em declarações à Reuters.

Nos últimos meses, com as dificuldades que o Governo grego tem tido de conseguir dinheiro nos mercados e sem conseguir um acordo com os credores que permita desbloquear os 7,2 mil milhões de euros da última tranche do empréstimo europeu (e de parte do programa do FMI que correrá até 2016), o Governo grego tem usado as reservas de vários departamentos e empresas públicas para pagar salários e pensões. Ente eles está o metropolitano de Atenas, mas também fundos europeus destinados à Agricultura e dinheiro da Segurança Social para pagamento de subsídios de desemprego, maioritariamente.

Caso o Governo não use esse dinheiro, dizem os mesmos responsáveis, as contas do Governo ficam no vermelho já no dia 20 (segunda-feira), faltando-lhe 1,6 mil milhões de euros para pagar salários e pensões este mês. O maior problema deverá acontecer já no próximo dia 12 de maio, altura em que o Governo grego tem de pagar 950 milhões de euros ao FMI, que já fez saber que não aceita um pedido de extensão no prazo de pagamento.

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