Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Das eleições de 2011 não saiu uma maioria absoluta, o que obrigou o PSD e o CDS a formarem um Governo. De um entendimento inicial cauteloso, os dois partidos trabalharam de forma pacífica até 2012, altura em Pedro Passos Coelho quis avançar com o aumento da TSU contra a opinião de Portas. Menos de um ano depois, um novo problema entre Portas e Passos devido à ‘TSU dos pensionistas’. O líder do CDS demite-se do Governo em julho por causa da substituição de Vítor Gaspar mas a decisão “irrevogável” foi revogada e Portas acaba promovido no Governo. A saída do programa de resgate e as eleições europeias marcaram o ano de 2014.

  • Acordo de coligação, junho de 2011

O PSD venceu as eleições, mas sem maioria absoluta e Passos Coelho anunciou logo o início das conversações com o CDS para uma maioria. “No decorrer desta semana, os dois partidos estarão em condições de proceder à assinatura pública do acordo político de Governo e da respetiva base programática”, disse Passos e, passada uma semana, o Governo de coligação tomou posse. O CDS tinha três ministros, o PSD tinha cinco e havia quatro independentes na equipa.

  • A TSU, setembro de 2012

Pedro Passos Coelho anunciou a diminuição da TSU, contribuição das empresas para a Segurança Social, em mais de 5% e, em contrapartida, o Governo queria aumentar a contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social para 18%. O anúncio destas medidas fez com que o Executivo enfrentasse a sua maior manifestação. O protesto foi organizada pelo movimento “Que se lixe a troika”. Ao mesmo tempo, Paulo Portas, à época ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, dá notas das primeiras grandes divergências no seio do Governo com uma declaração pública. Passados poucos dias, o primeiro-ministro admitiu a possibilidade de estudar alternativas à TSU e a proposta caiu.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

  • O episódio irrevogável da coligação, maio a julho de 2013

A maior crise na coligação começou em maio de 2013 e durou até julho. A CES, Contribuição Extraordinária de Solidariedade, aplicada aos pensionistas causou mal-estar público entre Paulo Portas e Passos Coelho. O social-democrata garantiu que a medida tinha apoio do CDS, mas Portas chamou-lhe a TSU dos pensionistas e assinalou aí a “fronteira” que não ia deixar ultrapassar. A 1 de julho demite-se Vítor Gaspar, um dos ministros mais fortes do Governo e é anunciado que a sua sucessora será Maria Luís Albuquerque, então secretária de Estado do Tesouro. No dia seguinte, Paulo Portas apresenta a demissão e apresentou publicamente a carta que endereçou ao primeiro-ministro em que dizia que a sua decisão era “irrevogável”. Mas não o foi. Passos não aceitou a demissão e o Presidente da República pediu consenso. Portas subiu a vice-primeiro-ministro, levava Pires de Lima para a pasta da Economia. O Governo também aumentou com a entrada de Moreira da Silva para o Ambiente.

  • A saída do resgate, 17 de maio de 2014

“O 17 de maio de 2014 ficará na nossa história como um dia de homenagem a todos os Portugueses, porque sem o esforço de todos não teria sido possível chegar até aqui”, disse Passos Coelho ao anunciar a saída limpa de Portugal do memorando de entendimento. “Será o dia de homenagem a cada um de vós, o dia em que a nossa liberdade de decisão foi reconquistada por cada um de vós”, afirmou então o chefe do Executivo. Paulo Portas comparou esta data a 1640 e até preparou um relógio no Largo de Caldas para a contagem de crescente da saída do programa de ajustamento financeiro.

  • Eleições europeias, 26 de maio de 2014

Os dois partidos concorreram coligados às europeias e o resultado não foi bom. O partido ficou em segundo e os dois partidos perderam eurodeputados. “A Aliança Portugal ficou, evidentemente, aquém das suas expetativas. Perdemos estas eleições e eu quero, no que me toca, reconhecer a responsabilidade política por este resultado”, afirmou depois Passos Coelho. No entanto, disse ainda que “nem a derrota da Aliança Portugal foi tão grande quanto se prognosticou nem a vitória do PS foi tão folgada quanto foi anunciado”. Passados poucos dias, a polémica estava instalada no PS e António Costa sucedeu a Seguro.