Novo Banco

Santander Totta e o Novo Banco: “Haverá outras oportunidades”

Banco fecha o primeiro trimestre com um aumento dos lucros e diz que não ficará "nada preocupado se amanhã for excluído" da corrida pelo Novo Banco.

MÁRIO CRUZ/LUSA

O presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, diz que “não ficará preocupado se amanhã for excluído” da corrida pelo Novo Banco. Recusando, ainda assim, reconhecer publicamente que o interesse tenha esmorecido, o banco – que se acredita ter feito a oferta mais baixa pelo Novo Banco – diz que “haverá outras oportunidades”.

Recorrendo a uma metáfora marítima (“há mar e mar”…), António Vieira Monteiro garante que não sabe se as ofertas concorrentes são mais altas ou mais baixas do que a que o Santander Totta avançou, mas diz que “não ficará preocupado” se o banco for excluído da corrida.

Garantindo que o interesse não esmoreceu, até porque tem “uma equipa de 40 pessoas a trabalhar no processo”, António Vieira Monteiro sublinha que “é errado” o número que circulou nas últimas semanas na imprensa e que dizia que o Santander Totta tinha apresentado uma proposta de apenas dois mil milhões de euros, o que fica abaixo do que se admite que outros concorrentes estejam a apresentar.

Com vários analistas a apostarem que o Novo Banco acabará por ser comprado por uma entidade chinesa, António Vieira Monteiro diz que, quanto ao crescente investimento em Portugal por parte de entidades chinesas, que “todo o investimento estrangeiro, desde que cumpra as regras do país, é bem vindo, e portanto, se o investimento cumprir as regras do país é bem vindo”.

Vieira Monteiro sugere que Concorrência teria “algo a dizer” quanto a fusão BCP-BPI

O presidente do Santander Totta não se alongou, na conferência de imprensa desta quarta-feira, sobre os últimos desenvolvimentos no BPI, tanto quanto à OPA do Caixabank como a proposta de fusão com o BCP.

“O que se passa no BPI é um problema interno do BPI que nós, como devem compreender, estamos a seguir com atenção mas sobre o qual não temos qualquer opinião”, diz Vieira Monteiro, sublinhando que “o que queremos é que o banco desempenhe as suas funções bem como tem feito até agora, como concorrente”.

Ainda assim, considerando que é “prematuro” falar de uma fusão, António Vieira Monteiro salienta que “quando se fala neste tipo de concentração há que ter em conta as autoridades da Concorrência podem ter a dizer”.

“O que mais me preocupa é ter um montante de ativos muito elevado, o que mais me preocupa é ter uma instituição que além de prestar bom serviço à sociedade e à economia, que seja rentável”, afirma Vieira Monteiro.

Mais do que um tipo de investidores comprou papel comercial

Tal como tinha feito Nuno Amado, do BCP, também António Vieira Monteiro não se escusou a comentar a questão do papel comercial do BES, o que considera ser “uma situação relativamente especial, porque dentro daquilo que chamamos o papel comercial existem vários tipos de clientes” e “a análise tem de ser feita a segmentação das pessoas que sabiam ou não sabiam onde estavam a investir”.

“Em termos genéricos temos de analisar o problema sempre do ponto de vista que os diferentes clientes podem ter diferentes soluções”, afirma Vieira Monteiro, defendendo, também, sobre a eventual recondução de Carlos Costa à frente do Banco de Portugal, que “da análise que nos fazemos do trabalho de Carlos Costa durante todo o período (que esteve à frente do Banco de Portugal), consideramos que a análise é positiva”.

Lucros sobem quase 28% no primeiro trimestre

O Santander Totta fechou o primeiro trimestre com lucros de 53,8 milhões de euros, um aumento de quase 28% face ao mesmo período do ano anterior. São lucros que, como sublinha o presidente António Vieira Monteiro em conferência de imprensa, “dizem respeito apenas à atividade em Portugal – a única que o Santander Totta tem”, em contraste com os outros bancos nacionais que nos últimos dias também apresentaram lucros de várias dezenas de milhões de euros.

Os lucros de 53,8 milhões comparam com os 42 milhões de euros obtidos no primeiro trimestre de 2014, informou o banco, entretanto, em comunicado enviado ao regulador do mercado, a CMVM.

Tal como os outros bancos nacionais, o Santander Totta beneficiou de um aumento da margem financeira, isto é, a diferença entre o que o banco paga para se financiar (depósitos, mercado) e os juros que cobra nas operações de crédito. A margem financeira do Santander aumentou 10,3% no primeiro trimestre, para 142,6 milhões.

Para este aumento da margem financeira terá contribuído o aumento de 0,8% no crédito às empresas na comparação homóloga, o que leva o banco a concluir que perante a redução do mercado de crédito neste período comparativo está a conquistar quota de mercado neste segmento.

Já o crédito à habitação caiu 2,8% face ao período homólogo.

Do lado dos depósitos, o Santander Totta acumulava no final do primeiro trimestre 20.346 milhões, mais 7,5% do que no mesmo período do ano passado. Os novos clientes vieram “pela imagem de segurança que ele dá, quantidade de capital, vieram porque sabem que quem aqui trabalha sabe da sua atividade”.

 

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