Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Quatro em cada dez portugueses desistiram de adquirir um medicamento nos últimos 12 meses devido ao facto de não estar disponível na farmácia. Esta é uma das conclusões de um inquérito realizado pela Proteste, publicação editada pela organização de defesa de direitos do consumidor, Deco. De acordo com o trabalho, que envolveu a consulta a 1.345 pessoas, metade “indicou ter esperado mais de 24 horas pela sua chegada ao balcão e a mesma proporção afirmou ter sido obrigada a percorrer vários estabelecimentos à procura”.

O estudo revela que há situações em que as farmácias vendem medicamentos sujeitos a receita médica sem exigirem a apresentação de documento que comprove a respetiva prescrição. Estão neste caso 14% das respostas recolhidas pela Deco, percentagem que inclui locais em que os utentes não eram conhecidos e que abrange a venda de ansiolíticos e anti-hipertensivos. Em 2% dos casos, acrescenta o trabalho, “os inquiridos conseguiram comprar antibióticos sem prescrição”.

Em geral, indica também o inquérito, “o uso de linguagem acessível e a preocupação em garantir que o utente percebeu a forma de tomar o medicamento contribuem para a elevada satisfação dos utentes com o desempenho do profissional” do atendimento nas farmácias. “Mais de 90% dizem-se satisfeitos ou muito satisfeitos com a simpatia dos funcionários e com a facilidade em obter informação sobre saúde e medicamentos” e o “mesmo acontece em relação ao aspeto da farmácia, ao nível da limpeza e organização, e à qualidade de outros serviços, como a medição da tensão arterial, do peso e a vacinação”.

Quanto ao preço dos produtos, excetuando os medicamentos, mas que são vendidos na farmácia” é considerado demasiado elevado para 36% dos inquiridos”.  No campo de outros aspetos negativos, “destaca-se o facto de o farmacêutico não pedir ou dar informações espontâneas sobre o problema de saúde do utente (22% dos inquiridos) e a falta de privacidade no atendimento, manifestada por um quinto” das pessoas envolvidas no estudo. Uma percentagem semelhante “revelou que nem sempre os medicamentos ‘de venda livre’ recomendados pelo farmacêutico são a melhor opção”.

O estudo refere que, para um quarto dos inquiridos, “o atendimento não é suficientemente personalizado”. Um quinto “manifestou insatisfação com o tempo de espera e a ausência de certos medicamentos”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR