A Comissão de Trabalhadores da Soares da Costa anunciou hoje ter sido informada pela administração da empresa que não há “ainda previsão” de pagamento dos salários de julho, mas que espera liquidar em breve os ordenados em atraso em Angola.

“Sobre o pagamento do salário de julho e a liquidação de salários atrasados a Comissão Executiva (CE) da empresa informou não ter, ainda, previsão do pagamento de julho e, quanto aos restantes trabalhadores destacados em Angola, afirmou que ‘espera ter boas notícias’ a breve trecho”, refere a Comissão de Trabalhadores (CT) em comunicado emitido após uma reunião mantida na passada terça-feira com a administração da construtora do Porto.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial da Soares da Costa não quis “comentar publicamente reuniões que teve com os trabalhadores”, assegurando apenas que “está concentrada no processo de reestruturação e no enorme trabalho que é colocar a empresa num novo patamar e entrar num novo ciclo”.

No comunicado hoje emitido, os representantes dos trabalhadores dizem, relativamente aos “rumores em curso acerca do despedimento coletivo”, terem sido informados pela administração que “tal cenário não está a ser, ainda, equacionado pela empresa”.

“E se o fosse — acrescenta — a CT seria imediatamente informada para defender os postos de trabalho e emitir o parecer previsto na lei”.

Na terça-feira, o Sindicato da Construção disse ter obtido garantias da Soares da Costa do pagamento, na próxima semana, de um dos dois meses de salários em atraso em Angola e da suspensão do processo de despedimento coletivo em Portugal.

“Em relação aos dois meses de salários em atraso em Angola, vão pagar um mês para a semana”, afirmou o presidente do sindicato, Albano Ribeiro, em declarações à agência Lusa no final de uma reunião que então manteve com a administração da construtora.

Quanto ao processo de despedimento coletivo que abrangeria os perto de 300 trabalhadores que atualmente se encontram em situação de inatividade em Portugal, por falta de trabalho, o dirigente sindical diz estar “para já parado”: “Segundo me foi dito pelo administrador Fernando Nogueira não há datas para o despedimento coletivo que, para já, está parado e, se a perspetiva de novas obras for materializada e estas avançarem, pode até nem acontecer”, disse.

É que, salientou, “a administração da Soares da Costa afirmou que em Portugal, a curto prazo, poderá vir a ter várias [novas] obras”.

“Eles têm aqui uma equipa a trabalhar em concursos para obras e pensam que, a curto/médio prazo, a empresa vai ter trabalho em Portugal”, pelo que “a mão-de-obra excedentária da obra que está a ser concluída na Ribeira [do Porto] poderá ser absorvida por essas obras”.

No que respeita aos salários que estiveram em atraso em Portugal, Albano Ribeiro afirmou “já foram todos pagos”, sendo que “o mês de julho ainda não acabou”.