Com o verão quase a chegar ao fim (para quem já foi de férias e, por esta altura, lê isto a partir do escritório), a rentrée num novo ano laboral é a altura ideal para fazer uma mudança de visual. Quantas vezes, este ano, olhou ao espelho e sentiu uma vontade repentina de mudar? É aquele desejo de nos sentirmos diferentes porque, com a mudança, é como se nos renovássemos. Por dentro e por fora. E transformar o nosso cabelo é a forma mais fácil, e instantânea, de satisfazer este desejo. Se só de pensar em passar quatro horas num salão já lhe tira a vontade de mudar, as colorações caseiras estão cada vez mais modernas, intuitivas de usar e com resultados excecionais. O que é que não pode fazer? Armar-se em expert e esquecer as regras.

1. Leia as regras de utilização

Os folhetos não foram feitos só para “inglês ver”. E nem todas as colorações caseiras se aplicam da mesma forma. Esqueça a ideia de abrir, misturar, aplicar no cabelo, esperar e tirar. As tintas em espuma não se aplicam da mesma forma que as em mousse, por exemplo. Grande parte dos erros acontece porque as pessoas simplesmente ignoram as instruções.

2. Faça um histórico ao seu cabelo

Não compre uma tinta só porque a sua amiga comprou e gostou de ver o resultado nela. Há vários tipos de tintas, exatamente a pensar nas várias necessidades dos fios. O seu cabelo é virgem? Tem alisamentos? Usa muitos aparelhos de styling e está danificado? Só quer cobrir os brancos? Quer fazer madeixas? Dar brilho? Fazer uma coloração total? Ou consertar uma coloração antiga mal feita? Sim, há soluções para todas estas necessidades. É uma questão de procurar o tipo exato de tinta que quer. Em cabelos danificados, procure as tintas que não agridem (sem amoníaco). Se o seu cabelo é virgem, procure uma tinta que proporcione resultados naturais. Se o que procura é dar brilho, faça uma coloração de tom sobre tom. O resultado só vai ser natural e sem falhas se usar uma tinta adequada.

tintas

Casting Creme Gloss Tom sem Tom, L’Oréal Paris, PVP: 9,99€; Coloração Permanente Nutrisse Creme, Garnier, PVP: 8,49€; Coloração em creme com reactivador da cor, Koleston de Bellady, PVP: 8,49€; Sublime Mousse, coloração em mousse, L’Oréal Paris, PVP: 10,99€; Olia, coloração sem amoníaco, Garnier, PVP: 10,99€; Hair Touch Up, Spray corrector de raízes, L’Oréal Professionnel, PVP: 16€.

3. Faça um teste de sensibilidade

Este é, provavelmente, o passo que praticamente todas as mulheres falham. “Nunca me aconteceu nada, não é agora que vai acontecer” já lhe passou pela cabeça, certo? Mas os componentes das tintas e das marcas mudam e pode fazer reações (uma simples caspa ou uma comichão pode passar a queimaduras e alastrar para as orelhas, pescoço, testa e fazer dermatites graves). Por isso, faça sempre um pequeno teste, aplicando atrás da orelha ou na parte interna do braço, e espere 48 horas para ver se surge alguma irritação.

4. Não poupe na coloração

Se comparar o preço que vai pagar por uma coloração no salão e uma em casa, a diferença é enorme e amiga da carteira. Poupar agora não faz sentido. Se tem cabelos curtos (até aos ombros), uma caixa de tinta basta. Para fios médios, longos, ou cabelos muito volumosos, vai precisar (quase de certeza) de duas embalagens. Em última análise, mais vale ter sempre duas caixas para, na hora H, não ter de remediar e, no fim, ficar com falhas na coloração.

5. Pintar com o cabelo sujo não é nojento

Na verdade, é assim que tem de ser. Um cabelo sujo tem mais oleosidade e isto funciona como uma espécie de hidratação natural que vai proteger o couro cabeludo da coloração. Quando dizemos sujo, queremos dizer um pouco sujo – aquela sujidade natural de 24 horas sem o lavar e não sujidade de três dias (isso faz com que a cor não fique tão intensa).

6. Proteja as áreas em volta

Nada chateia mais que, acabar de lavar o cabelo, e ver que se ficou com manchas na testa, orelhas e pescoço. A melhor forma de o evitar é passar vaselina ou creme nestas zonas antes de pintar.

7. Siga alguns truques dos profissionais

Não basta pegar na tinta, despejar no cabelo e espalhar com as mãos. Imagine o seu cabelo como uma tela dividida em várias partes e cujas linhas tem de preencher para ficar tudo uniforme. Assim, divida em quatro partes com uma risca da testa até à nuca e outra de uma orelha à outra. Pode usar as mãos (com as luvas que costumam vir nas embalagens) mas, para ser mais fácil, use um pincel de cerdas curtas. Comece por aplicar a tinta na nuca (porque, nessa zona, o cabelo costuma resistir mais à ação da tinta e precisa de mais tempo de atuação), depois nas laterais e, por fim, no topo da cabeça e distribua a tinta por toda a raiz (as tais linhas que dividiu anteriormente). Após a raiz, aplique nas têmporas e na parte frontal. Se tiver fios brancos, esta é a altura em que os deve reforçar – no fim de tudo.

8. Dê especial atenção aos retoques

E por retoques queremos dizer quem já pinta e de dois em dois meses faz um retoque. Neste caso, comece a aplicação pela raiz, deixe atuar de 20 a 30 minutos, e só então pinte os comprimentos e as pontas. Isto evita que a raiz fique mais clara que as pontas do cabelo (erro que acontece à maioria das mulheres). Nas pontas, deixe atuar de 10 a 15 minutos e, se o seu cabelo for longo, pode espalhar um pouco de condicionador para evitar que absorvam mais tinta.

9. A cor não fica mais intensa por deixar atuar mais tempo

Esqueça essa ideia. Respeitar o tempo indicado na embalagem é obrigatório. O seu cabelo não vai ficar mais loiro por aumentar o tempo de fixação. Além da cor não ficar a pretendida, pode ficar com manchas, prejudicar a fixação da cor e danificar os fios.

10. Use produtos pós-coloração próprios

Antes de retirar o produto do cabelo, misture um pouco de água fria e massaje durante uns minutos como faz quando lava o cabelo. Isto vai dar mais brilho à coloração final. Depois, lave com água morna até que saia totalmente sem cor. E a maioria dos kits de coloração caseira já vem com champô e/ou condicionador próprios que contêm ingredientes para fixar a cor e fazer tratamento de choque pós-coloração. Não mande as saquetas fora (não são amostras, são mesmo para usar) com a ideia de usar o seu próprio champô.