Os trabalhadores da logística da Sonae, na Maia, retomam na quarta-feira a greve, por mais quatro dias, continuando a reivindicar aumentos dos salários “congelados há cinco anos”, segundo fonte sindical.

O coordenador da região Norte do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), Jorge Pinto, confirmou a paralisação, que a Lusa já tinha divulgado na semana passada e que arranca na quarta-feira, terminando no sábado, durante duas horas diárias em todos os turnos.

A justificação desta paralisação é a mesma das outras greves também efetuadas pelos trabalhadores da logística da Sonae, na Maia, e prendem-se com a “intransigência da empresa em retomar o diálogo”.

Fonte oficial da Sonae afirmou que “o direito à greve é um direito que assiste a todos os trabalhadores, sendo que a empresa tem sempre pautado a sua atuação por princípios éticos e legais de referência no setor”.

E adiantou que “a negociação do contrato coletivo de trabalho do setor, onde se inclui a negociação das cláusulas remuneratórias, é da responsabilidade da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED). Está inclusive um processo negocial em curso e é nesta sede que esta temática deve ser tratada.”

Em causa está um aumento salarial de 30 euros por mês e a atualização em 5% do subsídio de alimentação, que o sindicato garante que “a empresa tem condições” para assegurar porque “tem apresentado, nos últimos anos, resultados bastante positivos” que permitiram “avultados investimentos de milhões de euros”.

O responsável sindical afirma que os pontos de venda do grupo no Norte foram “muito afetados” nos quatro dias de paralisação da semana passada e prevê que nestes novos quatro dias “vai sentir-se muito mais com as lojas a serem fortemente afetadas”.

O sindicato quer ainda que a empresa admita mais funcionários efetivos nos seus quadros, em vez de recorrer às empresas de trabalho temporário e adianta que vai apresentar novamente um caderno reivindicativo, aguardando uma resposta da Sonae em setembro/outubro.

Os trabalhadores da logística da Sonae pararam já em junho, julho e agosto, também duas horas em cada turno.

A 12 de março, o presidente executivo da Sonae, Paulo Azevedo, disse que o grupo decidiu aumentar, este ano, o salário de admissão para funções que não requerem qualificações especiais para 520 euros.

Em declarações durante a apresentação de resultados de 2014 da Sonae, que decorreram na Casa de Serralves, no Porto, Paulo Azevedo referiu ter sido decidido aumentar-se em 3% o salário de admissão no grupo, para 520 euros, sublinhando que tal acontece num ano “sem inflação”.