Numerosos soldados turcos foram esta noite mortos ou feridos num ataque de grande envergadura atribuído aos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no sudeste da Turquia, referiram os media locais.

As autoridades ainda não precisaram o número de baixas entre os militares neste ataque, registado na localidade de Daglica, província de Hakkari, junto à fronteira com o Irão e o Iraque.

O primeiro-ministro islamita-conservador, Ahmet Davutoglu, interrompeu a sua visita à cidade de Konya e convocou uma reunião de urgência do gabinete de segurança em Ancara, com a presença das principais autoridades civis e militares.

O Presidente Recep Tayyip Erdogan, que recentemente decidiu convocar eleições antecipadas gerais, também confirmou o ataque, mas não forneceu mais detalhes. De acordo com o diário Hurriyet, os rebeldes curdos fizeram explodir minas numa estrada à passagem de uma coluna militar.

Nas eleições legislativas de 07 de junho o Partido de Democrático dos Povos (HDP, pró-curdo, mas que aglutina amplos setores da esquerda turca) obteve um significativo sucesso eleitoral ao garantir 13% dos votos e 80 dos 550 lugares no parlamento de Ancara.

Este resultado foi decisivo para retirar a maioria absoluta que o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, islamita-conservador) de Erdogan detinha desde 2002. Ahmet Davutoglu, atual líder formal do AKP, não conseguiu assegurar um governo de coligação durante as conversações entre os partidos com representação parlamentar, e Erdogan decidiu convocar um novo escrutínio para 01 de novembro.

O chefe de Estado espera agora que o seu partido recupere a maioria absoluta para continuar a governar sozinho, com o objetivo último de instaurar um regime presidencial forte. Pelo contrário, e reforçado pelo seu sucesso de junho, Demirtas confirmou as suas pretensões eleitorais e fixou como objetivo alcançar 20% dos sufrágios.

No final de julho a Turquia desencadeou uma “guerra contra o terrorismo” dirigida contra o islamita Estado Islâmico (EI) mas que tem sobretudo visado os rebeldes PKK, que lutam pela autonomia do sudeste do país. Desde há um mês que as operações militares do exército turco e os atentados do PKK contra o exército e forças policiais se sucedem a um ritmo quase diário, com dezenas de soldados e polícias mortos e cerca de 1.000 baixas entre os rebeldes curdos, segundo os números oficiais.